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Caso Epstein. Fundo pagou 125 milhões de dólares às vítimas e acusadora processa príncipe André

Magnata norte-americano Jeffrey Epstein

O fundo criado para apoiar as vítimas da rede de tráfico sexual de Jeffrey Epstein já pagou 107 milhões de euros. O Príncipe André vai também ser processado por uma mulher que alega ter sido abusada por ele quando tinha 17 anos.

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O fundo criado para compensar as vítimas dos abusos sexuais do bilionário Jeffrey Epstein já concluiu os processos de indemnização e já distribuiu 125 milhões de dólares – cerca de 107 milhões de euros – por 150 requerentes, avança a CNBC.

Foram recebidos mais de 225 pedidos de indemnização, o dobro do que era esperado. Cerca de 75 queixas foram rejeitadas, mas estas vítimas podem ainda reivindicar o património de Epstein. Das requerentes, 92% aceitaram o valor que foi proposto segundo o Epstein Victims Compensation Fund, que concluiu os processos na segunda-feira.

A administradora do fundo, Jordana Feldman, revela no comunicado que “cada vítima teve oportunidade de ser ouvida num espaço seguro, para partilhar a sua história íntima e pessoal, muitas vezes relatos angustiantes do que passaram e como isso as afectou”.

Os pagamentos a algumas das vítimas sofreram atrasos pela litigação entre os executores do património do magnata. Os 634 milhões de dólares, cerca de 539 milhões de euros, da fortuna de Epstein são geridos por Darren Indyke and Richard Kahn.

O bilionário era dono de duas Ilhas Virgens dos EUA e a procuradora-geral deste território, Denise George, acusou os executores de serem os “capitães indispensáveis” da rede de tráfico sexual liderada por Epstein, segundo a Reuters.

Os advogados dos executores negaram as acusações de George: “Nem o Sr. Indyke nem o Sr. Kahn tiveram qualquer envolvimento na má conduta do Sr. Epstein, em nenhuma altura. É muito lamentável que a procuradora-geral tenha escolhido atirar acusações falsas e caluniar injustamente a reputação dos co-executores sem qualquer prova”.

O fundo para as vítimas foi criado no seguimento das negociações entre os advogados dos executores e a procuradora-geral em Junho de 2020. Jordana Feldman coordenou também os pagamentos às vítimas do 11 de Setembro.

Esta terça-feira assinala-se o segundo aniversário da morte de Epstein, que foi encontrado morto numa prisão federal em Manhattan a 10 de Agosto de 2019, aos 66 anos, enquanto aguardava o julgamento por acusações de tráfico sexual de crianças. De acordo com as autoridades, Epstein suicidou-se ao enforcar-se.

A namorada do magnata, Ghislaine Maxwell, está também acusada de ser uma das líderes da rede de tráfego e de recrutar menores que eram depois abusadas por Epstein. Maxwell diz-se inocente e está actualmente na prisão de Brooklyn, onde aguarda pelo julgamento do tribunal de Manhattan, que está marcado para Novembro.

Virginia Giuffre processa príncipe André

Além do próprio Epstein, muitas outras mulheres alegam terem sido abusadas sexualmente por outras figuras influentes que eram amigas do magnata, como Bill Gates, Donald Trump, Bill Clinton ou o príncipe André.

Esta segunda-feira, os advogados de Virginia Guiffre deram entrada com um processo contra o príncipe André no tribunal federal de Manhattan. Giuffre alega ter sido traficada por Epstein e obrigada a ter relações sexuais tanto com o magnata como com o filho da rainha de Inglaterra, tudo quando tinha apenas 17 anos.

A acusadora, agora com 38 anos, lidera a o grupo anti-tráfico Victims Refuse Silence – Vítimas Recusam o Silêncio – e diz que o príncipe André abusou dela na mansão de Epstein em Nova Iorque, em Londres e nas Ilhas Virgens americanas.

O processo relata que em cada um dos alegados abusos, Epstein, Maxwell ou André fizeram “ameaças expressas ou implícitas” a Giuffre para que esta tivesse relações sexuais com o príncipe e que este sabia que a jovem era menor da idade na altura.

“Estou a responsabilizar o príncipe André pelo que ele fez. Os poderosos e ricos não estão isentos de serem responsabilizados pelas suas acções. Espero que outras vítimas vejam que é possível não viver em silêncio e com medo e que podem recuperar as suas vidas ao exigir justiça”, lê-se no comunicado de Giuffre, citado pelo Independent.

A alegada vítima acrescenta que não tomou a decisão levianamente e que sabe que vai ser “submetida a mais ataques do príncipe André“, mas que se não avançasse com o processo estaria a desiludir a sua família e todas as outras vítimas. O processo inclui um pedido de indemnização e punição que não foram divulgados.

O Palácio de Buckingham negou todas as acusações. “As alegações são falsas e sem qualquer fundamento”, respondeu num comunicado. Recorde-se que o filho da rainha defendeu-se das acusações numa entrevista à BBC em 2019, dizendo que não se lembrava de ter conhecido Virginia Giuffre. O príncipe acabou por se afastar da vida pública.

  AP, ZAP //

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