Carta assinada por Pedro Nuno Santos pode obrigar o Estado a pagar dívida de 178 milhões da TAP

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José Sena Goulão / Lusa

O ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS), Pedro Nuno Santos, presta declarações aos jornalistas no âmbito da averiguação preventiva do Ministério Público (MP), no qual é visado.

Em causa estão 90 milhões de euros acrescidos de juros concedidos pela companhia aérea brasileira Azul à TAP. A empresa tem cartas assinadas por Pedro Nuno Santos a garantir que o empréstimo é obrigacionista.

Uma disputa judicial da companhia aérea brasileira Azul com a TAP ameaça complicar a reprivatização da transportadora. Em causa está um empréstimo de 90 milhões de euros concedido pela Azul à TAP em 2016, que com juros já ascende a 178 milhões. A questão central é determinar a natureza jurídica deste financiamento: um suprimento acionista, sem garantias prioritárias, ou uma dívida obrigacionista, com direitos equiparados aos de credores comuns, segundo noticia o DN.

A polémica ganhou novo fôlego depois de a Azul apresentar em tribunal cartas do Governo português, datadas de 2020, onde o Estado, através do então ministro Pedro Nuno Santos e do secretário de Estado Miguel Cruz, garante por escrito que o crédito seria tratado “pari passu” com outros credores e que a Azul poderia ser considerada “senior secured creditor”, a par da Parpública. Estes compromissos foram determinantes para que a Azul aceitasse abdicar do direito de converter o empréstimo em ações da TAP, medida essencial para a intervenção estatal que salvou a companhia da falência.

Caso os tribunais confirmem que o empréstimo é obrigacionista, o Estado poderá ter de pagar a totalidade do valor à Azul, tornando-se responsável por uma dívida significativa. Já se for considerado um suprimento, a TAP poderá recusar a liquidação, deixando a empresa brasileira sem meios de recuperar o montante.

A Azul alega que todas as entidades envolvidas, incluindo reguladores e Tribunal de Contas, reconheceram a natureza obrigacionista do crédito e acusa a TAP de tentar contornar o pagamento ao transferir a dívida para a TAP SGPS, hoje Siavilo, em processo de insolvência. A companhia brasileira classifica esta prática como “desnatamento”.

Por sua vez, a TAP e o atual Governo defendem que, por David Neeleman — fundador da Azul — ter sido acionista da TAP na altura, o empréstimo deve ser considerado um suprimento, sem privilégios face a outros acionistas.

Este litígio surge num momento crítico, com a reprivatização da TAP em preparação. A incerteza sobre a dívida à Azul representa um risco relevante para potenciais investidores, já que as garantias associadas incluem ativos estratégicos como o programa de fidelização Miles&Go.

ZAP //

12 Comments

  1. Esta gentalha desgoverna sempre o país quando está no governo.
    É fácil quando são os contribuintes a pagar.
    Se os políticos pagassem do seu bolso pelos erros que comentem teriam mais seriedade em assinar este tipo de documentos.
    Como não pagam saem sempre impunes. Quem não sai são os contribuintes…

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  2. Se fosse uma empresa privada, o gestor que tivesse assinado os documentos, não estaria pessoalmente obrigado a assumir o pagamento da dívida? Enquanto os gestores públicos não forem pessoalmente responsabilizados, este circo vai continuar na mesma. .. com o povo a pagar!

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  3. Pedro Nuno Santos o grande gestor!
    Este indivíduo devia pagar (literalmente) pelas asneiras que fez como ministro. É um incompetente, que geria o dinheiro do erário público sem olhar às consequências dos seus atos. E era este indivíduo que o PS queria para primeiro-ministro de Portugal!
    Duvido que o pai lhe entregue alguma coisa para gerir.
    Pode ser bom para andar em brutos carros, mas para gerir o que quer que seja livre-nos Deus deste incompetente.

  4. O americano disfarçado de brasileiro não colocou um centavo na tap e levou 50 milhões de euros quando saiu e agora ainda querem mais.
    E os que fizeram a privatização em 2014 estão no governo e vão fazer tudo de novo.

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  5. Corrupção na Banca Portuguesa: Quem Pagou a Fatura?
    Nas últimas duas décadas, os grandes escândalos na banca portuguesa custaram milhares de milhões ao Estado — e poucos foram os responsáveis punidos. BES, BPN e Banif são nomes que ficaram ligados à má gestão, corrupção e branqueamento de capitais.
    Casos emblemáticos:
    BES/GES: O colapso em 2014 causou prejuízos massivos. Ricardo Salgado foi condenado, mas o dinheiro desviado dificilmente será recuperado.
    BPN: Nacionalizado em 2008, custou mais de 4 mil milhões aos contribuintes. Oliveira e Costa foi condenado, mas a recuperação financeira foi mínima.
    Banif: Encerrado em 2015, envolveu ajuda pública de cerca de 3 mil milhões. Sem condenações relevantes até hoje.
    Justiça e impunidade
    Apesar dos danos colossais, menos de uma dezena de banqueiros foram condenados, e quase nada foi devolvido ao Estado. Muitos processos ainda se arrastam nos tribunais.
    Quem paga?
    A conta ficou para os contribuintes: mais impostos, menos investimento público e maior desconfiança nas instituições.
    Enquanto a justiça não for eficaz no combate à criminalidade económica, a corrupção bancária continuará a sair barata — exceto para quem trabalha e paga.

  6. Corrupção em Portugal – Quem desviou e quem pagou?
    Nos últimos anos, vários políticos portugueses foram apanhados em escândalos de corrupção, fraude fiscal e peculato. Eis alguns dos principais casos:
    Manuel Pinho (ex-Ministro da Economia) foi condenado a 10 anos de prisão por receber 4,9 milhões de euros do Grupo Espírito Santo. Até agora, não devolveu o valor ao Estado.
    José Sócrates (ex-Primeiro-Ministro) está a ser julgado por ter recebido mais de 30 milhões de euros em subornos. Ainda não há qualquer devolução confirmada, pois o processo está em curso.
    Armando Vara (ex-Ministro) foi condenado no caso Face Oculta, mas não devolveu valores ao Estado.
    Isaltino Morais (ex-presidente da Câmara de Oeiras) foi condenado por fraude fiscal e branqueamento. Cumpriu pena, mas não há registo da devolução total do dinheiro (cerca de 300 mil euros).
    Arlindo de Carvalho (ex-Ministro da Saúde) aceitou devolver 22 milhões de euros ao Estado no âmbito do caso BPN, evitando prisão efetiva.
    João Pedroso e João da Silva Batista, ligados ao PS, foram condenados por peculato e favorecimento. Pagaram 40 mil e 30 mil euros, respetivamente.
    Montante total desviado (conhecido): cerca de 57 milhões de euros
    Montante devolvido ao Estado: apenas cerca de 22,07 milhões de euros
    Ou seja, menos de 40% dos valores desviados foram recuperados — o resto continua perdido ou em disputa judicial. A justiça tarda… e muitas vezes falha, …falha!!!!
    Por tudo isto, pagam todos os portugueses brutais impostos (IRS, IMI, IUC, IVA, IRC, etc…). Os governos, dão com uma mão e tiram com as duas (são todos iguais!). A descida do IRS é uma fantochada!!!! O chequezinho aos pensonistas uma anedota!!!!

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