Campanha de Passos de 2015 investigada por suspeitas de suborno da Odebrecht

Fernando Veludo / Lusa

O financiamento à campanha PSD/CDS de Pedro Passos Coelho, de 2015, está a ser investigada pelo Ministério Público. Em causa estão suspeitas de associação a um alegado suborno da Odebrecht ao publicitário da campanha, André Gustavo.

Os pagamentos feitos estavam a ser investigados desde 2017 no âmbito da operação Lava Jato, mas a partir desta semana começaram a ser investigados no processo EDP. O Observador avança que a Odebrecht terá alegadamente subornado André Gustavo, num pagamento de 880 mil euros, semelhante ao valor pago pelo PSD à empresa do publicitário brasileiro em 2015.

O valor pago à empresa de André Gustavo, a Arcos Propaganda, foi precisamente 868.943,24 euros. Este é um valor muito semelhante aos 880 mil euros relativos ao alegado suborno da Odebrecht ao publicitário.

As acusações são negadas por fonte próxima ao antigo primeiro-ministro. A campanha da coligação entre PSD e CDS, Portugal à Frente, culminaria com a vitória de  Pedro Passos Coelho nas eleições.

A coincidência de datas e valores levou à suspeita de que este valor se possa “referir ao financiamento da campanha eleitoral do PSD para a eleição do cargo de primeiro-ministro, disputada em 2015 por Passos Coelho”, escreveu o Ministério Público brasileiro num despacho ao qual o Observador teve acesso.

As contas apresentadas ao Tribunal Constitucional parecem desfazer as suspeitas. As contas do orçamento de campanha eleitoral de 2015 foram divididas pelo PSD e pelo CDS, não havendo qualquer registo de um donativo.

No caso dos sociais-democratas, 89.872 euros são relativos à subvenção estatal, enquanto 102.129,88 euros saíram do bolso do próprio partido. Estes donativos do partido são também valores distribuídos via Assembleia da República. Assim sendo, o montante gasto com André Gustavo é dinheiro dos contribuintes.

O Observador noticia ainda que na carta rogatória do Brasil que levou à abertura da investigação em Portugal, foi encontrada uma folha de Excel nos escritórios da Odebrecht que indica pagamentos feitos a alguém com a alcunha de “Príncipe”. Os pagamentos foram feitos a pedido do “diretor-superintendente da Odebrecht em Portugal”.

Os investigadores do Ministério Público brasileiro constataram que “há um comentário feito por Ângela Palmeira que vincula essa programação à obra de Baixo-Sabor”, a barragem em Trás-os-Montes.

“Deste modo, é possível que os pagamentos descritos na planilha ‘Paulistinha’ com referência à obra da barragem Baixo-Sabor, em Portugal, possam-se referir ao financiamento da campanha eleitoral do PSD para eleição do cargo de primeiro-ministro, disputada em 2015 pelo ex-primeiro-ministro de Portugal Pedro Passos Coelho. Essa afirmação, porém, baseia-se apenas nas informações acima relatadas, de modo que são apenas indiciárias”, escrevem os investigadores brasileiros.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Estes timings são realmente estranhos. Será que estão com medo que o homem se candidate a PR?

    Se ele se candidatar tem o meu voto garantido!

  2. Noticia da treta, já todos sabemos que há uma casta que as investigações quando não desaparecem ou são roubadas, e arquivadas, se a justiça fosse isenta as cadeias estavam cheias de Sócrates de várias cores.

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