Califórnia quer sair dos EUA por causa de Trump

Justin Lane / EPA

"Not my President". Americanos saíram à rua para manifestar-se contra a eleição de Donald Trump

“Not my President”. Americanos saíram à rua para manifestar-se contra a eleição de Donald Trump

A vitória de Donald Trump não agradou a muitos cidadãos, principalmente os habitantes da Califórnia, que já criaram petições a pedir independência dos EUA até 2020.

“CalExit” é o movimento que ganhou vida no Twitter, através de uma hashtag com o mesmo nome e de outra semelhante (#Caleavefornia).

Já foi criada uma campanha por um grupo chamado ‘Yes California Independence Campaign’ e será ainda organizado um evento na próxima semana em Sacramento para obter mais apoio para este movimento.

“Como a sexta maior economia do mundo, a Califórnia é mais poderosa economicamente do que a França e tem uma população maior do que a Polónia. Ponto a ponto, a Califórnia compete com os países, não apenas com os outros 49 estados”, disse o grupo, pedindo a independência para o ano de 2020.

Entre as caras conhecidas, Perez Hilton, que criou o site TMZ, concorda com todo este movimento, como afirmou na sua conta de Twitter.

Também Shervin Pishevar, capitalista de risco de Silicon Valley, prometeu financiar “uma campanha legítima para a Califórnia se tornar a sua própria nação”.

Manifestações marcadas por conflitos

Milhares de pessoas protestaram, em várias cidades dos EUA, pela eleição de Donald Trump como 45º Presidente dos Estados Unidos.

Em Seattle, durante a noite de quarta-feira, um homem abriu fogo numa manifestação provocando cinco feridos, quatro homens e uma mulher.

Segundo as autoridades norte-americanas, o tiroteio começou após dois manifestantes se envolverem numa discussão – mas não parece estar diretamente relacionado com questões políticas.

O hospital Harborview Medical Center, onde os feridos se encontram hospitalizados, revelou que dois ainda se encontram em estado grave.

Em Nova Iorque, dois protestos confluíram junto da Trump Tower, em Manhattan, com os manifestantes a repetirem ‘slogans’ como “Não é o meu presidente” (“Not my presidente”).

Trinta manifestantes foram detidos por perturbações à ordem pública em Nova Iorque, segundo as autoridades citadas pela Efe.

Entre as manifestações descritas como as mais numerosas estão as de Seattle (Washington), Filadélfia (Pensilvânia) e Chicago (Illinois).

A capital norte-americana, Washington, assim como Atlanta (Georgia), Boston (Massachusetts), Denver (Colorado), Austin (Texas), Portland (Oregon), Saint Paul (Minesota) ou as cidades californianas Los Angeles, San Francisco e San Diego foram igualmente cenário de protestos contra o republicano.

Todas estas cidades são bastiões democratas em que Hillary Clinton ganhou, na terça-feira, a Trump.

Em Oakland (Califórnia) parte dos 6.000 manifestantes estimados pela polícia formaram barricadas e atearam-lhes fogo. Alguns entraram em confrontos com os agentes numa tentativa de cortarem o trânsito numa via rápida.

Já em Richmond (Virgínia), manifestantes partiram janelas da sede do Partido Republicano, tendo a polícia efetuado uma dezena de detenções. Em Nova Orleãoes, no Luisiana, a população revoltada queimou um boneco de Trump.

Declaração onde Trump promete impedir muçulmanos de entrar nos EUA foi apagada

A declaração, divulgada em dezembro, em que o republicano manifestava a intenção de impedir a entrada de muçulmanos nos EUA foi apagada do site da campanha de Trump.

Segundo o Independent, na manhã de terça-feira a declaração ainda se encontrava disponível, tendo sido apagada depois dos resultados eleitorais.

A página da declaração foi substituída por outra em que o milionário solicita aos seus apoiantes que contribuam monetariamente para a campanha.

Esta não é a primeira vez que Trump elimina páginas dos seus sites. Em julho, surgiram dúvidas sobre a formação académica de Melania Trump, e o site da ex-modelo foi apagado.

Vantagem de Hillary no voto popular reacende discussão sobre o sistema eleitoral

A contagem ainda não está terminada mas, até agora, sabe-se que a democrata recolheu mais 200 mil votos do que o empresário: 59.813.991 contra 59.611.551.

Em eleições diretas, a antiga primeira-dama teria sido eleita para a Casa Branca com 47,7% dos votos contra 47,5% de Trump.

No entanto, nos EUA, é a soma dos grandes eleitores conquistados estado a estado que garante a vitória – e Trump triunfou com 306 votos eleitorais contra os 232 de Hillary.

Uma situação semelhante ocorreu em 2000, quando George W. Bush, venceu as presidenciais contra o democrata Al Gore, embora tenha sido o candidato menos votado. Al Gore obteve 48,4% dos votos e Bush apenas 47,9%.

Segundo Robert Schapiro, professor de Ciência Política na Universidade de Columbia, citado pelo DN, deveriam levantar-se muitas vozes para exigir uma revisão deste “sistema eleitoral abstruso”.

“Poderá haver reivindicações, mas elas acabarão por desaparecer“, afirmou, sublinhando que uma alteração do modelo eleitoral obrigaria a uma alteração da sacrossanta Constituição dos Estados Unidos, uma tarefa delicada.

Nos 50 Estados norte-americanos, os votos são convertidos em grandes eleitores – um número que varia em função da população de cada estado.

ZAP / Move / Lusa

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13 COMENTÁRIOS

  1. Isto é o que eu chamo… “Democracia”.
    Ou seja: só alguns têm o direito de pôr em causa os resultados LIMPOS de umas eleições.
    Gostaria de ver se acontecesse o inverso…
    NOTA: Não gosto de Trump nem da Clinton (os dois piores candidatos de sempre).
    Não seria melhor questionar pq é que esta sra perdeu as eleições para um homem como o Trump?
    Porque é que esta madame queimou o Bernie Sanders?
    Para pensar…

  2. Estes americanos e qaundo digo estes refiro-me obviamente aos protestantes, são mesmo burros e pouco ou nada democraticos e depois ainda `têm uns lunaticos a incentivá-los e isto como se fosse possivel em plena America um dos estados tornar-se independente. BURROS, Pena é que por cá ainda alguns iluminados dos BE.PCP e quejandos politologos de meia tijela ainda façam considerações jocosas como se eles fossem os arautos da verdade quando são mais que nazis. É verdade, lembram-se dos GULAGS que o Sr.Lenine tão carinhosamente apoiava ? Lembram-se dos milhares de Portugueses que tiveram de fugir das ex-colónias graças aos movimentos comunas e ajudados por Moscovo de então ? Democracia é isso mesmo, respeitar quem ganha ( não como cá obviamente) e se não se portarem bem, nas proximas eleições não votarem neles outra vez. Fossem estes protestos na Russia e teriamos o todo poderoso Putin a malhar-lhe nos ossos. Pessaolmente não gosto muito do presidente eleito, mas abomino de todo a Srª. Clinton, falsa até à medula, metida no status até preder de vista e seria bem que os media para além do marido exemplar, também desse uma ajudinha a dar o nome dos ex-amantes Este Trump deu voz ao que milhoes queriam dizer em publico mas não podem.

  3. A democracia apenas funciona quando é para o lado dos perdedores…fantástica esta visão. O povo americano votou numa pessoa fora do sistema pois já estava farto dos esquemas dos candidatos habituais.
    Em Portugal tivemos 3 forças perdedoras no acto eleitoral e esses entenderam-se apenas negativamente, ou seja, impediram de ganhar quem tinha ganho as eleições…

    Grandes hipócritas esses esquerdistas do caviar unem-se para apenas derrubar quem ganhou.Ainda bem que não é assim nos EUA…

    O resto é música celestial dos perdedores que em vez de fazerem auto análise para saberem as razões da pesada derrota querem impedir o futuro Presidente de governar. Cá por mim, acho que o tipo vai surpreender pela positiva.

    Nós temos cá o actual governo populista e cheio de manobras de propaganda e ninguém reclama..Todos dias diz lançar milhões na economia mas não se nota pois o crescimento é menos de metade que o previsto por esse cérebro chamado Centeno e Costa, uns verdadeiros ilusionistas da treta, peta e da teta.

    • Conhece Kompensan? Deve ajudar e já agora, qq coisa para o mau hálito. Contra a sua estupidez é que lamento informa-lo mas não há remédio, é crónica.

    • E ainda bem que a esquerda se uniu, para combater uma união de direita.
      Obviamente que o PSD apenas ganhou junto com o CDS, sozinhos comiam batatinhas.
      Esta política, está a fazer mais por Portugal do que o anterior governo fez.
      O Governo de Passos Fedelho apenas criou mais desemprego, mais endividamento e um afundar da economia. Ao menos com este governo começamos a ver alguma coisa!
      A direita apenas sabe destruir, observem e aprendam como se governa!

  4. Obviamente, não há sistemas eleitorais perfeitos.
    E o sistema eleitoral americano não é nenhuma vaca sagrada. Pode ser discutido e pode ser alterado.
    Mas não vi ninguém pô-lo em causa antes das eleições. Portanto, não podem fazê-lo agora os apoiantes de Hillary Clinton, apenas porque perderam; caso ganhassem, com o mesmo sistema, tudo estaria perfeito.
    Além disso, acho que há um largo consenso nos EUA sobre a manutenção deste sistema herdado dos “pais fundadores” como garantia de equilíbrio e de participação dos estados mais pobres e menos populosos no governo federal

  5. Este movimento incompreensível é fruto da instabilidade emocional do momento, porque os seus promotores não se prepararam, democraticamente e psicologicamente, para a hipótese de perderem, e porque levaram à letra os excessos de Trump, o que gerou sentimentos de medo, de ódio e de perigo para a coesão social e e para a convivência pacífica das diferentes comunidades.
    Os EUA estão divididos, mas isso não é de agora. É evidente que há ressentimentos, em diversos setores, e que a América votou zangada. Mas a tendência será para acalmar as tensões. Apesar da agenda de Trump ser diferente e algo retrógrada, seguirá uma política mais protecionista e isolacionista, que paradoxalmente será do agrado de muitos dos que agora o contestam.

  6. Se isso fosse só por lá… Estive estas semanas estarrecido com o comportamento dos nossos noticiários. Só se ocupavam (quando se ocupavam) em dizer coisas anti-trump. Nada de nada sobre a srª perdedora. Se isso é equidistância e equidade vou ali e já venho. Encontrei doutorados a ter sobre esse assunto o mesmo discurso que velhinhas da província com a 4ª classe… isso é normal? Claro que não. Os média foram “descobertos” Já há muitos anos como “formatadores” das cabecinhas. Os “cidadãos” revelam-se assim como meros replicadores dos noticiários, que no final dos quais só falta dizerem “Amén”.
    É triste, porque quanto mais não seja, dizer “amém” sem pensar como e porquê foi possível fazer funcionar uma candidatura “assim” é que interessa. Isso é um sintoma! A doença existe. Mas não se pode falar dela.
    Existem problemas quue os média se recusam a revelar. Porque aqueles que lhes pagam os ordenados Não querem que se fale disso. Mais valia a Censura, sempre era conhecidada, logo o jogo era honesto. Mas vai dar ao mesmo nas notícias. Já para pôr sexualidade de todo o género (?) em tudo e mais alguma coisa já estão super disponíveis.
    Estamos supostamente num União Europeia. Que é que os noticiários nos dizem sobre a realidade dos restantes países daí? Quase nada. Não sei nada sobre o dia-a-dia de alemães, ingleses, franceses, finladeses, etc. Mas sei o que pensa a srºa dª alice tal e tal do bairro tal e tal sobre um assunto sem importância qualquer. E do sr. fulano zé-ninguem tambem sei a opinião (só que esqueço imediatamente). São isso as informações que são autorizadas a passar, excetuando o caso uma bomba ou uma catástrofe natural, etc.
    Adeus democracia, quando só me dão notícias tortas ou não-notícias como alimento para pensar…. Adeus diferença (real) de opiniões. Adeus o “outro lado” das questões (Existe Sempre Um!!!) . Adeus democracia.

  7. O que se passou, nas eleições dos Estados Unidos, é demasiado complexo para fazer comparações com atos eleitorais de outros países. Quando alguns comentadores, falam de democracia, referem-se a uma democracia que lhes convém e não de uma democracia verdadeira, aquela democracia que é a expressão directa do voto dos cidadãos. Fazendo alguma pedagogia refiro que, nas eleições de 2011, os principais partidos concorreram separados às eleições legislativas e, após o acto eleitoral, PSD e CDS aliaram-se para formar uma maioria estável para “governar” durante quatro anos. Nas eleições de 4 de Outubro de 2015, PS, BE e CDU fizeram um acordo de governo estável com apoio parlamentar para governar o país, respeitando a Constituição da República, pergunta-se: de que democracia estamos a falar? Fosse a população portuguesa mais evoluida e seguramente teríamos políticosmais honestos e mais capazes a dirigir o país.

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