Caixão das vítimas de covid-19 passa a poder ser aberto durante funeral (mas há regras)

Christophe Petit Tesson / EPA

Ao contrário do que estava definido até agora, a Direção-Geral da Saúde (DGS) passou a permitir a visualização das vítimas de covid-19 durante o funeral. A mudança está numa atualização à norma sobre os procedimentos a serem seguidos depois da morte.

A norma indica que os velórios de pessoas que morreram infetadas com o novo coronavírus continuam a ser proibidos, sendo que no funeral “o caixão deve preferencialmente manter-se fechado, mas caso seja esse o desejo da família, e houver condições, pode permitir-se a visualização do corpo, desde que rápida, a pelo menos 1 metro de distância”.

Outra hipótese é que essa visualização seja feita “através de caixões com visor”, com a DGS a sublinhar que em qualquer caso “não é permitido tocar no corpo ou no caixão”.

Carlos Almeida, presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas (ANEL), realça que esta mudança é importante para as famílias, mas o conselho é que as empresas do setor continuem a privilegiar a visualização do rosto apenas através de um visor.

“Nós profissionais do setor vamos desconsiderar essa possibilidade [de abrir o caixão] porque o enlutado com a emoção, em alguns cultos, fará com que nós não consigamos, se calhar, preservar essas pessoas da aproximação, beijos e toques que se querem evitar”, adianta o representante do setor à TSF.

O responsável acrescenta que “não queremos entrar em incumprimento com aquilo que as normas sanitárias determinam. Contudo, vamos ter medidas cautelares e não usar esse método, pois o método da janela com o visor é, de facto, o correto e o que vamos implementar e aconselhar a todos os profissionais”.

O presidente da ANEL diz que ver o rosto do falecido pode evitar alguns casos que têm surgido na imprensa de trocas de identificação de pessoas que faleceram com covid-19.

A norma da DGS mantém que a “realização de funerais está condicionada à adoção de medidas organizacionais que garantam a inexistência de aglomerados de pessoas e o controlo das distâncias de segurança, designadamente a fixação de um limite máximo de presenças, a determinar pela autarquia local”.

“O distanciamento entre pessoas deve ser escrupulosamente mantido (2 metros) durante todo o funeral, evitando qualquer contacto físico”, diz ainda a DGS.

ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. Ora chega-se então à conclusão que os mortos são mais perigosos que os que ainda respiram… Para além disso, o morto deixou de ser pessoa.. bem.. até pagar o que deve ao fisco não deixa concerteza…

  2. Pelo menos que o caixão passe a ter obrigatoriamente uma vidraça na parte superior do corpo de forma que os familiares e amigos possam comprovar que de facto enterram a pessoa que lhes diz respeito, caso que nem sempre assim aconteceu e perante acontecimentos desta natureza qualquer um tem o direito de duvidar de quem de facto está a enterrar.

  3. Os funerais dessas vítimas poderão ser bastante lúdicos – sem desprezo. Sempre a oito metros do caixão aberto…!!

  4. Neste País para se resolver um problema cria se outro muito maior. Abrir a urna de um covid positivo e pensar que a familia irá respeitar a distância de segurança e não tocar no caixão. Só quem não tem experiência na área pensaria tal coisa.
    Os funerais estão sendo feitos e alguns com mais de 50 pessoas como ocorreu a semana passada, quem irá controlar estas multidões. De um lado está proibida a manipulação do cadáver, do outro a permissão de abertura da urna.
    Incoerências e falta de sabedoria.

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