“Cadeados do amor” ameaçam pontes e geram campanha na Europa

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Cadeados na Pont des Arts, em Paris

Cadeados na Pont des Arts, em Paris

Para os críticos, a moda está a desfigurar as lindas pontes europeias e a espalhar-se como uma epidemia. Mas seria o ritual romântico em que casais colocam cadeados em pontes e atiram a chave ao rio um ato de vandalismo ou uma simples expressão de amor?

Quando Carolyn Barnabo e Clive Roberts prenderam um cadeado na Pont des Arts, em Paris, e simbolicamente atiraram a chave ao rio Sena, acharam bastante romântico.

Cinco anos mais tarde, os dois estão casados e continuam apaixonados, mas, para Carolyn, os “cadeados do amor” perderam completamente o romantismo.

“A coisa está descontrolada e sinto-me tão mal por ter contribuído para isso”, ela diz. “Essa ponte linda foi arruinada”.

Em 2009, quando Carolyn e Clive puseram um cadeado – gravado com as iniciais do casal – na ponte parisiense e publicaram a foto no seu blog, havia apenas um punhado de cadeados na ponte.

BBC

Carolyn Barnabo na Pont des Arts, em 2009. Hoje, arrepende-se de ter contribuído para a "epidemia" dos cadeados.

Carolyn Barnabo na Pont des Arts, em 2009. Hoje, arrepende-se de ter contribuído para a “epidemia” dos cadeados.

Hoje, existem milhares de cadeados nesta e em outras pontes de Paris, onde Carolyn – que mora no condado inglês de Suffolk – tem uma casa. Ela diz que seria capaz de “chorar de arrependimento, culpa e desespero por ter contribuído para essa visão horrível”.

A moda dos “cadeados do amor” está a incomodar tanta gente que duas inglesas que moram em Paris – Lisa Taylor Huff e Lisa Anselmo – lançaram uma campanha em janeiro chamada No Love Locks (Não aos cadeados do amor).

“A delicada Pont des Arts tornou-se um aglutinado de caroços de metal, e pior, enfrenta agora perigo mortal”, escreve Lisa Anselmo.

As “duas Lisas” dizem que Paris, a “Cidade do Amor”, foi transformada na “Cidade dos Cadeados“. Elas argumentam que os cadeados se espalharam “como um fungo” por oito pontes sobre o Sena e três sobre o canal Saint Martin.

“Os cadeados desfiguram e provocam danos nas estruturas históricas e isso não pode ser ignorado”, diz Anselmo.

Moda europeia

Pontes por toda a Europa, muitas delas centenárias, estão a tornar-se “vítimas” do ritual romântico.

“Essa tendência impõe-se sobre as cidades e, ironicamente, na cidade mais afetada – Paris – a população local vê a ideia de se usar um cadeado para simbolizar o amor como algo bárbaro”.

Existem várias teorias para explicar as origens da moda. Uma delas é a de que tudo teria começado com o livro “Ho Voglia Di Te” (título em Portugal: Quero-te muito), do escritor italiano Federico Moccia, lançado em 2006.

A ideia de um vínculo supostamente indestrutível simbolizaria os laços eternos entre duas pessoas apaixonadas – mas muitos dos cadeados acabam por ser quebrados sem qualquer cerimónia pelas autoridades locais.

Às vezes, painéis inteiros de pontes, vergados sob o peso dos cadeados, são removidos.

À medida que a moda se alastra pelo mundo, surgem empresas que tentam lucrar com a novidade. Algumas oferecem cadeados em forma de coração com os nomes dos apaixonados e sugerem lugares onde os cadeados podem ser colocados – em Amesterdão, Praga, Chicago, Nova York, Sydney, Roma e cidades britânicas.

Torre Eiffel

A aparição de cadeados do amor na Wilford Suspension Bridge, que cruza o rio Trent no condado inglês de Nottinghamshire, causou polémica quando uma foto foi publicada na página da Rádio BBC Nottingham no Facebook.

Ao notar o nome de uma marca de cadeados junto às iniciais de um casal, a ouvinte Rachel Robin brincou: “Porque é que há tantos casais a fazer ménage à trois com esse tal Chubb?”

A companhia Severn Trent, proprietária da ponte, disse que não incentivaria as pessoas a cobrirem a ponte com cadeados como fazem em Paris, mas não pretende removê-los enquanto não estiverem a causar problemas.

No entanto, ao escolher locais para instalar o seu cadeado do amor, os casais não mais se limitam a pontes. Mais de 30 optaram pelo topo da Torre Eiffel, enquanto outros se contentam com grades em Londres.

ZAP / BBC

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