Esta sexta-feira os bilhetes para festivais e espetáculos estão mais baratos (em sinal de protesto)

flun1tr4z3p4m / Flickr

Em sinal de protesto pela reposição do IVA a 6%, os bilhetes para festivais de verão e centenas de espetáculos ao vivo vão estar mais baratos durante esta sexta-feira.

Os bilhetes para vários espetáculos em Portugal de música e teatro serão vendidos na sexta-feira com o IVA a 6%, e não os 13% estabelecidos por lei, numa iniciativa de protesto de artistas e agentes culturais.

“Esta sexta-feira, 13 de abril, artistas e agentes culturais unem-se numa iniciativa de carácter único, e disponibilizam uma longa lista de espetáculos com o preço final taxado ao consumidor com o IVA reposto a 6%. Esta ação não contará com qualquer apoio do Ministério da Cultura ou da Assembleia da República”, refere a Associação de Promotores, Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE), num comunicado divulgado na quinta-feira.

Entre os espetáculos de música abrangidos estão festivais como Paredes de Coura, que se realiza em agosto em Paredes de Coura, o NOS Alive, em julho em Oeiras, e o Primavera Sound, em junho no Porto.

Concertos como os dos Dead Combo, na Casa da Música, no Porto, de Mallu Magalhães, nos Coliseus de Lisboa e do Porto, de Lenny Kravitz, na Altice Arena, em Lisboa, ou de Rui Veloso, no Multiusos de Guimarães também ficam mais baratos.

Além disso, as peças de teatro “O Deus da Carnificina”, em cena no Teatro da Trindade, e o bailado “Lago dos Cisnes”, no Teatro Tivoli, ambos em Lisboa, estão também na extensa lista de espetáculos abrangidos.

No comunicado divulgado na quinta-feira, a APEFE anuncia que “apoia esta iniciativa que visa combater as más políticas levadas a cabo no setor da cultura ao longo dos últimos anos, entre as quais a inconstitucionalidade do IVA da Cultura, com a taxa intermédia de 13%”.

“O acesso à cultura é um direito constitucional, pelo que o Estado deve repor o IVA à taxa reduzida de 6%, tal como os restantes bens essenciais“, defende.

Na segunda-feira, a APEFE tinha lançado uma petição pública em defesa da descida do IVA sobre os espetáculos ao vivo, de 13% para 6%.

Na petição, endereçada à Assembleia da República, que pelas 17:30 de ontem tinha cerca de 3.400 assinaturas, a APEFE sustenta que “o IVA a 13% é inconstitucional”, porque “fomenta o encarecimento do preço fiscal dos bilhetes, limitando a procura dos cidadãos e consequentemente o exercício fundamental de cada pessoa ao direito à cultura”.

“Passaram-se quase quatro anos desde a saída da troika, o país está em franca recuperação, mas a reposição do IVA a 6% continua a ser uma medida adiada, ao contrário do que aconteceu em países na mesma situação que Portugal, como é o caso de Espanha, para citar um exemplo”, lê-se na petição.

Esta é uma das principais revindicações da associação, que foi formalizada em 2017, e que reúne algumas das maiores promotoras de espetáculos, como Everything is New, Música no Coração, Ritmos, UAU, Ritmos & Blues, Better World, Ao Sul do Mundo, Sons em Trânsito, Uguru e Regiconcerto.

De acordo com os dados mais recentes, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, em 2016, as famílias portuguesas gastaram, em média, 845 euros em atividades de lazer e cultura, o que corresponde a 4,2% das despesas totais efetuadas.

Quanto aos espetáculos ao vivo – que incluem concertos rock, fado, música clássica, teatro, ópera, dança, folclore ou circo -, em 2016 houve um aumento tanto no número de espectadores como na receita obtida.

No total, 14,8 milhões de espectadores assistiram a 32.182 sessões de espetáculos ao vivo, mas apenas 4,9 milhões pagaram bilhete. O preço médio por bilhete ficou mais caro, em 2016, passando de 15,4 euros para 17,4 euros.

A realização de espetáculos ao vivo gerou um total de 85 milhões de euros de receita, o que representou um aumento de 42,6% face a 2015, ano em que se registaram 59,6 milhões de euros.

O teatro continua a ser a atividade cultural com mais sessões por ano, embora tenha sido a música aquela que registou mais espectadores (7,3 milhões) e receitas de bilheteira (63,2 milhões de euros).

// Lusa

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

RESPONDER

Japão e Estados Unidos assinam acordo de cooperação para exploração da Lua

O Ministério da Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia do Japão e a agência espacial dos Estados Unidos (NASA) assinaram um acordo de colaboração entre os dois países no programa Artemis, para a exploração da …

Washington Redskins mudam de nome por ser considerado racista

A equipa de futebol americano, até aqui denominada de Washington Redskins, vai abandonar essa designação, considerada de teor racista, para designar nativos da América do Norte. Em comunicado, a equipa de Washington explicou que, depois de uma …

Flores precisaram de cerca de 50 milhões de anos para se tornarem o que são hoje

As plantas com flor evoluíram há cerca de 100 milhões de anos, mas precisaram de outros 50 milhões de anos para diversificar e tornarem-se aquilo que são hoje, sugere uma equipa de investigadores. Os cientistas documentaram …

Estudo sugere que imunidade à covid-19 pode desaparecer em poucos meses

A imunidade adquirida por anticorpos após a cura da covid-19 pode desaparecer em alguns meses, o que poderá complicar o desenvolvimento de uma vacina eficaz a longo prazo, sugere um estudo britânico divulgado esta segunda-feira. "Este …

60 anos depois, já se sabe o que aconteceu aos 9 russos que desapareceram na Montanha da Morte

Passados 61 anos, o mistério da morte de nove esquiadores russos que faziam uma caminhada pelos Montes Urais, perto da chamada Montanha da Morte, foi finalmente resolvido. Em 1959, nove viajantes russos que faziam uma caminhada …

Médicos Sem Fronteiras é "institucionalmente racista", acusam atuais e ex-colaboradores

Uma declaração assinada por mil atuais e ex-funcionários revela que a Organização Não Governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras (MSF) é "institucionalmente racista" e reforça o colonialismo e a supremacia branca no trabalho humanitário que pratica. Na …

Empresa culpada pela crise de opioides fez contribuições políticas após declarar falência

A Purdue Pharma, empresa culpada pela crise de opioides nos Estados Unidos, fez contribuições políticas após ter sido processada e declarado falência. Os opioides são usados para aliviar a dor, mas também provocam uma sensação exagerada …

Norte-americano morre após ir a festa para provar que a covid-19 é uma farsa

Um norte-americano de 30 anos, de San Antonio, no estado do Texas, morreu de covid-19 depois de ir a uma festa para provar que a doença era uma farsa, informou a media local. O homem foi …

Luso-canadiano quer criar 25 murais dedicados a Amália Rodrigues

Um português a residir no Canadá pretende criar uma “aldeia global virtual” das comunidades portuguesas espalhadas nos vários cantos do mundo, um projeto que envolve a colocação de 25 murais dedicados à fadista Amália Rodrigues. “O …

MP e BdP pedem manutenção de coima a Salgado no processo da compra de ações da ESFG

O Ministério Público e o Banco de Portugal pediram, esta segunda-feira, ao Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão, que mantenha a coima de 75 mil euros aplicada ao ex-presidente do BES no processo da compra …