Banco de Portugal estima queda do PIB entre 3,7% e 5,7% em 2020

O Banco de Portugal (BdP) estima que o Produto Interno Bruto português caia 3,7% num cenário base e 5,7% num cenário adverso, em 2020, devido à pandemia de covid-19, de acordo com o Boletim Económico hoje divulgado.

“No cenário base, estima-se uma redução de 3,7% do PIB real em 2020. Assume-se que o impacto económico da pandemia é relativamente limitado, o que decorre, em parte, da hipótese de que as medidas adotadas pelas autoridades económicas são bem-sucedidas na contenção dos danos sobre a economia”, pode ler-se no comunicado do BdP.

Já no cenário adverso, “assume-se que o impacto económico da pandemia é mais significativo devido à paralisação mais prolongada da atividade económica em vários países, conduzindo a maior destruição de capital e perda de emprego. Este cenário considera também uma maior incerteza e níveis de turbulência mais significativos nos mercados financeiros”, sendo a recessão de 5,7% do PIB.

No cenário base, o BdP vê a economia a crescer 0,7% em 2021 e 3,1% em 2022, mas no adverso a subida no crescimento é projetada nos 1,4% em 2021 e 3,4% em 2022.

De acordo com o BdP, “a economia portuguesa regista uma contração acentuada da atividade no segundo trimestre e recupera apenas gradualmente a partir do final do ano”, pode ler-se no cenário base descrito no documento do Banco de Portugal.

“Não obstante, este cenário pressupõe uma disrupção relativamente limitada nos mercados financeiros e um estímulo proporcionado por decisões de política monetária e orçamental”, adianta o BdP.

Os economistas do banco central estimam ainda que o consumo privado se reduza em 2,8% em 2020, depois de um aumento de 2,3% em 2019.

“Deverá verificar-se uma forte queda dos gastos em bens duradouros e uma redução do consumo corrente. A evolução do consumo reflete, por um lado, um aumento da poupança por motivos de precaução por parte das famílias num contexto de grande incerteza e, por outro, a ligeira queda do rendimento disponível real“, estima o BdP.

Já o consumo público, no cenário base, deverá aumentar 2,1% em 2020, “o que representa uma aceleração marcada face a 2019 (0,8%)”, e decorre “da hipótese de um aumento significativo da despesa em saúde suportada pelas administrações públicas, assumindo-se que parte da população afetada pela doença necessitará de acompanhamento médico e medicamentos adequados e, nos casos mais graves, internamento hospitalar”.

No cenário base, o investimento (formação bruta de capital fixo) cairá 10,8% em 2020, depois de um crescimento de 6,4% em 2019, uma mudança que tem “subjacente uma forte queda do investimento empresarial e, em menor magnitude, do investimento residencial”.

“As despesas de capital das empresas deverão ser fortemente condicionadas pela elevada incerteza relativa à magnitude e duração do surto e ao seu impacto sobre as perspetivas de procura interna e externa”, segundo o cenário base previsto no Boletim Económico do BdP, que prevê uma recuperação do investimento nos anos seguintes, crescendo 2,9% em 2021 e 7,9% em 2022.

O cenário base prevê ainda uma queda nas exportações de 12,9% este ano, bem como de 11,9% das importações.

“As exportações de serviços, em particular de turismo e transportes, são fortemente afetadas pelas limitações à movimentação de pessoas e deverão registar uma queda acentuada”, assinala o BdP.

Nos anos seguintes, segundo o cenário base, as exportações deverão crescer 4,2% e 5,5% em 2021 e 2022, respetivamente, e as importações recuperam “em torno de 6%”.

A inflação deverá “permanecer em níveis muito baixos” em 2020, no cenário base projetado pelo BdP, ficando nos 0,2%, depois de 0,3% em 2019.

“A incerteza em torno desta projeção é acentuada pela expectativa de variações significativas de preços relativos no curto prazo, antecipando-se que ocorram reduções de preços de alguns serviços, em particular ligados ao turismo e atividades recreativas, e subidas no caso de bens alimentares e outros produtos considerados essenciais”, explica o BdP.

Já no cenário adverso, o consumo privado diminui 4,8% em 2020, o investimento 15%, as exportações diminuem 19%, tal como as importações.

// Lusa

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