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Banco Central Europeu “ataca” a Bitcoin

Duncan Rawlinson / Flickr

Para “atacar” a popularidade e as vantagens trazidas pela criptomoeda mais popular da atualidade, o Banco Central Europeu (BCE) quer tornar as transferências imediatas e grátis.

O BCE está à procura de combater a ideia de que as bitcoins têm vantagens. Uma das que aparece em primeiro lugar é a prontidão com que são feitas as transferências da criptomoeda, ao contrário do que acontece com dinheiro que, em caso de ser transferido para bancos diferentes, pode demorar três dias.

Por isso, e já depois de a Bitcoin ter passado a fasquia dos 11 mil dólares, Frankfurt quer combater a popularidade das moedas, com Yves Mersch, membro da comissão executiva do banco central, a pedir aos bancos que se apressem em criar soluções.

“Os bancos necessitam de implementar os pagamentos instantâneos o mais rapidamente possível para dar uma narrativa alternativa ao debate público em curso sobre a alegada inovação trazida pelos esquemas de moedas virtuais”, disse, de acordo com o Diário de Notícias, o responsável do banco central, numa conferência em Roma.

O BCE tem incentivado a criação de um sistema que permita pagamentos e transferências bancárias instantâneas e praticamente grátis entre os países europeus. Essa solução já arrancou em oito países no passado mês de novembro. Em Portugal só deverá chegar no segundo trimestre de

Apesar de ainda não serem genericamente permitidas como meios de pagamento, o número de entidades a aceitar bitcoins tem aumentado. No eBay e na Tesla já foram feitos pagamentos com esta criptomoeda. E nas últimas semanas têm surgido notícias, não confirmadas, de que a Amazon também irá disponibilizar pagamentos em bitcoin.

Nos EUA e na Austrália já se compram e arrendam casas com esta divisa. E no Japão há companhias aéreas e empresas de retalho a aceitar a moeda virtual. As critpomoedas estão ainda a ser utilizadas para operações de financiamento de empresas, as ofertas iniciais de moedas, semelhantes a entradas em bolsa. Nos EUA, as autoridades deram luz verde a que se criassem instrumentos financeiros relacionados com a bitcoin.

Mas multiplicam-se os avisos. O vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, disse em setembro que a bitcoin não era uma moeda, mas um instrumento de especulação e comparou-a à bolha das tulipas.

O presidente do J.P. Morgan, um dos maiores bancos do mundo, foi ainda mais direto. “Quem for suficientemente estúpido para comprar acabará por pagar o preço”, disse Jamie Dimon, citado pela imprensa americana. Também Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia, defendeu que a bitcoin devia ser banida, porque não tem valor e é um foco de evasão fiscal.

Mas apesar das críticas, os bancos centrais tentam responder aos desafios impostos pelas moedas virtuais. Na Suécia e no Reino Unido, por exemplo, os bancos centrais têm em curso estudos para aferir se irão lançar as suas próprias moedas virtuais.

  ZAP //

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