Autárquicas. Com um vazio à direita, Chega deve piscar o olho a autarcas do PSD e CDS

Pedro Reis Martins / Lusa

André Ventura

Com os sociais-democratas cada vez mais ao centro e o CDS-PP em risco de desaparecer a curto prazo, nasce um vazio à direita do PSD. O Chega pode aproveitá-lo já nas próximas eleições autárquicas, piscando o olho a muitos autarcas do PSD e do CDS, que vão aproveitar para ganhar posições de destaque.

O cenário é traçado ao jornal Público pelos investigadores Marco Lisi e João Cancela, do IPRI da Universidade Nova, que defendem que as próximas eleições autárquicas vão ser a primeira prova para perceber o poder de atração do Chega.

Como alguns autarcas e figuras influentes do PSD e do CDS não devem conseguir lugar nas listas das autárquicas, é provável que se aproximem do partido de André Ventura, sustentam.

“O campo está completamente livre à direita do PSD, porque os sociais-democratas estão a colocar-se mais ao centro e o CDS ameaça desaparecer a curto prazo. Como o Chega não tem penetração no território nem candidatos para 300 eleições distintas – e só estou a olhar para as câmaras, e não para as juntas -, o fenómeno a que devemos assistir é muitos autarcas do CDS e do PSD a tentarem subir no carro do Chega para ganharem posições de destaque”, disse Marco Lisi em declarações ao diário.

“Há um interesse mútuo: o partido quer recrutar gente no território e há VIP locais que têm ambições; não tendo espaço no PSD e CDS, vão juntar-se ao Chega. Mesmo que sem bons resultados nas autárquicas, podem depois ser bons candidatos para as legislativas”, acrescentou o investigador.

Apesar disso, Lisi considera que, “do ponto de vista estrutural e organizativo, as autárquicas são difíceis para um partido de uma só cara“. Sem ligação ao PSD, o Chega arrisca-se a voltar a uma expressão eleitoral mais próxima das legislativas.

João Cancela não antevê nas autárquicas o sucesso das presidenciais devido ao fator “independentes“, que podem complicar a equação. “As autárquicas são quase 4000 eleições em simultâneo; dependem de quem se candidata, se há mudança de mandato”, explicou o politólogo.

Além disso, o padrão de participação também é diferente: “Vota-se mais nas zonas rurais do que nas urbanas – e Ventura teve percentualmente mais nas primeiras e numericamente mais nas segundas. A forma como essa tendência se refletirá no mapa eleitoral autárquico é uma incógnita“.

O investigador adverte que “não se pode fazer uma transposição de resultados das presidenciais para autárquicas e legislativas”. Se, por um lado, há potencial de recetividade do eleitorado para Ventura como as presidenciais mostraram, também pode haver quem “não queira correr o risco de ficar ligado ao estigma do Chega”.

ZAP //

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