Arqueólogos têm demasiado medo de abrir o túmulo do primeiro imperador da China

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xiquinhosilva / Flickr

Exército de Terracota

A China descobriu o túmulo do primeiro imperador chinês há quase meio século, mas ainda não o abriu. Porquê?

No dia 29 de março de 1974, um grupo de camponeses chineses estava a trabalhar na escavação de um poço quando se deparou com algum curioso. A cerca de 15 metros de profundidade, um homem encontrou uma cabeça em terracota.

Depois de as autoridades terem sido informadas, os arqueólogos perceberam que se tratava de uma descoberta extraordinária.

Não era apenas uma figura de terracota — eram milhares delas. Um verdadeiro exército, com soldados, cavalos, carruagens e outros objetos, datados do século III a.C., com o objetivo de proteger o túmulo daquele que se confirmou ser o primeiro imperador chinês, Qin Shi Huang.

O seu túmulo é um importante sítio arqueológico e tem sido objeto de muito interesse e especulação desde então. No entanto, apesar do desejo de explorar e estudar o mausoléu, os arqueólogos e outros peritos têm-se mostrado reticentes em abri-lo.

Porquê? Uma das principais preocupações são os potenciais danos que poderiam ser causados aos artefactos e estruturas dentro do túmulo. Acredita-se que ele esteja repleto de tesouros valiosos, pelo que os especialistas têm medo de destruir os artefactos de valor incalculável.

Além disso, acredita-se que o túmulo tenha mais de 2 mil anos, pelo que será arriscado entrar sem os devidos cuidados e planeamento.

Outra preocupação, segundo a IFLScience, é a possibilidade de ter armadilhas ou outros perigos orquestrados para proteger os restos mortais e tesouros do imperador. Os antigos chineses eram conhecidos pelas suas avançadas técnicas de engenharia e construção, pelo que se acredita que o túmulo de Qin Shi Huang esteja cheio de armadilhas para responder a possíveis saqueadores.

Abrir o túmulo também pode levar à destruição de informações históricas valiosas. Muitos dos artefactos e estruturas dentro do mausoléu podem conter pistas importantes sobre a cultura e a história chinesa. Destruí-los ou danificá-los pode significar a perda dessas informações para sempre.

Assim sendo a ideia será usar tecnologias avançadas, como técnicas de imagem não invasivas, para estudar o local sem perturbá-lo.

China com panos quentes

Usar técnicas de imagem não invasivas parece uma ideia sensata. Então porque é que ainda não o fizeram?

Um dos motivos é que o túmulo está localizado numa área remota e de difícil acesso, o que dificulta qualquer tipo de investigação no local.

A tecnologia e o equipamento necessários podem ser caros, e o financiamento para pesquisa e exploração do túmulo é atualmente bastante limitado. O governo chinês impôs regras rígidas para a exploração do túmulo, de forma a protegê-lo de ladrões e eventuais danos.

Isto significa que a permissão para imagens não invasivas ou qualquer outro tipo de investigação no túmulo deve ser concedida pelo governo, o que pode ser um processo moroso.

  Daniel Costa, ZAP //

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