Apple gravou conversas de clientes. Agora, pede desculpa por não ter respeitado a sua privacidade

No dia em que foi revelado que a Apple despediu 300 funcionários, pagos para ouvir e transcrever conversas de utilizadores com da sua assistente digital, a Siri, a empresa emitiu um comunicado a pedir desculpa por não ter respeitado a privacidade dos seus clientes.

“Não vivemos de acordo com os nossos ideais”, pode ser lido no comunicado. Os funcionários despedidos – um caso exposto pelo Guardian – dizem que não foram protegidos pela Apple e que a empresa não deixava que a situação melhorasse, noticiou na quarta-feira a Rádio Observador.

A Apple já tinha prometido parar o programa criado para “melhoria” da Siri, pelos riscos de privacidade noticiados pelo mesmo jornal, mas agora vai mais longe, afirmando que já não vai guardar – “por defeito” – as gravações de conversas dos seus clientes com a assistentes digital da empresa.

Além disso, a empresa avançou que os utilizadores que participarem no programa de melhoria do sistema só vão ser ouvidos por funcionários diretos da Apple e não trabalhadores contratados a empresas terceiras.

A assistente digital da Apple, a Siri, ouve o utilizador e responde a perguntas ou obedece a comandos. Para isso, a empresa usa gravações que recolhe para melhorar o sistema. O problema é que recorria a serviços externos e contratava outras pessoas para ouvirem as gravações – que não deviam ter sido obtidas.

Depois de ter sido notícia, a empresa disse que, até resolver o problema, ia encerrar o programa. Outras empresas, como a Google ou o Facebook, têm feito o mesmo, com a justificação de que estão a melhorar os seus serviços.

Centenas de funcionários despedidos

Inicialmente, os trabalhadores tinham sido afastados com a justificação de que estariam a existir “erros técnicos”. Estes chegavam a ouvir mais de mil gravações por dia que, muitas vezes, incluíam gravações de conversas privadas obtidas indevidamente.

Ao Guardian, um dos antigos funcionários contratado por uma destas empresas externa afirmou estar “aliviado” por o programa ter acabado, devido às questões éticas inerentes a ouvir conversas particulares. Contudo, a mesma pessoa relembrou: “Acabei de perder o meu emprego”.

Alegadamente, os trabalhadores falavam nos escritórios do incómodo ético que este emprego levantava, mas dizem que a Apple não tinha nenhum mecanismo para poderem reclamar. A mesma “contrata através de empresas externos e isso faz com que se isente da responsabilidade de como estes terceiros operam e tratam os trabalhadores”, contou ainda um dos antigos funcionários.

A mesma fonte reclamou que, mais uma vez, como a notícia foi “um escândalo”, a Apple despediu indiretamente os funcionários e “sem nenhum tipo de proteção”, no que pode ser encarado como uma represália por a história ter sido revelada.

Taísa Pagno TP, ZAP //

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