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“Fui sujeito a pressões, intimidações e ameaças”. António Oliveira desiste de candidatura à Câmara de Gaia

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António Oliveira

Esta sexta-feira, numa reunião de emergência, António Oliveira, candidato à Câmara de Vila Nova de Gaia, anunciou ao líder do PSD, Rui Rio, a sua desistência da corrida eleitoral.

António Oliveira tinha sido a escolha de Rui Rio para a Câmara de Gaia, mas o antigo futebolista decidiu desistir da candidatura esta sexta-feira. Segundo o Expresso, a renúncia foi anunciada ao líder do PSD esta tarde, durante uma reunião na Distrital do Porto.

Cancela de Moura, líder do partido a nível local e candidato derrotado em 2017 com 20,30%, alimentou sempre a ambição de voltar a votos nas autárquicas deste ano. Chegou a ser apontado como possível candidato, mas o mau resultado das últimas eleições terá ditado outra escolha.

Fonte próxima do PSD/Gaia revelou ao semanário que a relação entre os dois “foi sempre tensa“, face à “permanente interferência” do líder concelhio e deputado, quer na escolha dos candidatos às juntas de freguesia, quer para a lista à Câmara.

O Expresso escreve que Cancela Moura terá feito pressão para ser o número 2 de António Oliveira ou, em alternativa, líder do partido à Assembleia Municipal, lugar para o qual o agora ex-candidato convidou António Montalvão Machado, antigo líder do Grupo Parlamentar do PSD e atual vice-coordenador do CEN para a área da Justiça.

António Oliveira queixou-se várias vezes de que não estava a ser envolvido no processo pelo PSD de Gaia. O clima de conflitualidade que se instalou entre Oliveira e Cancela Moura por causa do processo eleitoral autárquico no concelho chegou a obrigar a direção nacional do PSD a intervir.

“Hoje, com vergonha do que vi, com uma imensa dor de alma pelo que senti, tenho que dizer que: não quero, não posso e não aceito continuar a encabeçar esta candidatura. Isto não é uma desistência. Isto é uma questão de higiene. Uma recusa de pôr os interesses de uns personagens à frente dos interesses dos 300.000 gaienses e pessoas que escolheram este grande concelho para fazer a sua vida”, justifica numa carta aberta a que a Lusa teve acesso.

Em declarações à Lusa, o PSD, através do seu gabinete de imprensa, admitia ao final da tarde que António Oliveira tinha reunido com o presidente do PSD a quem indicou haver “dificuldades de relacionamento” com concelhia liderada por Cancela Moura.

Contactada novamente pela Lusa após a divulgação da carta aberta de António Oliveira, o gabinete de imprensa, reiterou as declarações que já havia feito.

Na missiva, o ex-selecionador nacional de futebol tece duras críticas à concelhia liderada por Cancela Moura, assumindo que nunca pensou que a política e os partidos, “quando se deixam apropriar por alguns, ainda que localmente, pudessem descer a um nível tão baixo e tão miserável”.

“Mas, aqui, em Gaia, no meu partido de sempre, é o que se passa”, observou, assegurando que ao longo destes três meses, desde que foi convidado pessoalmente pelo presidente do PSD para ser candidato à Câmara de Gaia, nunca vacilou, negociou ou tremeu.

Dizendo-se honrado com o convite, o ex-selecionador nacional recusa, contudo, “nomear responsáveis, culpados ou traidores”, salientando que “infelizmente são os mesmos que já vem a prejudicar o partido há anos demais”

Deixa, no entanto, uma palavra a Rui Rio, que considera, não ter culpa do que se passou.

“O Dr. Rui Rio não tem culpa do que se passou. Terá sido, como eu fui, uma vítima do aparelho. Terá sido, como eu fui, traído por uma máquina que tudo faz por lugares, cargos e salamaleques”, lê-se na carta aberta a que a Lusa teve acesso.

António Oliveira diz acreditar que teria sido possível apresentar um “excelente projeto para Vila Nova de Gaia, oferecer uma alternativa de Governo aos cidadãos e levar a cabo uma campanha vencedora”.

“Ao longo de três meses fui sujeito a pressões, intimidações e ameaças. Tentaram impor-me o pior da “mercearia partidária” e tentaram envolver-me nas mais inacreditáveis negociatas de lugares. Enfim, quiseram obrigar-me a empregar os beneficiários do rendimento mínimo da política”, acrescentou Oliveira.

De acordo com o Expresso, a escolha do maior acionista privado da SAD do FC Porto foi uma das maiores surpresas das listas do PSD. Quando anunciou o nome de António Oliveira, Rio disse que tinha o “perfil adequado”, dado “já não ter nada a ver com o futebol há 15 anos”.

Agora, António Oliveira bate com a porta.

  ZAP // Lusa

5 Comments

  1. “Agora, António Oliveira bate com a porta”. Por causa do futebol, é óbvio.E não digo mais nada, tudo normal no circo portucalense…

  2. Por lá a máfia da política ainda é pior do que a máfia da bola?!
    A região do Porto precisa mesmo de uma limpeza!…

  3. Não tenho dificuldade em aceitar os argumentos do Oliveira. Acredito que a realidade nos nossos partidos é mesmo essa. Apenas uma dívida: Oliveira não sabia ao que vinha? Não conhecia a concelhia e o partido pelo qual aceitou concorrer?

  4. “o ex-selecionador nacional de futebol tece duras críticas à concelhia liderada por Cancela Moura, assumindo que nunca pensou que a política e os partidos, “quando se deixam apropriar por alguns, ainda que localmente, pudessem descer a um nível tão baixo e tão miserável”.” Não?! Não tiveste um “estágio” nessa matéria, na Olivedesportos (e no FCP)?

    “O Dr. Rui Rio não tem culpa do que se passou. Terá sido, como eu fui, uma vítima do aparelho. Terá sido, como eu fui, traído por uma máquina que tudo faz por lugares, cargos e salamaleques” Um autêntico atestado de incompetência atribuido ao Rui Rio. Boa, Oliveira!

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