Antepassado comum dos chineses e franceses descoberto na Sibéria

DR J. Augusta, Z. Burian / Siberian Times

O homem descoberto na Sibéria tinha tanto traços de europeu, como de asiático: pele morena, cabelo escuro e olhos azuis

O homem descoberto na Sibéria tinha tanto traços de europeu, como de asiático: pele morena, cabelo escuro e olhos azuis

Os chineses e os franceses tinham um antepassado comum. Os cientistas chegaram a essa inesperada conclusão depois de sequenciarem o genoma de um homem antigo, cujo fóssil foi encontrado na margem do rio siberiano Irtysh

O fóssil encontrado tem nada menos que 45 mil anos – nunca, em lugar algum, foram encontrados tão antigos parentes de seres humanos.  Tudo o que sobrou deste antepassado foi o fémur.

Segundo o Siberian Times, o fóssil, de 33 cm, foi encontrado em 2008 por Nikolay Peristov, um historiador de Omsk.

O fragmento foi encontrado perto da aldeia de Ust-Ishim, e surpreende não apenas pela sua antiguidade, como pelo bom estado de conservação do DNA, o que é extremamente raro, explicou  Yaroslav Kuzmin, investigador do Instituto de Geologia e Mineralogia de Sobolev, à RVR.

De acordo com o cientista, o DNA permite determinar quais, entre as populações actuais, são descendentes do homem que foi encontrado.

“Este tipo de achados são extremamente raros, e só eles podem responder à questão de onde, para onde e quando se deslocaram os seres humanos”, diz Kuzmin.

“É frequente os arqueólogos tentarem substituir dados antropológicos por dados sobre ferramentas de pedra que restaram dos homens antigos”, diz o investigador.

“Mas nesses casos nem sempre se percebe a que espécie humana pertenciam essas ferramentas”, explica, “se se tratava de um homem de Neandertal, um homem moderno ou um homem de Denisova”.

“Nós obtivemos dados directos, muito interessantes, que transformaram bastante o panorama conhecido das migrações do homem”, acrescenta Kuzmin.

DR Siberian Times

Nikolay Peristov, o historiador que encontrou o fóssil de Ust-Ishim

Nikolay Peristov, o historiador que encontrou o fóssil de Ust-Ishim

Reescrever a história

Até agora considerava-se que o homem antigo tinha saído de África e se tinha deslocado ao longo da costa do mar da Arábia, atravessando o território da actual Índia e do Sudeste Asiático, em direção à Austrália.

Mais tarde, o homem ancestral ter-se-ia deslocado para norte, para a Sibéria, para a moderna China, Japão, Coreia e Europa.

Há apenas dois esqueletos de hominídeos, com cerca de 30 mil anos, provenientes de cavernas do Laos e da ilha de Bornéu, mas dos quais não se conseguiu sequenciar o DNA.

Existe apenas um fóssil de um antepassado do homem moderno com DNA, descoberto na caverna de Tianyuan, perto de Pequim. Tem cerca de 39 mil anos.

Este hominídeo estava geneticamente ligado aos antepassados de muitas populações modernas da Ásia e aos nativos americanos, mas é divergente dos antepassados dos europeus actuais.

O novo achado siberiano, 6 mil anos mais antigo, permitiu aos cientistas fazer uma descoberta: os asiáticos e os europeus têm raízes comuns.

A análise do cromossoma Y permitiu determinar que o homem de Ust-Ishim era antepassado dos actuais papuas, chineses e franceses.

“O homem de Ust-Ishim não era nem asiático, nem europeu. Ele era eurasiático“, diz Kuzmin.

“Isto é importante, porque indica claramente que o homem antigo se teria deslocado do Levante em primeiro lugar para norte e para oriente”, conclui.

O homem descoberto na Sibéria tinha tanto traços de europeu, como de asiático: pele morena, cabelo escuro e olhos azuis.

A descoberta de que há 45 mil anos o homem habitar a 58 graus de latitude norte é sensacional.

Ninguém supunha até agora que o Homo sapiens pudesse ter-se deslocado tanto para norte, há tanto tempo.

Graças ao achado siberiano, os cientistas conseguiram olhar para um passado tão distante da humanidade, que há apenas um ano seria inimaginável.

DR Sergey Melnikov, Yaroslav Kuzmin / Siberian Times

O fóssil, de 33 cm, foi encontrado em 2008 perto da aldeia de Ust-Ishim, e surpreende pelo bom estado de conservação do seu DNA

O fóssil, de 33 cm, foi encontrado em 2008 perto da aldeia de Ust-Ishim, e surpreende pelo bom estado de conservação do seu DNA

ZAP / RVR

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