Aluna que publicou vídeo de lagarta em refeição escolar alvo de processo disciplinar

A aluna de uma escola de Braga que partilhou o vídeo de uma lagarta no prato de refeição servido na cantina está a ser alvo de um processo disciplinar, denunciou hoje a Associação de Pais da instituição.

Em declarações à Lusa, a presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica 2/3 André Soares, Dulce Campos, explicou que a mãe da estudante em causa foi chamada à escola para lhe ser comunicado que a filha seria alvo de um processo disciplinar, por ter partilhado um vídeo filmado no estabelecimento de ensino, o que será proibido pelo regulamento interno da instituição.

A Lusa tentou entrar em contacto com a direção da escola mas até ao momento não foi possível.

“A encarregada de educação da aluna que partilhou o vídeo na página pessoal do Facebook foi chamada à escola para a informarem que está a ser instaurado um processo disciplinar. Os contornos ainda não sabemos”, adiantou Dulce Campos.

A responsável disse esperar “que o desfecho seja positivo”, lembrando que está em causa “uma situação verdadeira, que toda a gente assumiu“, incluindo a direção da escola e a empresa que confeciona as refeições servidas na cantina.

“É verdade que o regulamento proíbe a divulgação, mas está em causa um bem maior. As denúncias e queixas sobre a qualidade das refeições têm sido muitas desde o início do ano, o que não é compreensível”, disse.

Na terça-feira começou a circular um vídeo na rede social Facebook que mostrava uma lagarta viva no prato de uma refeição servida na cantina da André Soares, uma situação que a direção da escola classificou como “reflexo” da “falta de funcionários” na empresa que ali serve refeições.

Num esclarecimento dirigido à Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola André Soares, publicado na página de Facebook daquela associação, a diretora da escola, Maria da Graça Moura, explicou que a falta de funcionários no serviço de refeições já foi denunciada e considerou que a empresa contratada pelo Ministério da Educação para servir as refeições escolares, a UNISELF, “deve rever os seus procedimentos”.

A situação da alface mal lavada é o reflexo da falta de funcionários que a empresa tem ao serviço do refeitório. Foi feita a devida chamada de atenção, o cuidado que se deve ter com a higiene dos alimentos”, aponta a diretora da escola no referido esclarecimento.

Segundo Maria da Graça Moura, “a empresa responsável, UNISELF, contratada pelo Ministério da Educação, deve rever os procedimentos no que respeita ao serviço de refeições – principalmente, deve colocar ao serviço o número de funcionários contratualizado, o que não acontece a maior parte dos dias”.

A direção da escola André Soares garantia ainda que iria continuar a “denunciar” a falta de funcionários que a empresa coloca na escola à hora das refeições.

“Esperamos que nunca mais se repita esta situação. É uma situação que nos entristece, pois é o nome André Soares que está em causa”, referiu a diretora da escola.

  // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Alvo de um processo disciplinar? – A aluna merece é o reconhecimento público, afirmado pela boca do ministro da educação, pela coragem que teve de denunciar publicamente, com provas irrefutáveis, uma situação susceptível de por em causa a saúde e a segurança alimentar de jovens indefesos. Aliás se, naquela escola, se enxergasse um bocadinho mais longe dever-se-ia saber já, por esta altura do “campeonato”, que naquelas situações em que estão em causa a saúde pública, a segurança das pessoas, o bem comum e a ordem pública, todos os regulamentos internos se suspendem automaticamente, passando a ser as autoridades nacionais quem superintende. Mas ainda que assim não fosse, existe uma lei fundamental chamada Constituição da República que outorga a todos os cidadãos o direito inalienável de petição e reclamação, que é um direito que não está sujeito a qualquer tutela, conhecimento prévio ou autorização para ser exercido. Ora o que a aluna fez não foi mais do que peticionar e reclamar publicamente com imagens o direito a uma refeição limpa, qualitativamente fiável e quantitativamente adequada, tanto mais que a situação de porcaria na comida já se vinha repetindo sem que medidas saneadoras do problema fossem tomadas. Chamavam a atenção da empresa de catering e “prontos”. Sabemos como interesses mesquinhos da mais diversa ordem se entrelaçam e como os prejudicados são os que não podem ou não sabem reivindicar e fazer prevalecer os seus legítimos direitos. Os pais, no caso do processo disciplinar ir para a frente, deveriam alertar o Ministério Público por perseguição e retaliação ao exercício de legítimos direitos da filha.

    • O texto é de quem anda habituado à barra e sabe muito bem do que fala. É esclarecedor e por isso a todos ajuda. Não é todos os dias que se lê disto. Só diria que, para além da queixa ao Ministério Público, quem merecia um processo disciplinar pela IGEC (inspecção geral da educação e ciência) era a “diretorinha” primeiro porque, à primeira vista, parece querer ser justiceira á margem do Conselho Geral, a quem compete fiscalizar as suas actividades e decisões, depois porque é manifestamente injusta num caso justíssimo de denúncia contra atentado flagrante à saúde pública que, por si só e de facto, suspende qualquer regulamento interno. Tratou-se de uma lagarta mas se fosse excremento humano ou de outro animal e se fosse o “projecto de directora” a detectá-lo no prato? Seria bom que as autoridades vissem este caso de perto, até para servir de jurisprudência em acréscimo à já existente. E que demitissem quem deve ser imediatamente demitida.

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