Alguns exoplanetas podem ter demasiada água para hospedar vida

M. Kornmesser / European Southern Observatory

Conceito artístico do planeta Próxima b em órbita da sua estrela, Próxima Centauri

Conceito artístico do planeta Próxima b em órbita da sua estrela, Próxima Centauri

Um grupo de astrofísicos da Universidade de Berna, na Suíça, descobriu que os planetas que orbitam estrelas anãs vermelhas podem ter elevadas quantidades de água, o que pode torná-los inabitáveis.

Os cientistas realizaram simulações da evolução de planetas, incluindo o exoplaneta Proxima b – que orbita a zona habitável da estrela anã vermelha Proxima de Centauro.

“Os modelos estudados são semelhantes em termos de massa aos que foram observados recentemente”, disse Yann Alibert, do Centro de Espaço e Habitabilidade da Universidade de Berna.

Alibert destacou que os exoplanetas como o Proxima b são, normalmente, muito pequenos e possuem grandes quantidades de água.

Segundo os especialistas, em 90% dos planetas estudados, a massa total consistiu em mais de 10% de água. Considerando que a Terra tem apenas 0,02% de água, a diferença é substancial.

À primeira vista, a existência de água em planetas que orbitam anãs vermelhas pode parecer uma oportunidade incrível para a evolução de vida, mas uma enorme oferta de água pode não ser necessariamente algo positivo.

“Enquanto a água líquida é geralmente vista como um ingrediente essencial, uma grande quantidade de uma coisa boa pode ser mau”, disse Willy Benz, coautor do estudo publicado no jornal Astronomy and Astrophysics.

De acordo com os cientistas, estudos anteriores revelaram que os planetas dominados por água parecem ter climas instáveis que funcionam contra a evolução da vida, destruindo o seu potencial.

Incluindo o facto de os exoplanetas estarem demasiado perto da sua estrela anã e serem constantemente atingidos com grandes doses de radiação, os investigadores afirmam que a única vida possível nesses mundos teria de existir a grande profundidade.

“Sejam habitáveis ​​ou não, o estudo dos planetas que orbitam estrelas com pouca massa provavelmente irá melhorar o nosso conhecimento sobre a formação de planetas, evolução e potencial de habitabilidade”, disse Benz.

As anãs-vermelhas são o tipo de estrelas mais comum da nossa galáxia e, na maioria, são orbitadas por mundos potencialmente habitáveis.

Portanto, ainda há uma grande possibilidade de existir algum exoplaneta que possua a quantidade certa de água para hospedar vida – mas, para já, só podemos especular.

BZR, ZAP / Hypescience

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