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Afinal, os misteriosos reflexos no polo sul de Marte não são lagos

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ESA / DLR / FU Berlin / Bill Dunford

A descoberta de lagos nas profundezas abaixo da calota de gelo no polo sul de Marte foi feita utilizando um instrumento de radar a bordo do orbital Mars Express da Agência Espacial Europeia (ESA). Mas, afinal, é argila.

Recentemente, uma equipa de cientistas mediu as propriedades elétricas da região e, com base nos dados, concluiu que os reflexos do polo sul do Planeta Vermelho podem ser esmectitas, uma forma de argila hidratada, enterrada a cerca de uma milha abaixo da superfície.

“A presença de água líquida requer quantidades implausíveis de calor e sal”, justificaram os investigadores, citados pelo Tech Explorist.

A interpretação de que os reflexos são vestígios água líquida abaixo do gelo “é inconsistente com outras observações que implicam que o gelo não é suficientemente quente para derreter, dado o que sabemos sobre as condições em Marte”, explicou o investigador Dan Lalich.

A uma milha do subsolo polar sul de Marte, não se espera um reflexo tão brilhante. “Estávamos a obter reflexos de radar muito mais brilhantes do que a superfície. E isso é estranho. Não é algo que já tivéssemos visto antes, e não é algo que esperássemos”, comentou o cientista.

Para desvendar o enigma, os cientistas usaram uma propriedade física de diagnóstico no radar de penetração no solo, chamada permissividade dielétrica, que mede a capacidade de armazenar energia elétrica. Depois, utilizando a força de reflexão, conseguiram estimar a diferença de permissividade entre o gelo e a base da calota polar.

Posteriormente, compararam as estimativas com as medições laboratoriais de esmectita.

“As esmectitas são muito abundantes em Marte, cobrem cerca de metade do planeta, especialmente no hemisfério sul. Esse conhecimento, juntamente com as propriedades de radar das esmectitas a temperaturas criogénicas, aponta para que sejam a explicação mais provável para o enigma”, concluiu o investigador Isaac B. Smith.

O artigo científico com as novas descobertas foi publicado em julho na Geophysical Research Letters.

  Liliana Malainho, ZAP //

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