Administração Trump recusa-se a divulgar documentos do 11 de setembro às famílias das vítimas

A administração de Donald Trump recusa-se a divulgar documentos relacionados aos ataques terroristas de 11 de setembro, impedindo assim que as famílias das vítimas obtenham evidências que possam usar no seu processo civil contra a Arábia Saudita.

Segundo noticiou o Independent, a semana passada, o procurador-geral dos Estados Unidos (EUA) William Barr e o diretor de inteligência Richard Grenell invocaram alegações sem precedentes para que os documentos permaneçam em segredo de Estado, de forma a “proteger os interesses de segurança nacional” do Governo, apesar de Donald Trump ter afirmado que ajudaria as famílias no caso.

Os responsáveis terão indicado que expor a relação saudita aos ataques pode causar “danos excecionalmente graves” à segurança nacional, embora o conteúdo desses documentos permaneça um mistério.

Richard Grenell indicou que os documentos contêm “informações de segurança nacional altamente sensíveis e classificadas sobre governos estrangeiros, atividades de inteligência, fontes e métodos e informações sobre relações e atividades estrangeiras nos Estados Unidos, incluindo fontes confidenciais, que devem ser protegidas, porque a sua divulgação pode causar sérios danos” aos EUA.

Já William Barr disse ao tribunal que até a discussão pública e a justificativa para o sigilo dos documentos devem ser mantidas em segredo, argumentando que uma discussão “revelaria informações que poderiam causar os mesmos danos que minha afirmação do privilégio de segredos de Estado se destina a impedir”.

As famílias entraram com a ação em 2017 para determinar as relações entre 19 sequestradores – 15 dos quais eram da Arábia Saudita – e autoridades sauditas à Al-Qaeda.

Embora as ligações entre alguns desses indivíduos sejam conhecidas há anos, devido à divulgação de alguns documentos compartilhados num relatório da Comissão do 11 de Setembro, de 2004, as famílias procuram por documentos adicionais que as autoridades da Casa Branca querem manter em segredo.

De acordo com o ProPublica, após uma reunião da Casa Branca em 2019 com as famílias das vítimas, Trump prometeu conceder às famílias acesso aos documentos. Após essa reunião, funcionários do Departamento de Justiça concordaram em divulgar o nome de um funcionário saudita vinculado ao caso por meio de documentos do FBI que foram parcialmente desclassificados.

Mas o processo só podia ser lido pelos advogados dos requerentes. A 12 de setembro, o procurador-geral insistiu nos riscos de exposição dos documentos, que poderiam causar “danos significativos à segurança nacional”.

A semana passada, o procurador-geral argumentou que os “segredos de Estado” podem conter informações sobre uma nvestigação de segurança nacional, resultados ou fontes de uma investigação e “informações recebidas de um governo estrangeiro” durante o curso de uma investigação.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Estou desejoso que tudo seja elétrico para pôr um fim à dependência do petróleo que dá este poder aos sauditas e outros sacanas! Pastores endinheirados que mandam no mundo.

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