Abdullah Qardash, apontado como líder do Estado Islâmico, pode estar morto

Abdullah Qardash, o homem que está a ser apontado como o sucessor de Abu Bakr al-Baghdadi na liderança do autoproclamado Estado Islâmico (EI), segundo têm avançado alguns órgãos de comunicação social internacionais – citando a Amaq (agência noticiosa ligada ao grupo terrorista) -, pode estar morto.

Oficial do exército iraquiano de Saddam Husein e membro da Al-Qaeda, Abdullah Qardash foi um dos braços direitos de Abu Bakr al-Baghdadi. Conheceu o antigo líder do EI quando ambos estiveram na prisão iraquiana de CampBucca, tendo depois trabalhado juntos, noticiou o Observador esta terça-feira.

Conhecido como “O Professor” ou “O Destruidor”, asseguraria o dia-a-dia do grupo extremista e teria mais poder de facto do que Abu Bakr al-Baghdadi. Há mesmo um manifesto do Amaq, citado pela Al Jazeera, que avançava com o seu nome para substituir o líder caso este morresse, o que veio a acontecer no sábado, dia 26 de outubro.

Contudo, de acordo com os serviços secretos iraquianos, Abdullah Qardash estará morto desde 2017, avançou a Al Jazeera, referindo um depoimento da filha do extremista, que está presa no Iraque. Analistas ouvidos pela televisão árabe afirmaram que grande parte da liderança da organização foi já derrotada, tornando por isso impossível não só prever o que resta do núcleo inicial, mas também quem e como será a próxima liderança do EI.

Por outro lado, Abdullah Qardash nunca poderia ser elegível para califa pois não pertence à tribo certa – a Quraysh, da qual descende o profeta Maomé -, argumentaram os especialistas em assuntos relacionados com o EI, Hisham Al-Hashemi e Aymenn Jawad Tamimi, em declarações à Al Jazeera.

Esta apontou também para outros dois potenciais sucessores, Abu Othman al-Tunsi, tunisino líder do conselho legislativo do EI, e Abu Saleh al-Juzrawi, também conhecido como Hajj Abdullah, um saudita que gere um corpo executivo da mesma organização.

Um outro possível líder para o EI foi também morto no sábado, na Síria, de acordo com o Independent. Tratava-se de Abu Hassan al-Muhajir, um porta-voz da organização, e morreu poucas horas depois de Abu Bakr al-Baghdadi, num ataque liderado pelos Estados Unidos e pelas forças democratas sírias.

Os especialistas salientaram ainda que o líder do EI é uma figura meramente simbólica, tal como foi a morte de Abu Bakr al-Baghdadi, já que “os diferentes grupos que existiam e continuam a existir depois do colapso físico do califado continuarão a lutar na Síria e no Iraque, mas também no Afeganistão, na África Subsaariana e noutros lugares”.

“Esta organização tornou-se algo como um califado virtual; um ‘franchise’ em que outros grupos podem comprar a entrada e vender mundo fora”, disse Andreas Krieg, professor universitário de estudos de defesa citado também pela estação árabe.

Ainda assim, a sucessão deve estar para breve, uma vez que existe um padrão estabelecido pela al-Qaeda e outras organizações radicais: nomeiam quase imediatamente um sucessor quando o líder morre, concluiu o Observador.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Fantástico, as crias da cia todos os dias morrem fazem-lhes o funeral no mar e depois ressuscitam quase constantemente. O ocidente tem criatividade.

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