Greve: 8 mil reuniões canceladas e 36 mil alunos sem notas. Acesso ao superior pode sofrer atrasos

Marcos Santos / USP Imagens

O braço-de-ferro entre professores e Governo continua e parece não abrandar. A greve, em marcha desde o início do mês, afetou cerca de 8 mil reuniões de conselho de turma. Um quarto dos alunos fez exame nacional sem saber as notas internas atribuídas.

De acordo com dados do Diário de Notícias baseados em balanços dos Sindicatos, foram adiados 7997 conselhos de turma em três dias e meio, afetando 160 mil alunos.

A greve às avaliações, convocada pela generalidade dos sindicatos dos professores, obrigou as escolas a cancelarem cerca de 8 mil reuniões, entre segunda-feira e o meio dia desta quinta-feira. Estimando uma média de 20 alunos por cada turma, o jornal avançou que quase 160 mil estudantes tenham sido afetados.

De acordo com estes dados, só na segunda-feira, foram canceladas 1980 reuniões, sendo a Zona Norte a mais afetada com 799 cancelamentos. Seguiu-se a zona Centro (600) e da Grande Lisboa (391).

No dia seguinte, o impacto foi superior, contabilizando 2674 reuniões por realizar. A Grande Lisboa foi a que contou mais cancelamentos (996), seguindo-se a Região Centro (668) e o Norte (521). Na quarta-feira, a tendência manteve-se com 2082 conselhos de turma cancelados.

Já na Madeira, os sindicatos desconvocaram a paralisação, por terem sido chamados pelo governo regional para negociar a reposição do tempo de serviço. Em sentido oposto, nos Açores, a greve está em marcha. Segundo o DN, não existem dados para segunda-feira mas, nos restantes dias, foram contabilizadas mais de 200 reuniões adiadas.

Também na zona Sul do país, que engloba o Alentejo e o Algarve, foram adiadas mais de 800 reuniões até ao meio dia de ontem.

Segundo os Sindicatos, foram adiadas em média mais de 95% das reuniões. Questionado por escrito pelo Diário de Notícias, o Ministério da Educação não avançou, até ao momento, com números próprios.

Um quarto dos alunos foi a exame sem avaliação interna

Também o Público avançou nesta sexta-feira mais dados sobre a paralisação dos professores. Segundo o jornal, entre os 160 mil alunos que vão a exame, 36.700 ainda não sabem quais serão as notas atribuídas pelos professores.

A estimativa, realizada segundo dados enviados ao jornal pelo Ministério, mostra que 23% dos alunos que fizeram ou ainda vão fazer exames não têm notas atribuídas.

O Ministério da Educação permitiu que todos os alunos realizassem os exames de forma condicional, ficando depois dependentes das avaliações internas que serão posteriormente atribuídas.

Para os alunos que tenham ido a exame e acabarem por ter uma avaliação interna negativa, contará apenas a classificação do exame, tanto para efeitos de conclusão da disciplina em causa, como para efeitos de candidatura ao ensino superior, confirmou ontem o Ministério da Educação ao jornal Público.

João Costa explicou que, tal como aconteceu em 2013, serão aplicadas as mesmas regras dos alunos auto-propostos. Este alunos que, por exemplo, não frequentaram a escola mas que querem fazer exames nacionais ou que, estando matriculados, tiveram negativa a uma determinada disciplina.

Acesso ao Ensino Superior pode sofrer atrasos

A greve que decorre há quase um mês pode também afetar o calendário de acesso ao Ensino Superior. O secretário de Estado da Educação, João Costa, admitiu hoje em declarações à TSF, essa possibilidade, explicando que foi por esse mesmo motivo que o Ministério decretou serviços mínimos.

“Não pode haver publicação de notas de exame sem as notas internas estarem lançadas. O que mostra que aquelas declarações que foram produzidas a dizer que o ministério está a desconsiderar as notas internas não passam de um disparate”, afirmou João Costa.

Questionado sobre se o acesso ao Superior pode ser condicionado por falta de atribuição de notas internas, o ministro respondeu que “Pode. E por isso mesmo pedimos serviços mínimos. Não apenas ao ensino superior nacional mas também para todos os alunos que se candidatam a universidades no estrangeiro”

O governante disse ainda que com esta greve é a “continuidade dos estudos dos alunos que está a ser posta em causa“. Apesar disso, João Costa garantiu que o governo não está a equacionar adiar o calendário de acesso ao ensino Superior.

“Para nós, não está em cima da mesa qualquer adiamento do calendário de acesso ao Ensino Superior”, reiterou.

A greve dos professores às reuniões de avaliação começou nesta segunda-feira, no mesmo dia em que arrancaram os exames nacionais, podendo demorar um mês.

O Ministério da Educação quer decretar serviços mínimos para a greve. A situação vai ser decidida em colégio arbitral, pois sindicatos e Ministério não chegaram a acordo sobre estes serviços.

ZAP //

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23 COMENTÁRIOS

  1. Num sistema de ensino em qualquer parte do mundo, o principal objectivo de atenção são OS ALUNOS !
    Em Portugal, os interesses dos alunos são completamente ignorados. Os alunos não passam de matéria prima para justificar a existência de professores e dos seus interesses. O Ensino em Portugal são os Professores e Sindicatos. Quando se pede aumento de verbas orçamentais para o Ensino, elas são se destinam a melhorar o aproveitamento dos alunos, mas a melhorar a vidinha dos professores e por tabela, o poder dos sindicatos.
    Portugal está entre os últimos europeus, no ranking do Ensino.
    Salazar… volta, e põe este ensino a funcionar !

    • Deve o sr. Carlos ser daqueles que recebem aumentos todos os meses, e pode, então, cantar de galo, porque se estivesse congelado em vencimentos e progressão há cerca de dez anos outra seria a sua sinfonia. E, apesar de tal injustiça lançada à má cara sobre os professores, estes não deixaram de cumprir as suas obrigações e de dar o seu melhor, tanto assim que se consultar, já não digo as estatísticas nacionais, mas as internacionais, nomeadamente as da OCDE, verificará que, apesar de tudo, o ensino português tem vindo a melhorar, tanto qualitativa quanto quantitativamente. E quando os nossos alunos participam em certames internacionais, normalmente não arrecadamos medalhas de cortiça. Respeitando o seu direito à livre opinião – espero que respeite o meu – diria que um pouco mais de boa informação não faria mal a ninguém. Tenha um bom dia.

    • Pois é, Sr, Carlos, volta Salazar para fazer o que fizeste quando chegaste ao poder: acaba com a 5ª classe, com a 4ª classe e deixa como ensino obrigatório apenas a 3ª classe do Ensino Primário Elementar. Mas como agora o ensino obrigatório vai até ao 12º ano, acaba com isso tudo. Manda os professores para a rua e fecha as escolas. E se um dia te deres conta de que não procedeste muito bem, recorre de novo às “regentes” para tentares tapar o sol com uma peneira.
      E já agora, não te esqueças de sugerir aos portugueses que não vale a pena estudar, e avisa-os de que só os filhos dos doutores têm direito a ser doutores. Não te esqueças Salazar, «volta, e põe este ensino a funcionar» de novo… !
      Quanto a rankings, Sr. Carlos, neste caso eles geralmente funcionam ao contrário. Nunca lhe passou pela cabeça que ao número de reprovações possa corresponder maior desinteresse dos encarregados de educação e maior exigência dos professores? E não sabe que há países em que, por exemplo do 1º ano (Primário) até ao 9º (secundário), ou seja no ensino obrigatório, os alunos transitam sempre de ano? Esta realidade acaba por se reflectir nos tais rankings que o Senhor tanto aprecia.

  2. Yeah e na luta entre patronado e trabalhador, o direito a greve existe por haver desigualdade de força.
    O governo do PS da Costa já está a ficar tão mentiroso como os do falecido Mário.
    O Centeno já se tornou neo-liberal com o tacho na UE, tal como o Dijsselbloem antes de ele (também do PS).
    Vamos ver, professores não foram aumentados desde há 12 anos e então os cargos de ministro e deputado foram solidários, não é?
    Não? Auto-aumentaram-se?

  3. Falta saber qual é afinal o salário médio de um professor. Assim o povo poderia formar uma melhor opinião sobre o assunto. Mas é informação confidencial que os média esquecem informar em todos os casos deste tipo (enfermeiros, médicos, magistrados, autoridades, políticos, administrativos, maquinistas, motoristas, pessoal de câmaras municipais, autarquias, universidades, etc.).

    • Caro ruimvp, o caos é de tal ordem que não sei se é possível saber-se qual o salário médio de um professor. Se os governos não tivessem mexido neles sabia-se, mas tal como estão as coisas, é impossível. Os governos retiraram/atrasaram dois ou três escalões que os professores já tinham vencido. Exemplo: estava no 6º, passei para o 3º. Esta medida impede que muitos professores atinjam os escalões superiores. Depois congelaram-lhes o tempo de serviço, congelação que já vai em 9 anos e tal. O resultado é e continuará a ser os professores irem para a reforma com todo o tempo necessário, mas com reformas inferiores às que teriam direito se não fossem vigarizados. Só os professores que já tinha atingido o topo é que se safaram, ainda por lá andando, a rebentar pelas costuras, devido ao aumento da idade da reforma.

      Quanto a salários, o que lhe posso dizer é que neste momento há professores vinculados com 15, 20 anos de serviço e com salários iguais aos dos precários. E quanto ao salário médio de um professor, encontre você a média, se conseguir. O que lhe posso dizer é que os salários mais baixos, LÍQUIDOS (limpos) andam à volta de MIL euros, mais coisa menos coisa; e os máximos rondam os DOIS MIL, mais 50 menos 50.
      Se estas informações o satisfazem, óptimo. Mais não posso fazer.

      • Bom dia. Obrigado pelas referências que desconhecia. Concluo, pelo que diz, que a média estará perto dos 1500 €. Acho um valor elevado tendo em consideração que nem todos os alunos ingressam no ensino superior, e a maioria está em idades em que não dão o devido valor ao que os professores tentam ensinar (e mais tarde todos dizem: “se soubesse o que sei hoje teria estudado quando era novo”).

        • Caro ruimvp, estava mesmo à espera que as suas contas fossem nessa direcção simplista, só que não pode ir por aí. Assim também eu lhe tinha dado números. É que o maior número de profissionais situam-se nos escalões inferiores. Poucos são os que estão no topo. Logo a média desce substancialmente.
          Quanto a achar um valor elevado, considerando que nem todos os alunos ingressam no superior, francamente! Desculpe que lhe diga, mas esse argumento não reflecte lucidez. Por esse seu ponto de vista, o que devia determinar o valor dos salários dos professores seria o interesse ou desinteresse dos alunos. Isto é: alunos educados, motivados, inteligentes proporcionariam vencimentos salariais elevados. Alunos desinteressados, sem educação, sem aproveitamento, implicariam que os professores tivessem salários baixos.
          Se calhar não foi isso que quis dizer, mas é o que se depreende do que o ruimvp escreveu. E se o que escreveu era o que queria dizer, isso prova que não faz ideia do que fala. É que é muito mais difícil ensinar alunos fracos do que bons alunos, o que significa que, ao contrário do que Você sugere, os professores com alunos fracos deveriam ganhar mais. Mas também não se pode ir por aí, pois os professores sujeitam-se a tudo: bons e maus alunos.
          Outro ponto que parece escapar ao conhecimento do ruimvp relaciona-se com os objectivos do Ensino Básico e Secundário. É que não se trata de preparar alunos para entrarem no Ensino Superior. Essa é uma ideia errada que afecta grande parte da população que, em consequência, pensa que não seguindo estudos superiores não vale a pena estudar muito, completando o 9º ano quase por favor.
          Por outro lado, para quem pensa entrar nas universidades, o que importa é obter boas médias no Secundário e notas altas nos exames de final do 12º ano. Repito: o que importa são boas médias e notas altas nos exames do 12º ano para ter entrada na universidade da sua preferência. Mas isso, salvo as devidas excepções, não significa necessariamente conhecimento e segurança relativamente ao ensino/aprendizagem por que passou nos anteriores 12 anos, pelo que, já no ensino superior, se verá à rasca, acabando por desistir ou contentando-se com uma licenciatura “só de nome”.
          Os Ensinos Básico e Secundário existem efectivamente para alfabetizar a população, para lhe permitir literacia, desenvolver do raciocínio lógico, dar-lhe a conhecer os fenómenos da existência, a noção da serventia do desenvolvimento, da ciência, a noção de cultura, o sentido estético da vida, a capacidade de saber escolher, o enriquecimento do carácter e da personalidade, etc.
          Só quem passa INTERESSADAMENTE por estes ciclos de ensino, fica à vontade para enfrentar o mundo em que se insere. E os que desejam continuar estudos superiores não precisam de se preocupar com notas altas do 12º ano, porque as obterá naturalmente.
          Ora o trabalho dos professores é precisamente o de ajudar os jovens a serem pessoas por inteiro. É a profissão mais nobre que existe. Apesar disso, muito mal paga, ao contrário do que diz o ruimvp. Diria mesmo que é uma actividade de MISSIONÁRIOS, muitas vezes sem tempo para si próprios e para as suas famílias, trabalhando 40, 50 e mais horas, pondo ao dispor dos serviços o seu próprio computador, o papel e tinteiros para a impressora, e até, em alguns casos, a sua própria viatura, andando de escola em escola por conta do sistema, sem serem ressarcidos das respectivas despesas.
          E ainda acha o ruimvp que são bem pagos. No sector privado há trabalhadores com muito menos responsabilidades e stress emocional, com apenas o ensino básico a ganharem a mesma coisa. E conheço situações de funcionários, com habilitações académicas idênticas às dos professores, a ganharem, também no sector privado, 4, 5 ou 6 vezes mais do que aqueles profissionais.
          Caro ruimvp, quando alguma coisa se nos escapa, pedir informações, opiniões, acho mais que legítimo, e ainda bem quando procedemos desse
          modo. Também temos o direito e a liberdade de pensar como nos parece certo. Mas neste caso do salário dos professores, sejamos sensatos…

          • Sr. Sá, os dados foi você que os forneceu, ao dizer que o salário ia dos mil aos 2 mil. Eu calculei a média que era o valor pretendido. Se há mais a ganhar menos não sei. Talvez se divulgar o seu vencimento possamos ver o diferencial para os 1500 de uma amostra escolhida ao acaso entre os professores. Acho que os professores têm um salário elevado sim, em comparação com o setor privado. Pelo simples fato do menor rendimento ao longo do dia. Enquanto um funcionário fabril poderá estar na linha de montagem, com as paragens a que tem direito, a executar trabalho ininterrupto durante 8 h para ganhar o salário mínimo, o professor em uma aula de 1 hora, com 25 alunos na sala terá de: chegar à sala, dar a tolerância inicial, esperar que acatem a ordem de calar, leccionar a aula com as interrupções para dúvidas, onde explicará exatamente a mesma coisa várias vezes por outras palavras, depois formam-se os grupos para os exercícios, com a devida demora, dando tempo para que em grupo pensem numa solução. Passa de grupo em grupo repetindo as mesmas dicas. Toca para sair, mais uma caminhada para a sala de professores, etc. No fim, talvez metade ou menos dos alunos ficaram esclarecidos ou sem dúvidas e alguns passam a aula à espera do toque de saída. É apenas uma questão de se ser pago em função do que se produz e não porque tem um cérebro XPTO com muito conhecimento. Todos diferentes, todos iguais. Se trabalham muitas horas sem receberem horas extra… …Deixem de ser burros, que no fim de vida ninguém dá valor a isso.

            • Caro ruimvp, os dados fui eu que os forneci, diz Você, mas também foi Você que “fez cálculos”, como lhe convinha, para só encontrar um número abstracto que não reflecte a realidade concreta da questão em análise.
              Depois sugere que divulgue o meu vencimento, talvez para vir com mais algum “palpite” a despropósito, vê-se logo. Mas sobre isso nada lhe adianto. O que lhe digo é que sou reformado, a caminho dos 80 anos de idade. Tenho 63 anos de trabalho, 16 dos quais como professor, a que me candidatei, algo já tarde, depois de me licenciar. Apesar dessa experiência enriquecedora que fez de mim um bom profissional, modéstia à parte, e numa altura em que os docentes até nem tinham razão de queixa dos salários que recebiam, eu resolvi voltar ao sector privado, passando a ganhar mais do que como professor e a ter muito menos consumições. Portanto, meu caro, em termos de responsabilidades profissionais não vale a pena vir com sugestões, que tempo tive eu de sobra para as assumir. De resto, pensaria o ruimvp que se eu fosse professor tinha tempo de sobra para estar aqui à conversa?
              Também é curioso como Você se atreve a fazer o “retrato” do professor. Claro que só recorrendo ao estereótipo habitual, mas não tente, porque não faz ideia do que é ser profissional nessa área tão nobre.
              Outro costume também conhecido, mas sem sustentação possível, a que Você também se agarrou, é o de tentar comparar índices de produtividade entre sectores público e privado, o que deixa transparecer um conceito errado de produção. Mas se pretende ir por aí, quando diz «É apenas uma questão de se ser pago em função do que se produz»,
              força-me a informá-lo, porque parece que não sabe, que os professores são os trabalhadores que mais produzem. Produzem médicos, enfermeiros, arquitectos, engenheiros, psicólogos, professores, advogados e juízes, historiadores, cientistas, escritores e artistas, educação e cultura, etc, etc., e como não podia deixar de ser, prepara “quem quer estar preparado” para assumir quaisquer outras actividades aparentemente menos qualificadas, mas tão necessárias como todas as restantes.
              Fico a pensar que o ruimvp não leu o meu comentário anterior. Digo não leu porque ler não é só passar os olhos sobre o que vemos escrito. Ler é assimilar, interpretar, reflectir sobre o que se leu, para que se concorde ou discorde, com fundamento, daquilo que nos é oferecido.
              Também se fica com a ideia de que, para si, a actividade docente é de importância relativa ou até desnecessária. A ser assim, proponho-lhe que viva algum tempo como se não tenha havido nem haja professores. Volte aos tempos das cavernas. Depois, se ainda por cá andarmos, conte como foi…

              Também se fica com a ideia de que, para si, arriscaria vir com estes pontos de vista

  4. Sr. Sá, agradeço as suas lições de vida. No entanto, eu fiz o retrato real de uma aula de 1 hora e o retrato real do dia de um operário fabril (já fui aluno é já fui operário fabril). As diversas profissões que diz que o professor produz são o mérito ou desmérito do trabalho do aluno, e é a vontade deste que as atinge ao fim de 16 anos de escola e vivência com a família e amigos. Todos os professores envolvidos importam, assim como os auxiliares de educação, os motoristas, porteiros, seguranças, enfermeiros, cozinheiros, empregados de limpeza, etc. No entanto são os professores que comem mais do bolo e os que normalmente querem sempre mais e mais.

    • Continua a não ler ou a não saber ler o que escrevi. E ainda por cima continua a dizer que «são os professores que comem mais do bolo».
      Afinal parece que tenho estado mesmo a escrever prò boneco!

      • Sr. Sá, li o que escreveu. Parte concordo, parte discordo. Quando eu frequentava o 6. ano (há 30 anos) os meus colegas comentaram uma notícia da TV sobre uma greve de professores. Logo na aula seguinte lembrei-me de perguntar ao professor o motivo da greve e obtive a resposta de que não era do meu interesse saber o motivo. Anos mais tarde descobri que já se tratava do mote dinheiro. Certamente tem mais experiência do que eu e poderá enumerar quantas greves já fizeram os professores em comparação com as greves de todos os outros profissionais envolvidos na educação de um jovem. Também não discorda que no sistema educativo são os professores os mais bem pagos (talvez fruto das muitas lutas/greves). Eu tenho a minha opinião o Sr. tem a sua. Mas não dê tanta importância ao papel do professor oficial licenciado, porque o homem conseguiu sobreviver ao tempo das cavernas passando o conhecimento à geração seguinte, e a inteligência é analfabeta.

        • O que nos vale é que a notícia que gerou esta troca de comunicações é de há 15 dias, e certamente que já ninguém, além de nós, passa por aqui para ver o que vai…
          Mas se isso acontecer, e alguém tiver pachorra para nos ler, haverá de se rir de nós. De si, pelas questões que coloca; de mim por achar que tenho paciência a mais.
          Quanto à greve de que fala, de há 30 anos, não sei se a questão salarial terá sido o motivo da greve. É que nessa altura a governação do País estava a cargo de Cavaco e Silva, coincidindo com o início do declínio do Ensino em Portugal, o que preocupou, até hoje, os professores que, em razão da previsível decadência, por várias vezes se manifestaram.
          Mas se o “mote” da greve de que fala era o dinheiro, recordo-me de uma exigência da classe docente, exigência que consistia em ficarem a par dos restantes técnicos superiores da Administração Pública. Reivindicação mais que legítima, pois não fazia sentido que os engenheiros, os arquitectos, os escultores, os geógrafos, os historiadores, os médicos, os enfermeiros, os linguistas, os matemáticos, os físicos, os químicos, os farmacêuticos, os juristas e outros, tivessem salários inferiores aos dos seus pares que, como técnicos, preenchiam lugares nos outros sectores da Função Publica. Sim, não fazia sentido que ganhassem menos porque os professores antes de se candidatarem à docência eram colegas dos outros, licenciados nas mesmas faculdades, nos mesmos cursos, e para serem professores ainda tiveram de fazer formação pedagógica, com diploma próprio. Não era como agora que já tiram licenciaturas via ensino. Além disso o “patrão” era o mesmo – o Estado.
          Estranho é Você admirar-se por o “mote” ser dinheiro. Por que acha que os trabalhadores fazem greve? Você nunca fez?
          A certa altura do seu comentário o ruimvp escreve: «certamente tem mais experiência do que eu e poderá enumerar quantas greves já fizeram os professores em comparação com os outros profissionais envolvidas na educação». Eu lamento, pois não tenho dados. Mas se tenho mais experiência do que o ruimvp isso leva-me a deduzir que também exerceu e/ou exerce funções no sector educativo. E se assim é, não percebo por que me coloca a questão se Você mesmo está por dentro do sistema. Ou anda lá a fazer de conta…?
          Outra frase que deixará a pensar quem a ler, pela “inocência” lapalissada com que a envolve, é quando Você diz «no sistema educativo são os professores os mais bem pagos». Ora perante este seu desplante sou forçado a perguntar-lhe se os mais bem pagos deveriam ser os porteiros das escolas, os funcionários das secretarias das mesmas, as auxiliares de acção educativa?
          E já quase no final sugere que não dê tanta importância ao papel dos professores. Sugestão só tolerável por acreditar que Você nem pensou no que escreveu.
          Quanto à inteligência ser analfabeta, compreendo onde quer chegar. Só que a inteligência, ela mesma, também percebeu que tinha de deixar de o ser, para poder seguir em frente.
          Para terminar, o ruimvp diz que tem a sua opinião. Acho isso legítimo. Toda a gente tem direito a opinar. Só que as opiniões formam-se com fundamentos. De contrário não passarão de disparates.
          Um bom fim de semana.

          • Sr. Sá, pode rebater a minha opinião ponto por ponto que a não mudarei, nem é isso que torna os seus argumentos mais válidos pois cada cabeça cada sentença. Nunca fiz greve na vida pois quase não é permitida no privado. Nem nas empresas onde trabalhei vi alguma vez alguém fazer greve. Eu acho que a riqueza devia ser melhor distribuída por quem trabalha. O senhor defende que os mais inteligentes devem ser os mais bem pagos. Apenas estive no setor educativo como aluno, a sua maior experiência vem dos seus quase 80 anos de idade. Se fizer um exercício de lógica básica perceberá que, tal como os animais, o Homem, para viver, precisa de alimento, abrigo, defesas, descendência, interação social e inteligência. Como acontece ainda em alguns países no mundo. E se informar-se nos diversos estudos já realizados, descobre que o índice de felicidade de um país não é diretamente proporcional à riqueza. É a minha opinião sincera que os seus argumentos, apesar de em maior número, são palha daquela que já viu muita em exames que corrigiu. E convença-se que a inteligência é mesmo analfabeta, nem nunca deixará de o ser. Votos de muita saúde e bom fim de semana.

            • Meu caro, uma vez mais a confirmar que não lê o que escrevo, e ainda por cima a querer criticar o que eu não escrevo.
              Onde é que escrevi «que os mais inteligentes devem ser os mais bem pagos»? Não aldrabe. Você, através das afirmações que tem feito, é que parece defender que os menos habilitados ganhem proporcionalmente mais dos que os outros. E já duvido que quando diz «que a riqueza devia ser melhor distribuída por quem trabalha», não esteja mesmo a confirmar aquele seu ponto de vista.
              Eu também sou por uma melhor distribuição da riqueza; as centenas de páginas publicadas ao longo dos anos, com referências a essa questão, atestam-no. Por isso é que, ultimamente, nestes sítios da NET também tenha defendido o direito a um salário digno para os professores. Ou, para si, isto não é pugnar por uma melhor distribuição da riqueza?
              Não, para si isto é o contrário, já sei. Até porque, em seu entender, os professores ganham demais e nem são necessários, uma vez que a inteligência é analfabeta…
              Será que também discorda dos vencimentos dos quadros superiores das empresas onde trabalhou? E se discorda, o que pretende, que tenham salários iguais aos dos restantes trabalhadores? E os seus patrões, também? Se dissesse que os trabalhadores é que deviam ter salários iguais aos deles, até se compreendia, mesmo que grande fosse a utopia, mas pretender o contrário…, bem é uma questão de inteligência.
              Sem se aperceber, o ruimvp vai-se revelando como mais um daqueles que quando não entendem o que outros dizem ou escrevem, ou quando não lhes agrada ou não convêm prestar atenção ao que lhes é apresentado para seu conhecimento ou reflexão, se atrevem a qualificar como palha o que generosamente lhes é oferecido. É só mais uma opinião da sua parte, eu sei. Só que, como já lhe fiz ver em comentário anterior, as opiniões, para o serem, têm que assentar em fundamentos. De contrário não passarão de disparates que podem até ser ofensivos.
              Ao menos seja feliz!

            • Para o Sérgio O. Sá

              Antes de mais seria agradável que o senhor ou quem cita (já nem sei bem quem o autor da frase) tivesse um maior cuidado na escrita
              “…E já duvido que quando diz «que a riqueza devia ser melhor distribuída por quem trabalha»…”
              Este é um erro muito comum e de evitar. Não é melhor distribuída mas sim “mais bem distribuída”. Sendo professor deveria ter um cuidado redobrado nestas questões.
              Quanto ao resto apenas lhe posso dizer que para o senhor e os seus colegas ganharem mais eu e todos os outros teremos de ganhar menos, porque os senhores serão pagos com os nossos impostos. E se já ganho menos do que um qualquer professor e tenho muito mais responsabilidade e trabalho um número muito maior de horas semanais (assim como os meus colegas de profissão) porque carga de água é que aceitaria com bons olhos ver o seu salário aumentar?
              Por mim não aceito!

            • Para o Carlos Ramos
              Caríssimo, quanto à «riqueza melhor distribuída…», verificará que a frase não é minha.
              Sim, há que ter cuidado, como sugere, a aceito de bom grado que me chamem a atenção quando se justifica. Mas também compreenderá que quando se escreve num espaço como este, às vezes apressadamente e sem rever o que se deixa escrito, os erros ficam.
              Não servindo de desculpa pelas eventuais falhas que tenha deixado ou venha a deixar passar, acrescento que vou a caminho dos 80 anos e já não exerço funções docente há muito tempo. Mas mesmo que fosse mais novo e estivesse na docência, não me atreveria a corrigir o meu interlocutor, pois o propósito da nossa troca de comentários era outro.
              «Quanto ao resto», para utilizar as suas palavras, permita-me dizer-lhe que, embora entenda o seu raciocínio, penso que a questão não deve ser vista desse modo. É que, por idêntico raciocínio poderíamos achar por bem não pagar impostos, passando a fazer parte de uma sociedade sem Estado, tal como hoje ele se nos apresenta. Agora imagine como seria…
              E se já ganha menos do que qualquer professor, como diz, também os professores ganham menos do que muitos trabalhadores do sector privado, mas não é disso que se queixam.
              Sobre as responsabilidades inerentes a cada profissão, cada um que as assuma. Mas não pense que os professores não as têm. E quanto ao número de horas semanais, o Senhor Ramos desconhece o que se passa no quotidiano da docência. Há profissionais a trabalharem 40, 45, 50 horas. Nem tempo têm para si próprios e para a família. O Senhor não faz ideia do estado a que chegou o ensino e das dificuldades com que vivem muitos dos seus profissionais.
              Tenha um bom domingo.
              s. o. s.

  5. Sr. Sá, disse-lhe que nunca fiz greve na vida e que nunca vi uma greve nas empresas em que trabalhei. Você não respondeu, mas, com os seus dotes para a escritura, tem certamente boa memória para dizer-nos aqui quantas greves já fez na vida. As dificuldades em que vivem os profissionais do ensino (professores) são certamente menores que as minhas que ganho 690 €. Já-lhe tinha dito num outro comentário que se trabalham muitas horas sem receberem horas extra … Que deixem de ser burros. Não sei se tem netos, mas se quiser confirmar que a inteligência é mesmo analfabeta lide com uma criança de idade compreendida entre os 5 e 8 anos. E quanto à sua ideia de sociedade sem Estado e deixar de pagar impostos, pergunto-lhe se pede sempre fatura com número fiscal. Eu peço. Deve desconhecer os números da economia paralela e nem incluo a economia criminal. Para que saiba, constroem-se casas em que o empreiteiro permite ao cliente escolher com ou sem fatura.

    • Ruimvp, sinceramente não estava à espera desta informação ZAP sobre mais um “recadinho” seu.
      Na verdade chego a não entender o que pretende.
      Muda constantemente de temas.
      Atreve-se a fazer-me perguntas descabidas e acusa-me de não lhe responder.
      Fala dos professores, chama-lhes burros por eles cumprirem as suas obrigações sem serem pagos para isso, e ao mesmo tempo acha que eles ganham muito.
      Tenta entrar em questões como a “inteligência analfabeta” sem conhecimentos de base para as discutir.
      Não lê ou não quer ler/compreender partes das minhas interlocuções para não ter que opinar sobre elas, limitando-se a denominar de “palha” o que não lhe agrada.
      Enfim…
      No âmbito do desenvolvimento cognitivo, a criatura humana passa por uma fase mais ou menos curta e sem momento certo para surgir, em que o mecanismo da percepção/compreensão, ou seja, da aprendizagem, funciona de modo diferente ou até mesmo ao contrário do que vinha sendo habitual. A criatura não se apercebe disso, até porque a sua capacidade de raciocínio mantém-se, o que é observável nas descrições e justificações com que fala da nova verdade, convencida de que está a falar da anterior.
      Tal fase, que não tem de corresponder a nenhuma anomalia neurológica ou coisa que o valha, acaba por passar, mais uma vez sem que a criatura tenha consciência do que acontece.
      Falo disto porque fico com a impressão de que o ruimvp atravessa uma fase estranhamente parecida, o que me leva a propor-lhe um tempo… ok?

      Um abraço.

      • Sr. Sá, Perante o seu último comentário tive o cuidado de fazer um resumo escrito do que foi escrito aqui. Ficou demonstrado, para mim, no meu resumo, que compreendi tudo o que você disse e respondi sempre aos seus argumentos complementando com questões. Como o que foi escrito ficará aqui registado, qualquer um poderá fazer o mesmo exercício. Por mim termino aqui esta discussão e aconselho-o a estudar mais o presente mundo global em que todos nós (profs. incluídos) vivemos.

    • Pois… e, se calhar, ganha 690€ precisamente porque nunca fez greve!…
      Se agora as coisas estão como estão, imagine como estariam se durante e depois da Revolução Industrial nunca ninguém tivesse feito grave!…

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