Há 3 virtudes morais indispensáveis para uma resposta ética à pandemia

A compaixão, a solidariedade e a justiça podem ser o cocktail perfeito para uma resposta mais moral à pandemia de covid-19.

Os impactos da pandemia de covid-19 são desiguais e, apesar das disparidades, os países estão a reabrir sem um plano voltado para as desigualdades. Mary Elizabeth Collins, professora na Universidade de Boston, e Sarah B. Garlington, professora na Universidade de Ohio, desenvolveram uma pesquisa sobre ética que avalia o potencial do uso das virtudes como um guia para uma resposta mais moral.

As virtudes promovem tanto o bem-estar individual como coletivo e são, em última análise, um conceito secular. Devido à sua ampla e duradoura relevância para as sociedades humanas, os valores tendem a ser mantidos entre culturas.

Neste sentido, as professoras propuseram três virtudes fundamentais para orientar a resposta à pandemia de forma a alcançar um novo normal mais justo e agradável.

A primeira virtude apontada pelas especialistas, num artigo no The Conversation, é a compaixão, uma virtude “essencial” para as principais religiões do mundo e um princípio moral fulcral em profissões como a assistênica médica e serviço social.

A característica distintiva da compaixão é o “sofrimento partilhado”, o que significa que pessoas e políticas compassivas reconhecem o sofrimento e tomam ações para o aliviar.

Por outro lado, Collins e Garlington indicam que a solidariedade é outro dos pilares fundamentais numa altura em que o mundo atravessa uma pandemia. Medidas de saúde pública, como ordens para ficar em casa, distanciamento social e uso de máscaras, refletem solidariedade e, apesar de a conformidade não ter sido global nos EUA, os dados indicam uma ampla aprovação destas medidas.

Para alcançar estes atos de solidariedade, os líderes mais elogiados – do diretor do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, Anthony Fauci, à primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern – confiaram na persuasão moral, e não em ameaças de punição.

Ao fornecer informações claras, orientações comportamentais simples e repetidas e dar um bom exemplo, estes representantes ajudaram a convencer milhões de pessoas a assumir responsabilidade pessoal pela proteção da sua comunidade.

Por último, as professoras universitárias destacam o papel da justiça, nomeadamente na distribuição de recursos e nas estruturas sociais. Os impactos económicos e de saúde tornam necessárias as políticas voltadas para a justiça: no caso especial das “comunidades de cor, populações com baixo rendimento, pessoas idosas ou imigrantes sem documentação”, por exemplo.

Políticas orientadas para a justiça visam o equilíbrio equitativo dos recursos pandémicos necessários, como direcionar testes e equipamentos para as comunidades vulneráveis. No caso norte-americano, a justiça económica também vai exigir investimentos em empresas administradas por minorias.

No caso da educação, as especialistas sublinham que todas as crianças perderam horas de ensino, mas as mais pobres foram desproporcionalmente prejudicadas pelo ensino à distância, devido ao fosso digital. A justiça exigiria a canalização de recursos adicionais para os alunos e escolas que mais precisam.

Políticas baseadas em compaixão, solidariedade e justiça devem ser implementadas em conjunto. Reforçada por evidências científicas, a ética da virtude pode ajudar os países a reabrir não apenas economicamente, mas também moralmente.

ZAP //

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