Em 1976, a III Guerra Mundial esteve prestes a começar (por causa de uma árvore)

210th Field Artillery Brigade / Flickr

Soldados prestam homenagem em 2013 aos dois soldados norte-americanos assassinados no incidente de 1976

Em 1976, Estados Unidos e Coreia do Norte estiveram muito perto de entrar em guerra e arrastar consigo para um conflito as maiores potências nucleares. Tudo por causa de uma árvore.

Por várias vezes as duas Coreias estiveram prestes a entrar em guerra. E que guerra seria essa com a União Soviética e a China a apoiar a Norte e os Estados Unidos e Nações Unidas a apoiar a Sul.

Uma das ocasiões em que a Coreia do Norte e os Estados Unidos estiveram mais próximos de entrar em guerra, em 1976, foi devido a um acontecimento, no mínimo, bizarro.

No início da década de 70, as Nações Unidas estabeleceram vários postos de comando na zona desmilitarizada, na fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Um dos mais importantes era o Posto de Comando das Nações Unidas nº 3, na ponta mais a norte do território controlado pela Coreia do Sul, que tinha vista para território norte-coreano.

As tentativas de rapto de oficiais das Nações Unidas por militares norte-coreanos eram frequentes. Uma delas, depois de um longo período de tensão que até teve um impasse, com armas apontadas de cada lado, acabou por ser resolvida pacificamente.

O Posto de Comando nº 3 era um dos alvos mais frequentes das tentativas de sequestro pelos norte-coreanos, mas os postos de controlo mais recuados não tinham uma visão clara devido à folhagem densa no local. Nos meses de verão, a situação piorava devido a uma árvore em particular que obstruía o campo de visão dos postos mais recuados.

A 18 de agosto de 1976, sob ordens das Nações Unidas, cinco soldados sul-coreanos, escoltados por uma dezena de militares norte-americanos, entre eles o capitão Arthur Bonifas e o tenente Mark Barett, tentaram resolver o assunto: o plano era podar a árvore e desbloquear parcialmente a vista para o Posto de Comando n.º3, tal como já tinha sido feito várias vezes no passado.

Na zona desmilitarizada não eram permitidas armas de fogo, por isso os militares levaram consigo apenas catanas e machados para tratar da árvore.

Quando os militares começaram a cortar os ramos mais acessíveis da imponente árvore, um grupo de soldados norte-coreanos, liderado pelo tenente-coronel Pak Chul – conhecido pelos norte-americanos como o tenente bulldog por ser dos mais conflituosos – dirigiu-se ao local onde a árvore estava a ser podada e questionou os militares sobre o que se passava.

Segundo relatos de militares no local nesse dia, enquanto trocavam algumas palavras, o responsável norte-coreano enviou um soldado ir buscar reforços. Os números mudaram e desta vez a favor dos militares da Coreia do Norte. Os reforços que chegaram fizeram com que os norte-coreanos passassem a ser três vezes mais que soldados do lado do Sul.

“Quando os militares começaram a podar a árvore, foi-lhes dito pelos soldados norte-coreanos que não o podiam fazer por que Kim Il-sung (o líder e fundador da Coreia do Norte) tinha plantado e cuidado desta árvore, e esta estava a crescer sob a sua supervisão”, recordou o Major Wayne Kirkbride, numa entrevista em 2008, autor de um livro sobre a operação que se seguiu.

Os relatos que seguiram são ainda mais curiosos. Depois de ver a sua ordem ignorada pelo capitão Arthur Bonifas, o tenente Pak Chul tirou o relógio que usava naquele dia, embrulhou-o num lenço e guardou-o no bolso. De seguida gritou algo em coreano, que os presentes no local dizem ter sido “matem os americanos“.

Armados de bastões e facas, os norte-coreanos atacaram. Pak Chul foi o primeiro atacar, incapacitando o capitão Arthur Bonifas com um golpe na nuca.

Os sul-coreanos fugiram do local e abandonaram os machados e as catanas que tinham consigo para podar a árvore. Os norte-coreanos aproveitaram as armas e o que se seguiu foi um ataque brutal aos soldados norte-americanos. Munidos dos machados abandonados, os norte-coreanos mataram Arthur Bonifas.

O tenente Mark Barett foi atacado violentamente durante uma hora. Foi encontrado num vale, depois de os soldados norte-coreanos o terem atacado à vez. Ainda assim sobreviveu ao ataque inicial, ao contrário do seu capitão, mas viria a morrer no helicóptero que o transportava para o Hospital de Seoul.

No ano passado, o regime norte-coreano rescindiu o pedido de desculpas de Kim Il-Sung e veio dizer que os Estados Unidos é que provocaram o incidente.

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9 COMENTÁRIOS

  1. Será que quem escreveu, leu o que diz? Logicamente que não, escreve num paragrafo “acabou por ser resolvida pacificamente pelo capitão Arthur Bonifas, que liderava o contingente dos Estados Unido” noutro paragrafo escrevem “Munidos dos machados abandonados, os norte-coreanos mataram Arthur Bonifas”

    Afinal o Cap Arthut Bonifas, resolveu pacificamente o conflico depois de morto?
    Como querem que tenhamos consideração por jornaleiros que devem fazer as traduções na net?
    Já sei que não irão publicar já que é o normal da ZAPP, quando tem criticas

      • O que é que está corrigido? O artigo continua incoerente. Dá duas datas diferentes para o incidente: 1973 e 1976. E continua a afirmar que o incidente foi resolvido pacificamente pelo oficial que foi morto.
        Que tal pedir ao “jornalista” que releia o que escreveu? Ou então que peça a alguém que saiba escrever que volte a contar a história.

        • Caro Paulo,
          É desnecessário, gratuito e despropositado da sua parte estar a colocar a palavra “jornalista” entre aspas, e pedir um “que saiba escrever”.
          Principalmente porque não soube ler ou perceber o sentido e a forma como respondemos ao comentário do leitor Juan Panvini.

    • Saber interpretar textos ajudaria a não fazer figura de burro! A parte que não leste da mesma frase dá-te muitas pistas para perceber que se trataram de incidentes diferentes. “Uma delas” indicia que os incidentes eram frequentes e nada no texto indica que se descreve apenas um dos episódios. “Com armas apontadas de cada lado” é uma pista ainda mais forte que se trataram de momentos diferentes porque a descrição da agressão que terminou com a morte dos americanos refere apenas bastões e catanas.

      • Caro editor
        Quando eu escrevi o meu comentário, a vossa resposta ao leitor Juan Panvini dizia “está corrigido”. Acontece que o artigo continuava a referir duas datas para o incidente e de facto descrevendo como um só dois possíveis incidentes com resultados completamente diferentes.
        Não é gratuito escrever jornalista entre aspas, quando considero que quem escreveu a peça não tem as qualidades necessárias a um jornalista, nomeadamente saber escrever. Neste contexto, saber escrever não é escrever com a ortografia correcta, é saber contar uma história com pés e cabeça.
        Mesmo após a correcção em que foi retirada a referência a 1973 e a uma resolução pacífica do conflito pelo capitão Arthur Bonifas, o artigo continua a ser uma má peça jornalística. E porquê?
        Primeiro porque não é 40 anos depois que o acontecimento é relevante, a não ser que tivesse sido mantido em segredo, o que não é o caso. Em segundo porque o título é apenas fogo de vista, e nada no texto indica que se tenha estado perto de uma terceira guerra mundial. Em terceiro, porque nada informa sobre o que é que aconteceu à dezena de norte-americanos que acompanhariam o capitão Bonifas. Fugiram ao mesmo tempo que os sul-coreanos? Lutaram contra os norte-coreanos? Porque é que não foram eles a pegar nas armas armas abandonadas pelos sul-coreanos?
        Mas saber escrever, é também saber um pouco de semântica. Quem sabe escrever, não escreve “O tenente Mark Barett foi atacado violentamente durante uma hora.” A utilização do verbo atacar é semanticamente incorrecta neste frase. Mesmo sem conhecer os detalhes do incidente, diria que o mais correcto seria ter escrito “O tenente Mark Barett foi violentamente agredido durante uma hora.” (sim, também trocaria a posição do verbo com o advérbio).
        Compreende agora a razão das aspas e o comentário sobre o saber escrever?

        • Caro leitor,
          Presumo que esteja a responder por engano ao comentário do leitor “Observador”, quando pretendia responder ao nosso comentário.
          Da leitura do seu, ressalta que continua sem perceber que ao questionar “O que é que está corrigido? O artigo continua incoerente“, não percebeu que o nosso comentário não alegava que alguma coisa estivesse corrigida.
          Apenas fizemos notar ao leitor Juan Panvini que a pesquisa da expressão “Está corrigido” ou “Obrigado pelo seu reparo” filtrada pelo domínio ZAP no Google contrariava a sua (dele) alegação de que “Já sei que não irão publicar já que é o normal da ZAP, quando tem criticas“.
          Com efeito, não temos a arrogância de achar que somos infalíveis. Orgulhamo-nos de ter uma audiência instruída e informada, que não poucas vezes nos dá o privilegio de nos corrigir, ou de enriquecer as nossas peças com o seu conhecimento.
          A maior parte dos nossos leitores fá-lo de forma simpática, bem humorada ou, pelo menos, neutra, criando nas discussões das nossas peças um ambiente saudável e estimulante.
          Alguns poucos dos nossos leitores, no entanto, optam por apresentar as suas críticas de forma deselegante, desagradável, ou mal educada, e, em alguns casos, questionando de forma gratuita e insolente o profissionalismo dos jornalistas desta casa.
          Foi esse o caso do próprio leitor Juan Panvini, que designa o autor da peça de “jornaleiro”. Parece que chamar engenhocas, curandeiro ou rabiscador a um engenheiro, um médico, um arquitecto, é consensualmente considerado um insulto, mas chamar jornaleiro a um jornalista é aceitável.
          Estamos abertos à crítica, da qual precisamos e que acolhemos de bom grado.
          Mas não podemos tolerar comentários que, para além da crítica, quase sempre acertada, acrescentam o insulto gratuito e insolente à qualidade e profissionalismo dos nossos jornalistas.
          Esse é, infelizmente, o SEU caso.
          Analisando o histórico dos seus contributos nos comentários às nossas peças, nota-se uma incontrolável necessidade de, mais do que criticar ou corrigir o conteúdo das peças, insultar ou rebaixar os profissionais desta casa.
          Algo ainda mais desagradável nos casos em que a sua critica é estrondosamente despropositada e facilmente rebatida por nós – ou por qualquer outro dos nossos leitores.
          Foi o caso, por exemplo, do seu infeliz comentário acerca dos judeus asquenazim, que aparentemente o senhor não sabia que tinham origem europeia. Recordo-lhe as suas palavras: “O ZAP fez uma descoberta que vai fazer abanar os alicerces da História tal como a conhecemos! Um grupo de judeus de origem europeia, é de rir. Que lhes posso dizer? O mesmo que os meus professores da primária e do liceu: leiam! Leiam muito! Cultivem-se e pensem ouco antes de escreverem afirmações tão absurdas.
          Foi o caso também do seu comentário despropositado acerca de quem escreveu uma certa notícia sobre a teoria do tempo, que “de certeza que não é jornalista” – apenas porque na sua opinião só há ciências exactas e a filosofia não é uma ciência.
          Nessa discussão, sentiu necessidade de puxar dos seus galões de “professor universitário” – apenas para o seu ponto de vista ser contrariado por um leitor, cujo contributo agradecemos, com galões quiçá ainda mais impressionantes de “físico teórico, professor e investigador no CalTech”.
          É lamentável que o contributo dos seus comentários, a maior parte das vezes acertados, seja invariavelmente inquinado de observações desnecessárias acerca dos “jornalistas” que produzem as peças que nos dá o privilégio de vir ler.
          Não queremos dispensar esses contributos. Mas pedimos-lhe que os envie criticando o conteúdo, a forma, até a semântica se assim entender – não o jornalista que o produz.
          Porque é abusivo da sua parte considerar que um erro ou incorrecção numa peça fazem do seu autor um “jornalista” sem qualificações que “de certeza que nem é jornalista” e que não fez o seu trabalho.
          E isso é tão abusivo quanto seria da nossa parte questionar a sua qualidade como professor universitário por se ter rido do facto de termos dito que havia judeus de origem europeia – e daí extrapolar considerações acerca da qualidade do ensino na sua instituição ou no nosso país.

  2. Na estrada para Miami FL,procurei algo interessante para ler e mergulhei nesta historia,antiga e atual pois a familia do Ditador Sul Coreano está no poder a (quase) 70 anos.Por mais artigos assim.

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