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11 de Setembro. Documento do FBI relata encontros entre terroristas e diplomatas da Arábia Saudita

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Sara K. Schwittek / Reuters

Explosão na segunda torre depois da colisão

Apesar de não dar provas directas do envolvimento do governo da Arábia Saudita no 11 de Setembro, um relatório do FBI que foi desclassificado no âmbito do 20.º aniversário dos atentados detalha contactos e apoio logístico de diplomatas sauditas a dois dos terroristas da Al-Qaeda que sequestraram os aviões.

Era já uma reivindicação antiga das famílias das vítimas dos atentados, pedido esse a que Joe Biden acedeu. O FBI divulgou finalmente documentos até agora confidenciais sobre a investigação aos atentados terroristas do 11 de Setembro, que fizeram quase 3.000 mortos.

O documento data de 4 de Abril de 2016 e dá detalhes sobre o alegado apoio logístico de um responsável de um consulado da Arábia Saudita e suspeito de ser agente do governo saudita a dois dos 19 sequestradores dos aviões. Muitas partes do documento de 16 páginas, que foi publicado no 20.º aniversário dos ataques, continuam rasuradas.

O texto detalha as ligações entre Omar al-Bayoumi, o suposto agente saudita que vivia em Los Angeles, a Nawaf al-Hazmi e Khalid al-Mihdhar, tendo o diplomata alegadamente ajudado os terroristas com traduções, a marcar viagens e a conseguir alojamento e financiamento. Os dois membros da Al-Qaeda chegaram à Califórnia em 2000.

Os dois sequestradores estavam também em contacto com Fahad al-Thumairy, um imã conservador de uma mesquita em Los Angeles que foi também diplomata no consulado da Arábia Saudita no final da década de 90.

Estas ligações relatadas no documento foram baseadas em entrevistas feitas entre 2009 e 2015 com uma fonte cuja identidade é protegida.

A fonte diz também que Omar al-Bayoumi tinha uma posição importante no consulado da Arábia Saudita, apesar do seu estatuto oficial de estudante. A mulher da fonte adianta também que al-Bayoumi era um entusiasta da jihad.

O documento estabelece ainda contactos e encontros de al-Bayoumi e Thumairy com o americano-iemenita Anouar al-Aulaqi, membro da Al-Qaeda que morreu num ataque de drone dos EUA em 2011 no Iémen.

Recorde-se que 15 dos 19 terroristas que sequestraram os aviões eram da Arábia Saudita, incluindo Osama Bin Laden, cérebro da operação e líder da Al-Qaeda na altura.

Famílias das vítimas acreditam no envolvimento saudita

A divulgação do documento foi concedida por Joe Biden depois das administrações de Bush, Obama e Trump terem recusado concretizar os pedidos das famílias das vítimas, tenso sido acusados de estar a proteger um velho aliado político e económico.

O relatório final sobre os atentados não encontrou provas do envolvimento do governo saudita ou que este tivesse financiado a Al-Qaeda, mas as acusações persistem.

Já há muito que as famílias das vítimas acreditam no envolvimento da Arábia Saudita nos atentados, tendo inclusivamente já aberto vários processos contra o reino. Agora, o grupo 9/11 Families United considera que o documento do FBI é a prova que faltava, apesar “do número infeliz de rasuras”.

“Os segredos dos sauditas foram expostos e já há muito tempo que o reino tem de assumir o papel dos seus responsáveis na morte de milhares em solo americano. O relatório contém muitas revelações bombásticas que implicam governantes sauditas, num esforço coordenado para mobilizar uma rede de apoio aos sequestradores que chegaram primeiro, Nawaf al Hazmi and Khalid al Mihdhar”, acusam as famílias.

O relatório final sobre os atentados não encontrou provas do envolvimento de Riade ou que os sauditas tivessem financiado a Al-Qaeda, mas as suspeitas persistiram e o novo documento veio dar uma nova força às acusações.

A monarquia sunita sempre negou qualquer envolvimento no 11 de Setembro, tendo a embaixada do país nos Estados Unidos emitido um comunicado quando Biden anunciou que ia ordenar a desclassificação do relatório do FBI.

“A Arábia Saudita sabe muito bem do mal que a ideologia e as acções da Al-Qaeda representam. Ao lado dos EUA, o reino tem lutado contra os homens e todas as formas da mentalidade terrorista”, respondeu, acrescentando que esperava que o documento acabasse “com as alegações sem base contra o reino, de uma vez por todas”.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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