Zenit 3-1 Benfica | Águias batem com estrondo na parede russa

Anatoly Maltsev / EPA

O Benfica somou a segunda derrota consecutiva na fase de grupos da Liga dos Campeões 2019/20.

Após o desaire caseiro ante o Leipzig, na primeira jornada, a formação “encarnada” foi a São Petersburgo perder com o Zenit por 3-1, numa exibição cinzenta que de positivo teve apenas o primeiro golo (e que golo) de Raúl de Tomás pela formação lusa.

No final, as “águias” até remataram mais e enquadraram mais um disparo, mas estes foram feitos, na sua maioria, de fora da área, nada menos que 11 dos 18.

O jogo explicado em números

  • Bom arranque de jogo das duas equipas, com o Zenit mais agressivo no ataque e a criar alguns momentos de aflição junto da baliza de Vlachodimos. Ainda assim, o Benfica foi mais dominador no primeiro quarto-de-hora, com 64% de posse de bola e os mesmos três remates que os russos, embora só a formação da casa tenha enquadrado um deles.
  • Porém, aos 22 minutos, o Zenit marcou. Fejsa foi desarmado em zona proibida por Magomed Ozdoev, a bola sobrou para Artem Dzyuba e este, perante Vlachodimos, rematou colocado para o 1-0. Ao quinto disparo, segundo enquadrado, os homens da casa faziam funcionar o marcador, e as “águias” partiram em busca do empate, embora sem grandes ideias.
  • O jogo manteve a toada até à meia-hora, com mais Benfica, a registar 59% de posse, os mesmos remates (6) e enquadrados (2) para os dois lados, mas a formação lisboeta continuava a sentir muitas dificuldades para entrar na grande área, pelo que cinco dos seus disparos haviam acontecido de fora da mesma e por esta altura os “encarnados” somavam somente quatro acções com bola na área contrária.
  • Nesta altura, Ozdoev era o melhor em campo, com a assistência para o golo, três passes para finalização e dois dribles eficazes a garantirem-lhe um rating de 6.7. O melhor do Benfica era Gabriel, com 6.3, também com três passes para finalização e dois dribles completos.
  • Primeira parte difícil para o Benfica, que até teve mais bola, rematou e até enquadrou mais um disparo do que os russos, mas chegou ao descanso em desvantagem.
  • As “águias” encontraram uma defesa contrária sólida que ia impedindo os portugueses de entrarem na sua grande área, ao ponto de estes registarem somente quatro acções com bola na área russa e seis dos seus sete remates terem acontecido de bem longe da baliza.
  • Ao invés, os “encarnados” eram facilmente ultrapassados pelos contrários em drible, não conseguindo suster as subidas do Zenit em bloco.
  • O melhor nesta fase era o autor do golo, o ponta-de-lança Dzyuba, com um GoalPoint Rating de 7.5, ele que fez também três passes para finalização e ganhou os cinco duelos aéreos ofensivos em que participou. Gabriel, com 6.1, era ainda o melhor entre os benfiquistas.
  • A história repetiu-se nos primeiros 15 minutos do segundo tempo. O Benfica chegou à hora de jogo com mais bola (58%), mas o Zenit criava perigo, com seis remates, dois enquadrados, contra duas tentativas benfiquistas (uma com boa direcção). E no passe a equipa “encarnada” piorou, com 77% de eficácia contra os 86% do primeiro tempo.
  • A pressão do Benfica ia-se intensificando, mas os espaços concedidos na retaguarda acabaria por causar estragos. Aos 70 minutos, o recém-entrado Vyacheslav Karavaev fugiu pela direita, sem qualquer oposição, cruzou e na tentativa de fazer o corte, Rúben Dias fez autogolo.
  • Um tento que deixou a ideia de que o jogo estava decidido, pois o Benfica dominava, mas era o Zenit que controlava os acontecimentos e limitava o jogo “encarnado” a alguns remates de fora da área – pelos 75 minutos, a formação lusa somava 11 remates, oito deles realizados de fora da área.
  • As dúvidas ficaram dissipadas aos 78 minutos, quando Sardar Azmoun aproveitou para se isolar, após uma desatenção colectiva dos “encarnados”, contornou Vlachodimos e fez o 3-0 de forma fácil.
  • Raúl de Tomás entrou aos 81 minutos para o lugar de Seferovic e, aos 85, arrancou um pontapé de fora da área (mais um), com a bola a aninhar-se ao ângulo da baliza de Andrey Lunev.
  • Um grande golo que amenizou o desaire benfiquista e que serviu para o espanhol se estrear a marcar pelos “encarnados”. Um tento aos 13º remate benfiquista, sexto enquadrado. Mas era tarde demais.

O melhor em campo GoalPoint

A exibição de Dzyuba, o melhor em campo, com um GoalPoint Rating de 8.0, foi o espelho do que se passou em campo.  O Zenit teve mais intensidade, energia, capacidade física e de choque e foi eficaz na frente de ataque… tal como foi o possante ponta-de-lança russo.

Para além de um golo em três remates (dois enquadrados), Dzyuba fez cinco passes para finalização e ganhou nove dos 13 duelos aéreos ofensivos em que participou. Imparável.

Jogadores em foco

  • Gabriel 6.6 – Nota-se nas movimentações ofensivas e de circulação de bola que este Benfica é necessariamente diferente com Gabriel em campo. E para melhor. O brasileiro foi o melhor das “águias”, terminando o jogo com o máximo de acções com bola (118). Para além disso, somou cinco passes para finalização, completou as quatro tentativas de drible e registou 11 acções defensivas, entre elas quatro intercepções.
  • Magomed Ozdoev 7.8 – O segundo melhor em campo foi o homem que desarmou Fejsa e entregou a bola a Dzyuba para o 1-0. O médio terminou a partida com duas assistências em quatro passes para finalização, completou as quatro tentativas de drible (duas no último terço) e ainda fez quatro bloqueios de passe.
  • Sebastián Driussi 7.3 – O médio-esquerdo argentino foi um quebra-cabeças. Para além de ter sido o mais rematador da partida, com seis disparos, Driussi fez dois passes para finalização, completou duas de três tentativas de drible, ganhou os quatro duelos aéreos ofensivos em que participou e ainda fez quatro desarmes.
  • Raúl de Tomás 6.5 – O avançado entrou perto do fim, mas deixou a sua marca através de um pontapé espectacular de fora da área que só acabou no fundo das redes contrárias. O espanhol terminou com dois disparos e completou os sete passes que tentou.
  • Álex Grimaldo 6.1 – O Benfica atacou e o lateral esteve muito em jogo. Para além dos três remates que fez (um enquadrado), o espanhol criou uma ocasião flagrante em três passes para finalização e fez oito cruzamentos, o máximo da noite, mas nunca encontrou nenhum benfiquista no final desses lances.
  • Jardel 4.6 – O brasileiro fez apenas o segundo jogo esta época e teve uma noite para esquecer – embora não tenha sido caso único na defesa benfiquista. Porém, os seus números mostram uma das grandes dificuldades “encarnadas” no jogo, os lances pelo ar. Jardel participou em nove duelos aéreos defensivos e ganhou apenas dois.

Resumo

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