Yoko Ono estava a “controlar” a vida de John Lennon, escreve irmã do ex-Beattle no seu livro de memórias

Nationaal Archief / Wikimedia

John Lennon e Yoko Ono em 1969

Julia Baird, irmã de John Lennon, publicou um livro de memórias chamado “Imagine This” onde relata as suas vivências da infância com o músico e os momentos posteriores à fama do “beattle”.

A irmã de John Lennon – da parte da mãe, Julia Lennon – descreve a relação que tinha com a esposa do músico, Yoko Ono, da qual Julia Baird fala várias vezes, escrevendo, por exemplo, sobre as conversas telefónicas que tentava ter com o irmão, em vão. “Pareceu-me que ela estava a controlar a sua vida e ele também parecia estar a permiti-lo”, pode ler-se em excertos do livro, aos quais a Europa Press teve acesso.

“Quando John me ligava, eu estava sempre lá. Quando lhe ligava, no entanto, nem sempre conseguia falar com ele. Yoko respondia com frequência. E, com o passar do tempo, as chamadas de John pararam, era impossível localizá-lo. Na verdade, eu perguntava-me: John já atendeu o telefone da sua própria casa ou Yoko anda com ele no bolso?”, escreve Julia Baird.

A irmã do músico insiste neste episódio para destacar como John “se estava a separar”, embora, com a distância, tenha percebido que a influência de Yoko era muito grande. “Pensamos que era ele que se estava a separar, mas agora não tenho tanta certeza. Depois de uma série de telefonemas e cartas em 1975, eu e Jackie – outra irmã – fomos esquecidas de vez”, lê-se no texto.

A última passagem do livro em que Yoko Ono é mencionada é a herança da casa do artista em Liverpool, que “se tornou um símbolo de reconhecimento” por John Lennon de que Jackie e Julia eram as suas irmãs.

“O advogado de Yoko disse-me que a casa era dele e que ele poderia fazer o que quisesse, e foi isso que ele fez”, lembra. “No entanto, também disse que, se eu e Jackie e eu precisássemos de ajuda, Yoko poderia estar disposta a ajudar. Respondi que não estava a pedir dinheiro a Yoko. Só queria o valor da casa, porque era um símbolo. Não sabia de mais nada”.

Durante a apresentação do livro em Madrid, acompanhado por Javier Gurruchaga, Julia Baird explicou a origem do livro: um documentário transmitido pela BBC sobre John Lennon que falava de “detalhes que nunca tinham acontecido”. “Liguei para o produtor e disse-lhe que o documentário era pura fantasia, mas ele não acreditou em mim e desligou o telefone”, criticou. Por isso, Julia foi ao editor do jornal mais importante de Liverpool no dia seguinte e ofereceu-lhe a sua versão da história.

Ao longo do livro, escrito inteiramente “longe da paixão” – “só me permiti expressar uma emoção ou algo pessoal numa parte do livro, mas não vou dizer qual” – Julia Baird não evita episódios difíceis para ela e para o irmão. “John ligou-me e queria saber se eu falava dele aos meus filhos. Sim, eles conheciam o tio John. Ele pediu desculpas várias vezes por não ter estado em contacto e que a sua vida estava no caminho certo novamente. Ele ficou louco por álcool e drogas, mas deixou a loucura para trás”, escreve.

De qualquer forma, Julia Baird garante que queria deixar clara a sua admiração pelo ex-Beatle, e disse que, se quisermos realmente conhecer a sua vida, “é preciso olhar para as letras das músicas depois de Love me do“. “John foi um poeta que colocou letras nas músicas de Paul McCartney”, concluiu.

John Lennon foi um dos fundadores dos Beatles. Formada em Liverpool, a banda britânica é um dos grupos musicais mais bem-sucedidos e aclamados em todo o mundo

John Lennon tinha 40 anos quando foi morto com 5 disparos de um revólver de calibre 38 e acabava de regressar à atividade musical após uma pausa para cuidar do filho nascido em 1975. Mark David Chapman, de 63 anos, que matou John Lennon na noite de 8 de dezembro de 1980, cumpre pena de prisão perpétua.

O assassino tornou-se elegível para liberdade condicional em 2000 e, desde então, fez dez pedidos, sendo-lhe todos negados pela justiça. Em 2018, o homem disse que se sente “mais e mais envergonhado” a cada ano que passa por ter assassinado o ex-Beatle. Nesse ano, a esposa de Chapman, Gloria Hiroko Chapman, revelou que o seu marido lhe contou que iria assassinar o Beatle dois meses antes de cometer o crime.

ZAP //

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