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“O início da justiça”. Yazidis começam a enterrar vítimas do Estado Islâmico mortas em 2014

Membros do grupo étnico yazidi no Iraque conseguiram enterrar mais de 100 vítimas do Estado Islâmico, um ano após os corpos serem retirados de valas comuns, numa cerimónia classificada como “o início da justiça”.

Como noticiou esta segunda-feira o Independent, esta situação ocorre numa altura em que surgem relatos de que as autoridades podem ter encontrado o corpo do arqueólogo Khaled al-Assad, de 82 anos, assassinado pelo Estado Islâmico na Síria, em 2015, enquanto tentava proteger a antiga cidade de Palmira.

No fim de semana, na vila iraquiana de Kocho, no sul de Sinjar, foram enterrados os restos mortais de 104 yazidis presos, assassinados e despejados em valas comuns, em 2014. Entre os mortos estavam os dois irmãos da vencedora do Prémio Nobel da Paz Nadia Murad, que sobreviveu à escravidão imposta pelo grupo.

Na segunda-feira, esta afirmou que, seis anos após o genocídio dos yazidis em Sinjar, perpetuado pelo Estado Islâmico, enterrar os seus irmãos foi o início da busca por justiça. “A minha comunidade de Kocho conseguiu colocar mais de 100 dos nossos entes queridos para descansar”, escreveu no Twitter.

“Este é apenas o começo da justiça para os yazidis. Milhares de famílias ainda aguardam a identificação e o sepultamento dos seus entes queridos”, acrescentou.

Na segunda-feira, a media estatal síria noticiou que os restos moratis de Khaled al-Asaad estava entre três corpos descobertos em Khaloul. Este foi decapitado por militantes do Estado Islâmico ao tentar proteger Palmira, ocupada duas vezes pelo grupo, entre 2015 e 2017. As autoridades ainda precisam confirmar a identidade através de testes ao ADN.

Dezenas de milhares de pessoas foram escravizadas e mortas sob o domínio do Estado Islâmico, que começou em 2014, quando o grupo passou a controlar territórios na Síria e no Iraque. Desde então, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou as suas ações contra os yazidis como genocídio.

A comunidade yazidi é uma minoria curda cuja fé combina elementos do cristianismo, do zoroastrismo e do islamismo.

Embora Estado Islâmico tenha sido expulso dos seus redutos em 2019 pelas forças lideradas pelos Estados Unidos (EUA), a ONU estima que mais de 10 mil militantes permanecem ativos na Síria e no Iraque, em pequenas células que continuam a executar ataques nos dois países.

  Taísa Pagno //

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