Veteranos norte-americanos expostos ao agente laranja no Vietname têm duas vezes mais probabilidade de ter demência

Ian Langsdon / EPA

Os veteranos norte-americanos expostos ao Agente Laranja durante a Guerra do Vietname (1955-1975) têm quase duas vezes mais probabilidade de desenvolver demência comparativamente com os soldados que não contactaram com o herbicida, revelou uma nova investigação.

A conclusão é de uma equipa de cientistas do San Francisco Veterans Affairs Health Care System, nos Estados Unidos, que analisou os registos médicos de mais de 300.000 veteranos que combateram na Guerra do Vietname.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada JAMA Neurology, a exposição ao Agente Laranja está associada a um risco quase duas vezes maior de ser diagnosticado com demência, patologia associada ao declínio cognitivo e comportamental.

Os cientistas notam que o resultado da investigação não varia mesmo quando é combinado com outros fatores, como variáveis demográficas, condições médicas e/ou psiquiátricas, que também podem desempenhar um papel no desenvolvimento de demência.

O Agente Laranja foi amplamente utilizado pelos Estados Unidos contra os vietnamitas: ao todo, terão sido pulverizados mais de 45 milhões de litros deste poderoso herbicida pelas densas florestas do Sudeste Asiático durante todo o conflito.

Este ato de “guerra química” perpetrado pelos Estados Unidos visava despojar os vietnamitas de cobertura e alimento, tal como escreve o portal IFL Science.

Milhares de soldados norte-americanos e vietnamitas desenvolveram doenças hepáticas, cancro, problemas de pele, distúrbios metabólicos e tiveram filhos com malformações por causa deste produto químico. Muitas destas complicação estão ligadas ao ingrediente ativo TCDD do herbicida, um dioxina altamente tóxica e um agente cancerígeno conhecido.

Apesar de o conflito ter terminado já há 45 anos, o “legado químico” persiste: um estudo científico publicado em 2019 na revista Open Journal of Soil Science revelou que o TCDD ainda está presente no meio ambiente vietnamita. De acordo com a mesma investigação, o herbicida pode também estar a chegar à cadeia de suprimentos através dos sistemas hídricos, onde ainda haverá vestígios do químico.

Processo histórico decorre em França

Nesta segunda-feira, uma jornalista franco-vietnamita de 78 anos compareceu a um tribunal francês depois de ter interposto, em 2014, um processo contra 14 empresas que venderam o produto químico aos Estados Unidos, incluindo a Monsanto, que agora pertence à gigante alemã Bayer, e a Dow Chemical.

Tran To Nga, que trabalhou como jornalista e ativista no Vietname quando tinha 20 anos, alega que o Agente Laranja causou danos a si própria, bem como à sua família e quer também ver reconhecidos os danos que químico causou no ambiente.

Não luto por mim, mas pelos meus filhos e pelos milhões que foram vítimas deste agente”, afirmou, citado pela agência noticiosa AFP.

Até agora, apenas veteranos militares – dos Estados Unidos, Austrália e Coreia – conseguiram uma compensação pelos efeitos colaterais do produto, cujas propriedades, são cerca de 13 vezes mais tóxicas do que herbicidas de uso civil, como o glifosato.

Sara Silva Alves, ZAP //

 

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