Ventura vai “atrás” de Costa (e espera um milhão de votos nas legislativas)

Manuel de Almeida / Lusa

André Ventura, líder do Chega

O Chega organizou, este domingo, uma manifestação contra a ilegalização do partido. André Ventura sublinhou que o partido não tem medo e que “só o povo” pode fazê-lo.

O presidente do Chega afirmou, este domingo, que espera que o partido alcance um milhão de votos nas eleições legislativas e se torne o “principal partido” da oposição e avisou o primeiro-ministro, António Costa, de que vai “atrás” dele.

O Chega organizou uma manifestação em Lisboa contra ameaças da sua ilegalização, tendo André Ventura salientado que o partido não tem medo e que “só o povo” pode fazê-lo. O protesto saiu do Príncipe Real pelas 16h30, tendo parado poucos minutos depois em frente ao Tribunal Constitucional.

Os manifestantes tinham bandeiras do partido e de Portugal e entoaram o hino nacional várias vezes, uma das quais em frente ao Palácio Ratton. “Sabemos que estão todos contra nós”, afirmou Ventura em frente ao órgão que oficializou a constituição do Chega, indicando que a voz dos militantes do seu partido “não é possível de ser abafada”.

As cerca de duas mil pessoas, segundo estimativas da PSP no local, encheram depois a praça do Rossio, onde terminou a iniciativa. Em frente ao Teatro Nacional D. Maria II, estava montado um palco para André Ventura discursar.

“Podem querer calar-nos, podem querer ilegalizar-nos, mas a nossa força, a nossa resistência será feita aqui nas ruas de Portugal porque Portugal é nosso e é por ele que vamos continuar a lutar”, afirmou o líder do Chega, recusando ficar em silêncio “perante a ameaça mais grave à democracia em décadas, a ameaça de extinguir um partido político”.

Ventura criticou que Portugal é “um país que tinha tudo para dar certo mas que, em vez de se preocupar” com pensionistas, trabalhadores com baixos salários, as forças de segurança ou a emigração de jovens “preocupa-se é em salvar corruptos e a ilegalizar o único partido que lhe faz frente”.

Já não é uma democracia, é uma ditadura que vamos combater com toda a nossa força”, acrescentou.

Salientando o crescimento do partido, André Ventura considerou que o Chega é “a terceira força política em Portugal” e disse que irá mandar o Bloco de Esquerda “para o sítio de onde sempre deverá estar”, que “é fora do parlamento“.

Falando depois sobre as próximas legislativas, o deputado afirmou também que espera que os quase 500 mil votos que conseguiu enquanto candidato presidencial dupliquem. “Para sermos o principal partido da oposição em Portugal. António Costa nós vamos atrás de ti”, salientou, argumentando que “a força” que o partido ganhou “já não pode ser quebrada”. André Ventura garantiu ainda que o Chega não vai desaparecer e continuará “a lutar”.

Referindo-se à concentração que juntou cerca de uma centena de pessoas na Praça do Martim Moniz para protestar contra a corrupção e o fascismo, visando sobretudo partidos de extrema-direita, a poucos metros do local onde discursou, Ventura apelidou esses manifestantes de “pobres coitados“, sugerindo que “devem ter sido mandados para ali pelo BE e pelo PS”.

Ao longo do percurso do protesto, que foi acompanhado por um forte dispositivo policial, algumas pessoas que se cruzaram com os manifestantes quiseram mostrar o seu descontentamento, tendo sido afastadas pela polícia.

Além dos habituais cartazes e tarjas, uma delas com a fotografia o antigo primeiro-ministro José Sócrates, havia também um caixão de cartão com as palavras “democracia” e “justiça” escritas.

O líder do Chega, que fez grande parte do percurso sem máscara colocada e não negou abraços a quem lhos pediu, seguiu sempre na frente da manifestação, gritando as palavras de ordem que eram depois repetidas por quem seguir atrás, tendo repetido por várias vezes que esta foi “a maior manifestação de sempre” em Lisboa.

“Portugal lutar, só o povo nos pode ilegalizar”, “com o Chega a Governar, a justiça vai funcionar”, “liberdade sim, ilegalização não”, “pela democracia, contra a tirania” ou “André Ventura contra a ditadura” foram algumas das palavras que os manifestantes foram entoando pelas ruas da baixa lisboeta.

Apesar dos apelos para que fosse respeitada a distância de segurança imposta pela pandemia de covid-19, isso não se verificou na iniciativa.

Lusa // Lusa

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