Apagão deixou a Venezuela (outra vez) às escuras. Governo diz que é sabotagem

Pelo menos 18 estados da Venezuela estão sem eletricidade, devido a uma falha na barragem hidroelétrica. As autoridades venezuelanas dizem tratar-se de uma “guerra elétrica”.

Fomos alvo, novamente, de guerra elétrica. Desta vez atacaram a geração e transmissão, no estado de Bolivar (sudeste do país), especificamente em El Guri (barragem), na coluna vertebral da eletricidade”, começou por dizer aos jornalistas o ministro venezuelano da Energia Elétrica, Luís Motta Domínguez.

Um apagão atingiu a Venezuela, esta quinta-feira, deixando pelo menos 18 estados — incluindo Caracas — sem energia. A falha registou-se às 16h52 (20h52 em Portugal Continental) e começou com uma “perda parcial no sistema”, que colocou três geradores fora de serviço.

O ministro do Poder Popular para a Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez, qualificou a ocorrência como um “ato criminoso”.

Sabotaram a geração em El Guri. Isso é parte da guerra elétrica contra o Estado. Não o permitiremos. Estamos a trabalhar para recuperar o serviço”, escreveu Motta Domínguez, numa publicação do Twitter.

De acordo com o Observador, milhares de pessoas ficaram impedidas de regressar a casa, uma vez que o metro ficou impedido de circular. Esta situação obrigou os venezuelanos a terem de recorrer, em grandes números, aos autocarros.

Para além do metropolitano, a falha de energia, que durou mais de quatro horas, obrigou ao fecho temporário de restaurantes, padarias, supermercados, escritórios e centros comerciais.

O caos ficou instaurado com a distribuição de água nos edifícios a ser afetada e as linhas telefónicas e de internet a serem interrompidas. Em menos de duas semanas ocorreram pelo menos três apagões que deixaram Caracas e outros estados venezuelanos às escuras.

Além de Caracas, o apagão afetou os estados venezuelanos de Anzoátegui, Arágua, Barinas, Carabobo, Cojedes, Falcón, Lara, Mérida, Miranda, Monagas, Nova Esparta, Portuguesa, Sucre, Táchira, Trujillo, Vargas, Zulia.

Nos últimos anos, segundo a imprensa venezuelana, milhares de empregados da estatal Corporação Elétrica Nacional da Venezuela abandonaram a empresa, devido aos baixos salários e à crise económica no país.

Rayner Pena / EPA

Anos de apagões

Esta não é a primeira vez que a Venezuela fica às escuras. Nos últimos anos, o país registou inúmeros apagões, oficialmente justificados pela seca, mau tempo, corte e roubo de cabos, incêndios e animais selvagens. E não é a primeira vez que um apagão é oficialmente considerado um “ato criminoso”.

Em dezembro de 2013, um apagão deixou metade do país às escuras, interrompendo um discurso de Nicolás Maduro, que sugeriu que teria sido um ato de sabotagem: “Estoy en Miraflores en equipo, siguiendo el extraño apagón que se desato en el mismo lugar del último Sabotaje, pido al pueblo estar alerta…“.

Em março do ano seguinte, um novo apagão causou um colapso do trânsito na Venezuela, com as ruas a registarem uma inusitada afluência de pessoas que tentavam chegar aos seus empregos e longas filas para apanhar autocarros.

Segundo o ministro venezuelano de energia eléctrica, Jesse Chacón, foi ocasionado por um incêndio no parque nacional Warairarepano, a norte de Caracas.

Em junho de 2014, um outro apagão interrompeu novamente um discurso do presidente Maduro. Segundo fontes não oficiais, a falha teria tido origem nos cabos elétricos situados entre San Gerónimo e La Arenosa, na região central do país.

Há 15 anos, vendíamos electricidade à Colômbia e ao Brasil. Agora damos pena ao mundo”, escrevia um utilizador no Twitter. Em maio de 2016, a Venezuela chegou a adiantar o fuso horário em meia hora para poupar energia.

A decisão de Maduro revertia então uma medida tomada pelo ex-presidente Hugo Chávez em dezembro de 2007, que tinha adiantado em 30 minutos o fuso horário da Venezuela, com o mesmo objectivo de poupar energia.

O último grande apagão registado na Venezuela ocorreu em agosto do ano passado, quando uma falha elétrica voltou a deixar Caracas às escuras depois de, ao longo do dia, terem ocorrido várias quebras de energia elétrica no país.

“Estávamos atentos às oscilações, e quando falhou apagámos rapidamente os frigoríficos e os aparelhos elétricos, porque quando se avariam aqui ninguém paga a reparação”, explicou na ocasião um comerciante afetado pelo apagão.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Ao cuidado da redacção do aeiou:
    Porque é que no título desta notícia “sabotagem” aparece entre aspas? Humm?
    Hummmmm????

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