Varoufakis prefere “cortar o braço” a assinar acordo se o “Sim” ganhar

Valda Kalnina / EPA

O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis

O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, afirmou à rádio australiana que o seu governo poderá demitir-se no caso da vitória do “sim” no referendo do próximo domingo, mas que dialogará com os sucessores.

“Podemos demitir-nos, mas caso isso aconteça será em espírito de cooperação com os que vierem”, declarou Varoufakis, numa entrevista à rádio pública australiana ABC.

No referendo deste domingo, os gregos vão ser consultados sobre se aceitam ou não os termos propostos pelos credores (Fundo Monetário Internacional, União Europeia e Banco Central Europeu) para manter o financiamento ao país.

O ministro das Finanças grego, no entanto, disse-se também convencido de que pode ser rapidamente alcançado um acordo após o referendo que se realiza no domingo porque os credores da Grécia “estão prontos” para uma solução.

“Na segunda-feira, os credores terão a mensagem do povo grego. Eles estão prontos para um acordo, mas queriam ouvir o povo“, disse o ministro à televisão grega ERT.

A Grécia, por seu lado, quer ter na “segunda-feira de manhã uma discussão substancial sobre uma solução viável”, ou seja, que contemple as suas propostas sobre uma restruturação da dívida e sobre a retoma da economia, acrescentou.

“Estamos dispostos a aceitar medidas difíceis” se essas condições estiverem presentes, afirmou.

“Na segunda-feira precisamos de encontrar uma solução no quadro do Eurogrupo”, insistiu, defendendo mais uma vez o “não” no referendo, porque, sustentou, vai dar peso à posição grega.

Questionado sobre um levantamento das medidas de controlo de capitais e de encerramento dos bancos em vigor desde segunda-feira passada, o ministro afirmou que isso é possível “imediatamente” após um acordo.

Horas antes, no seu blogue pessoal, Varoufakis apresentou seis argumentos para votar “não” no referendo de 5 de julho sobre a proposta dos credores – Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional – para desbloquear ajuda financeira ao país.

“As negociações chegaram a um impasse porque os credores da Grécia recusaram reduzir a nossa dívida pública insustentável e insistiram que ela deve ser paga ‘parametricamente’ pelos membros mais fracos da nossa sociedade, os seus filhos e os seus netos”, escreveu no primeiro ponto.

Varoufakis prosseguiu afirmando que o FMI, os Estados Unidos e muitos outros governos mundiais, assim como “os economistas mais independentes”, acreditam que a dívida deve ser reestruturada.

O próprio Eurogrupo, afirma, admitiu em novembro de 2012 que a dívida devia ser reestruturada, “mas agora recusa comprometer-se” a fazê-lo.

Por outro lado, acrescenta, desde o anúncio do referendo, “a Europa tem enviado sinais de que está pronta para discutir a restruturação da dívida”. “Isto mostra que as instituições europeias também votariam ‘não’ à sua própria oferta ‘final'”.

Varoufakis repete que a permanência da Grécia na zona euro e na União Europeia “não é negociável” e assegura que os depósitos nos bancos gregos “estão seguros”.

“O futuro pede uma Grécia orgulhosa dentro da zona euro e no coração da Europa”, conclui o ministro, para afirmar que isso implica os gregos dizerem “não” no domingo porque esse “não” confere ao governo o poder necessário para renegociar a dívida.

/Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Conflito do menino birrento com a permissividade da mãe face ao pragmatismo do pai! VAROUFAKIS/TSYRPAS – POVO GREGO – CREDORES
    Em cinco meses, os mais optimistas, quem mais proferiu “forte possibilidade de chegar a acordo com parceiros” é curioso, foi o represente grego. “Chalatanisse” negocial

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