Varoufakis considera “altamente provável” que o ‘sim’ ganhe referendo

Olivier Hoslet / EPA

Yanis Varoufakis durante uma reunião do Eurogrupo

Yanis Varoufakis durante a reunião do Eurogrupo

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse este sábado que não sabe como será possível “confiar” e “trabalhar” com o atual Governo grego, caso ganhe o ‘sim’ no referendo sobre a aceitação, ou não, da última proposta dos credores.

“Se ganhar o ‘sim’, a grande questão é em quem vamos confiar, com quem vamos trabalhar para implementar esse programa”, afirmou Jeroen Dijsselbloem, em conferência de imprensa em Bruxelas, colocando assim em causa a confiança das instituições do Governo grego liderado pelo Syriza depois de este partido ter dito que iria defender o ‘não’ na consulta popular marcada para 05 de julho.

Os jornalistas questionaram ainda o presidente do Eurogrupo sobre o que é que exatamente o povo grego irá votar, se tanto o programa de resgate como o prazo de validade da proposta dos credores, com as medidas a implementar no país, expiram na próxima terça-feira, 30 de junho.

“Estão-me a perguntar a mim uma questão que deviam fazer – se posso fazer uma sugestão – ao Governo grego. Não posso responder a isso”, afirmou.

O também ministro das Finanças da Holanda não respondeu sobre o que acontecerá aos bancos gregos após o fim do programa de resgate, na terça-feira, dizendo que isso é um assunto que cabe ao Banco Central Europeu (BCE), que até agora os tem financiado através da linha de emergência da instituição.

“Altamente provável” que o ‘sim’ ganhe

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, aproveitou a sua conferência de imprensa para responder às dúvidas de Dijsselbloem sobre a credibilidade do Governo grego para levar a cabo um programa.

“Então, entendo que o senhor Dijsselbloem ficaria feliz se implementássemos propostas sem termos o voto do povo grego, mas se tivermos o voto do povo grego já será um problema”, disse Yanis Varoufakis, também em conferência de imprensa.

Varoufakis garantiu que o Governo de que faz parte está completamente empenhado em executar a decisão do povo grego qualquer que ela seja e que se a resposta for “sim” – o que considerou mesmo “altamente provável” – tudo farão para isso, mesmo que isso signifique mudanças no Governo.

O ministro das Finanças grego mostrou ainda vontade de que continuem nos próximos dias e noites as negociações com os credores para “melhorar as propostas das instituições”.

“Nesse caso, a recomendação do nosso Governo mudaria. Em vez de recomendarmos aos eleitores que votem contra este acordo, mudaríamos para uma recomendação de voto no ‘sim’“, adiantou.

No entanto, as instituições já deram a entender que depois da suspensão “unilateral” das negociações pelo Governo grego que agora já não têm nada a discutir.

Aliás, depois da reunião do Eurogrupo com os 19 ministros da zona euro, decorre agora uma segunda sessão de trabalho, mas sem o executivo grego, para discutir as “consequências” de o programa de assistência à Grécia expirar na terça-feira sem acordo.

/Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Em sede parlamentar não passa… Dar ao povo questões de economia de estado ,contas públicas, dívida soberana e credores só pode ser brincar aos políticos porque o povo, esse presta-se à abstenção ou a “não pagamos eles estão a roubar-nos”… Entretanto com as ideias do Varoufakis, os gregos continuam entretidos a levantar as suas economias da banca para de baixo do colchão,

  2. O governo Grego não pode atraiçoar a maioria do que votou nele,é um governo de mudança.Fazem bem referendar, para que o Povo Grego dicida se aceita as propostas dos credores ou não.O governo esta para defender os interesses dos cidadões e não fazer acordos sem autorização do povo Grego, pois correm perigo
    de convulsão social e terem que ir novamente para eleições.

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