Portugal não vai registar quem recuse ser vacinado (e vai receber mais 2,2 milhões de doses)

José Coelho /Lusa

Ao contrário da vizinha Espanha, Portugal não vai efetuar o registo das pessoas que recusem ser vacinadas. Na sequência da aquisição pela Comissão Europeia de mais 100 milhões de doses à farmacêutica, o país vai receber 2,2 milhões de doses adicionais da vacina da Pfizer/BioNTech.

O país vai receber mais 2,2 milhões de doses da vacina da Pfizer/BioNTech, além dos 22 milhões que já estavam previstos. A informação foi confirmada pelo Ministério da Saúde ao jornal Público.

A SIC Notícias avança que Portugal vai passar, assim, a contar com mais de 24 milhões de doses para vacinar toda a população. O Ministério informou ainda que as vacinas contra a covid-19 vão ser entregues em parcelas e que ainda é prematuro avançar com datas ou prazos.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, anunciou a nova aquisição de vacinas no Twitter.

“Decidimos adquirir 100 milhões de doses adicionais da vacina Pfizer/BioNTech, que já está a ser usada para vacinar cidadãos por toda a União Europeia. Teremos assim 300 milhões de doses desta vacina, que foi considerada segura e eficaz. Mais vacinas se seguirão!”, escreveu.

Esta terça-feira, a ministra da saúde, Marta Temido, anunciou que a vacinação contra a covid-19 de idosos e profissionais dos lares e unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados começa já na próxima semana.

A vacinação em lares arranca nos 25 concelhos do país que se encontram em risco extremo e já estão identificadas as primeiras 150 estruturas onde irá começar a vacinação. Por região, são 11 no Norte, cinco no Centro, um em Lisboa e Vale do Tejo e oito no Alentejo.

“Está prevista a entrega de vacinas da Pfizer na semana que começa a 4 janeiro. Nesse momento, iremos prosseguir a vacinação dos profissionais de saúde, mas também iremos avançar na vacinação em estruturas residenciais para idosos. O critério de início desta vacinação é relacionado com os concelhos onde há maior incidência de covid-19”, explicou.

Na semana seguinte, a partir de 11 de janeiro, a vacinação avança para os lares de idosos dos restantes concelhos.

Até agora, a vacina contra a covid-19 já foi administrada a 16.701 profissionais de saúde. O número, com base no sistema de registo de vacinas, foi relevado numa conferência de imprensa ao final da tarde pela ministra da saúde, que fez o balanço dos primeiros dias da vacinação.

“[É] um número que ultrapassa aquilo que teriam sido as doses que chegaram no dia 26, mas que reflete já também aquilo que foram as doses chegadas ontem [segunda-feira] e que começaram hoje a ser administradas”, sublinhou Marta Temido.

Duarte Cordeiro, coordenador regional de Lisboa e Vale do Tejo para a covid-19 e secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, disse esta terça-feira que o início do processo de vacinação foi “exemplar” e estimou que, até ao final de fevereiro, trabalhadores e utentes de estruturas residenciais estejam vacinados.

“Confiamos muito nos profissionais de saúde e têm sido dias exemplares. Está a correr muito bem, com os profissionais a darem o exemplo e a atestarem a segurança da vacina, o que é muito importante e nos dá a confiança de que tudo vai correr bem”, afirmou.

A vacinação contra a covid-19 arrancou no domingo para os profissionais de saúde, um dia depois de ter chegado o primeiro lote de 9.750 vacinas da Pfizer/BioNTech. Esta segunda-feira, Portugal recebeu mais 70.200 doses.

Não haverá registo de pessoas que recusem vacina

Portugal não vai realizar o registo das pessoas que recusem ser vacinadas contra a covid-19. A garantia foi dada por Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, apesar de salientar a “adesão enorme” ao processo de vacinação nestes primeiros dias.

A responsável distanciou-se, assim, da posição assumida por Espanha, que vai manter um registo com o nome das pessoas que recusarem receber a vacina.

Há coisas que podem evoluir ao longo do tempo, mas, até à data, esta vacina está a ser considerada igual às outras. Apesar de ser nova, de ter sido feita em tempo recorde e de ter uma tecnologia diferente, não deixou de passar pelo crivo da Agência Europeia do Medicamento e não é um medicamento experimental”, explicou.

Sublinhando que a vacinação “é um ato voluntário e fortemente incentivado”, Graça Freitas adiantou que o facto de existir uma pandemia não alterou até agora o protocolo e que “esta vacina vai seguir os mesmos trâmites das outras” vacinas. “Se uma pessoa não se apresentar, não é vacinada, mas também não fica registado que não quis.”

ZAP // Lusa

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11 COMENTÁRIOS

  1. Portugal, com os nossos impostos, irá adquirir vacinas para toda a população.
    Alguns não a querem tomar e «as vacinas vão para o lixo».
    Se estes adoecerem?
    Teremos todos que suportar o elevado custo dos tratamentos hospitalares e inerentes baixas médicas?
    Os seguros de saúde cobrirão as despesas de segurados que não se tenham vacinado por vontade própria?
    No chip do Cartão de Cidadão ficará registada a vacinação?
    A entidade empregadora terá direito a exigir um comprovativo de vacinação aos seus funcionários?
    dúvidas…

    • Se você acha que os cidadãos não devem pagar pelos tratamentos hospitalares, a quem não queira vacinar-se, pergunto-lhe se concorda com o facto de termos todos de pagar os tratamentos do cancro do pulmão devido ao tabagismo e os tratamentos da cirrose devido à santa pomada.
      Temos um SNS como o nosso por uma razão. Aqui não há preferencias, todos são atendidos.
      As vacinas que não forem usadas não vão para o lixo, serão enviadas certamente para outros países como os da Lusofonia e que não conseguem adquirir as vacinas em número suficiente.

    • José e quando voce bebe pinga da boa, tenho de pagar para o tratamento da sua cirrose?
      E da diabetes pq voce gosta de comer bem. Tenho de pagar?

  2. Se há vacinas obrigatórias; difteria e tétano – calamidades terríveis que a população já esqueceu – porque razão não é também obrigatória a do COVID19? Não estamos a falar de um precedente. Já existem vacinas obrigatórias e já. São-no (obrigatórias), pelo bem nacional. Esta não? Porquê?

    • @Francisco: Ao contrário da vacina do Covid-19. As vacinas como a do tétano e a gripe sazonal, entre muitas outras, já estão no mercado e em uso há décadas. Já sabemos quais são os seus efeitos secundários a médio e longo prazo.
      A vacina contra o Covid-19 está em TESTES somente há TRÊS MESES. Não sabemos quais são os seus efeitos secundários a médio e longo prazo. Aliás, já há vários casos de efeitos secundários muito graves em pessoas que já levaram a vacina contra o Covid-19. Desmaios e desequilíbrios. Alergias graves. E até já houve casos de pessoas que perderam a sua função motora. Para não falar das várias pessoas que ofereceram-se para testarem a vacina e que faleceram devido à mesma. E ainda agora começou a vacinação.
      Só uma pequena observação. A vacina da gripe sazonal de cada ano é criada baseando-se nos dados correspondentes aos vírus do ano anterior. Por exemplo, a vacina da gripe deste ano foi criada para combater os vírus conhecidos até o ano passado. No entanto, todos os anos morrem milhares de pessoas devido à gripe sazonal.
      Agora explique-me o seguinte. Como é que uma vacina que foi testada somente durante três meses, sem sabermos os efeitos e sequências da mesma, vai combater um vírus novo que está há tão pouco tempo no ar? Para não falar em como os “especialistas” já anunciaram publicamente que a mesma está preparada para a próxima estripe do Covid-19 se nem sabem como será a próximo mutação do vírus?

      • Mortos pela Vacina? Quem? Quando? Onde?

        Quem percebe de vacinas (não eu) diz que o processo das mRNA é francamente mais seguro que o das mortas, atenuadas e tóxicas. Nas coisas que não percebo tenho o hábito estupido de confiar em confiar em quem efectivamente sabe do assunto.

        Mas sim, quando começarem a ser vacinados milhões de pessoas ha sempre de haver um morto. So nos EUA morrem todos os anos mais de 5000 pessoas por comer. Engasgadas! Respirar é um risco.

    • @Francisco: As vacinas da difteria e tétano que menciona, embora constam no Programa Nacional de Vacinação (PNV) não são obrigatórias. No entanto, e como são essenciais para a prevenção de algumas doenças, são fortemente recomendadas pelo PNV.

  3. Tenho medo do que o meu povo se está a tornar, aqueles que valorizam a “pandemia do medo” estão agora a valorizar a obrigatoriedade de tomar a vacina. E já preconizam castigos para quem não aceitar ser vacinado, inclusive a não aceitação no SNS para tratamento se não for vacinado. Isto são atitudes altamente ditatoriais, atentados extremos às liberdades da cada cidadão, fundamentalismos de quem emprenhou pelos ouvidos e se considera detentor de uma verdade universal. É o povo que temos, maioritariamente ditadores. A quem se quiser vacinar ninguém irá impedir e se tiverem problemas de saúde por esse motivo, também não devem aparecer opositores a que estes sejam tratados no SNS. É esta a diferença entre “cidadões” e cidadãos.
    Quanto à lista de quem não se quer vacinar nem é preciso, acedem ao registo de que se vacinou e ficam esclarecidos.

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