Mais duas urgências encerradas. A idade ligada ao trabalho nocturno

(dr) SetubalTV

Centro Hospitalar Barreiro Montijo

“Estamos exaustos”, admite médica no Centro Hospitalar Barreiro Montijo. Dois serviços na Grande Lisboa vão fechar durante 12 horas.

Feriados “colados” ao fim-de-semana, férias, casos de COVID-19, licenças, falta de recursos humanos.

Todos são motivos para a falta de médicos e para as equipas reduzidas, dois factores que originaram quatro dias seguidos com problemas nas urgências hospitalares em diversos pontos do país.

Os constrangimentos chegaram ao Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), onde não houve cirurgia geral, ao Hospital de Vila Franca de Xira, com constrangimentos nas urgências gerais, e outros serviços foram encerrados na Guarda (ortopedia) e em Portimão (pediatria).

Ao início da tarde desta segunda-feira, mais um anúncio: no Hospital de São Francisco Xavier e Centro Hospitalar Barreiro Montijo as urgências de ginecologia e obstetrícia vão fechar mais logo, às 20 horas, reabrindo 12 horas depois, às oito da manhã de terça-feira.

As grávidas vão seguir para a Maternidade Alfredo da Costa, Hospital de Cascais Dr. José de Almeida, Hospital de Setúbal, Hospital Garcia de Orta, ou para o Hospital de Santa Maria.

Este último caso, de Santa Maria (Lisboa), recebeu mais de 100 grávidas nestes últimos dias; cerca do dobro da afluência habitual. Houve partos nas enfermarias, com situações de algum risco, revelou o seu director.

A idade e os recursos humanos

O Centro Hospitalar Barreiro Montijo, um dos que vão encerrar ginecologia e obstetrícia durante a madrugada, tinha de manhã apenas duas obstetras em serviço.

Vera Vilhena era uma delas e afastou o cenário de férias (recorde-se que, em Lisboa, esta segunda-feira é feriado, dia de Santo António), ou de baixas, para a origem deste cenário. A questão principal é a “falta de recursos humanos que existe há muito tempo”.

“É uma situação complicada, que não é nova. O Verão é sempre complicado mas este está a ser mais complicado”, começou por dizer a médica, à RTP.

Vera explicou que metade dos profissionais no hospital tem mais de 55 anos e pode pedir dispensa do trabalho nocturno – e muitos deles já o fizeram. Outros atingiram ou ultrapassaram o limite de horas extra previsto por lei.

Por isso, “sobra” para quem fica e a exaustão aparece: “Tal como acontece noutros hospitais do país, estamos exaustos. Fazemos horas extra para tentar preencher toda a escala de urgência – que depende muito de serviços de prestadores externos”.

A solução, de acordo com Vera Vilhena, é “uma reorganização e uma valorização dos médicos que lutam pelo Serviço Nacional de Saúde. Estamos cá por amor à camisola e não temos sido muito bem tratados”, lamentou.

O próximo fim-de-semana não deverá ser mais tranquilo: haverá feriado na quinta-feira, sendo fim-de-semana prolongado para muitos profissionais. E na semana seguinte haverá São João “encostado” ao fim-de-semana.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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