Menos teoria e aulas à distância. Universidades desenham revolução nos cursos

Rodrigo Antunes / Lusa

As universidades estão a levar a cabo uma revolução nos seus cursos, com menos aulas teóricas e mais aulas práticas. O ensino à distância também veio — parcialmente — para ficar.

A pandemia serviu de condão para despoletar uma revolução no Ensino Superior. As universidades estão a remodelar os cursos para que tenham menos horas de aulas, lições gravas para ouvir em casa e currículos flexíveis, adaptados às necessidades e desejos de cada aluno.

“Não podemos continuar a dar as aulas como fazemos há 50 anos, porque hoje lidamos com jovens que são nativos digitais e que têm uma mentalidade completamente diferente. Muitas instituições vão definhar se não se adaptarem às novas tendências a nível da metodologia, da organização dos currículos e da evolução tecnológica”, diz o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, em declarações ao Expresso.



“O ensino à distância veio para ficar e vai transformar completamente as instituições”, acrescentou.

A Universidade de Coimbra criou uma plataforma de ensino à distância durante a pandemia, que vai manter no futuro. A ideia é os alunos terem as aulas teóricas em casa e encontrarem-se na universidade para as aulas práticas e para a realização de projetos.

O próprio Plano de Recuperação e Resiliência contempla 250 milhões de euros para a modernização pedagógica nas universidades e politécnicos. O ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, defende uma redução da carga letiva através da diminuição das aulas teóricas.

“Hoje há uma grande quantidade de informação a que pode aceder de forma rápida, o que faz com que parte do que era a função docente, que era transmitir informação, se tenha tornado grandemente redundante”, sublinha o presidente do Instituto Superior Técnico (IST), Rogério Colaço.

O IST também vai passar a permitir uma maior flexibilidade na criação dos currículos. “Uma excessiva rigidez nos currículos dificulta mudanças profissionais, que vão tornar-se mais frequentes num mercado de trabalho cada vez mais dinâmico”, defende Colaço.

Orientar as universidades para o ensino de adultos é também uma das prioridades. Além disso, na Universidade Nova de Lisboa, por exemplo, todos os cursos darão formação em empreendedorismo e programação.

ZAP //

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15 COMENTÁRIOS

  1. Quando existem medidas pseudo-salomonicas do “menos aulas teóricas”, é sempre de duvidar. Como se tal fosse algo óbvio e positivo. Ora bem, não é. Querem é mandar cá para fora malta que saiba mexer nas caixas registradoras. E quanto mais depressa melhor. O ensino está cada vez mais especializado, não por uma questão de conhecimento, mas sim por uma questão económica. Conhecimento teórico parece ser um empecilho a essa visão. Isto deveria acender luzes vermelhas por todo lado mas tal não acontece porque já convenceram as pessoas do contrário. O normal vai ser isto? Pessoas cada vez mais práticas mas também mais burras ?

  2. As aulas à distância são por norma 90% teóricas por falta de meios técnicos (alguns não existem sequer, não foram inventados) portanto como é temos “menos teoria” e em simultâneo mais aulas à distância? Alguém está a mentir.

  3. Ze Torres, embora concorde totalmente com a ideia que pretende transmitir (se a entendi) – a informação teórica é indispensável para que se possa ter melhor compreensão das áreas que se estuda (lógica semelhante para tudo o resto, mas num curso superior espera-se que tal aconteça na área de estudo), não concordo com o final: a informação teórica com certeza torna as pessoas mais cultas, é uma ferramenta que pode permitir melhor compreensão, mas tal não é garantido, além de que inteligência não deve ser medida pela quantidade de informação de que se dispõe, mas pela capacidade para utilizá-la de forma a obter algo mais do que interiorizou.

  4. Sim. O conhecimento teórico alicerça o conhecimento prático. Mas, como refere o artigo, o ensino (superior) não é hoje o mesmo que existia há 50 anos. Hoje, nenhum (bom) professor pode competir com poderosíssimas bases de dados científicas (ex: google académico) onde os alunos possuem livre acesso. Hoje o papel do professor não será o de expor matérias, mas o de orientar os alunos na pesquisa dessas matérias.

    • Exatamente, o modelo de ensino em que os alunos ficam sentados a ouvir o professor dizer em voz alta o que podem facilmente ler num livro ou na Internet já está à muitos anos esgotado (tirei a licenciatura à mais de 25 anos e já muitos optavam por nem ir às aulas teóricas). É fundamental que os professores evoluam de um papel puramente emissor para serem os dinamizadores e orientadores do estudo e debate dos alunos sobre as matérias relevantes.
      Talvez a subtil diferença esteja em não se falar de ter menos aulas teóricas e mais práticas, mas sim em ter menos aulas de apresentação de matéria e mais aulas de debate e revisão teórica.

  5. De que adianta “minerar” um conhecimento teórico, que sequer vai ser utilizado? As coisas estão cada vez mais rápidas e as especializações são cada vez mais necessárias! Óptima medida!!

  6. O comentário de Ze Torres é oportuno e construtivo. Por detrás das reduções disto e daquilo só estão mesmo cortes por motivos economicistas, mas anunciados como uma revolução gloriosa.

  7. Depende muito dos cursos universitários de que estejam a falar. Se for um curso de tretas, tudo bem, mas se for algo com mais valor cientifico, duvido muito dessa nova tendência. Antes de avançarem com mudanças muito radicais, façam um estudo de mercado: perguntem aos estudantes atualmente no terceiro ano da licenciatura (por conseguinte, que tiveram acesso à velha metodologia) se preferem as aulas teóricas clássicas ou algo gravado para ouvirem e casa. Organizem as conclusões por áreas.

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