Dez anos depois do último voo, o Space Shuttle está vivo no novo Space Launch System

MSFC / NASA

O novo Sistema de lançadores da NASA, Space Launch System

O novo lançador da NASA é a maior esperança da Humanidade em chegar a Marte, mas conta também com alguns motores veteranos de missões anteriores.

É a grande promessa do mundo da astronomia. A NASA garante que o SLS é o “foguetão mais poderoso” que alguma vez construiu. Com ele, procura cumprir a Missão Ártemis e levar astronautas à Lua pela primeira vez desde 1972 para criar uma presença humana a longo prazo no satélite.

Desde que foi anunciado, em 2011, que o SLS é um elemento fulcral nos planos da agência americana de chegar a Marte, e tanto representa a esperança de futuras viagens por territórios nunca antes explorados como a glória dos avanços gigantes do passado.

Prova disso são os quatro motores RS-25 datados dos anos 70 que fazem parte do novo projecto e que, entre todos, fizeram 25 voos no Space Shuttle. Um dos motores, o número 2060 produzido pela Rocketdyne, fez até parte da última missão do Shuttle, STS-135, a 8 de Julho de 2011.

Doug Bradley estava no Kennedy Space Center nesse último lançamento. “Já tinha feito muitos voos, mas foi diferente para o 135º. Foi eléctrico. É gratificante ver os motores ressuscitados e o que é melhor do que ir até à Lua e Marte?”, revela o então Engenheiro da Aerojet Rocketdyne à Popular Mechanics.

Agora com o título de Engenheiro Chefe do Espaço e Lançamento Avançados na Aerojet Rocketdyne, Bradley está a acompanhar o regresso dos RS-25. E que regresso vai ser: um motor criado originalmente com réguas e papel gráfico vai fazer parte da Missão Ártemis, uma campanha plurianual para levar a Humanidade a Marte.

Na altura recentemente formado em Engenharia, Doug Bradley começou a trabalhar no RS-25 em 1977, cinco anos depois do início da produção do foguetão.

“Eu era da moda antiga. Qualquer design tinha de ser em papel, um desenho físico num quadro com canetas ou lápis. Começaram a fazer testes de fogo quente em 1975, mas 1977 ainda estávamos a queimar um número significativo de motores. Estava na turbo maquinaria e levávamos com o impacto de alguns dos danos, por isso era muito entusiasmante”, conta.

O coração do RS-25 consiste em quatro turbo bombas. Estas ventoinhas criam uma pressão que lentamente liberta hidrogénio líquido e oxigénio líquido para a principal câmara de combustão. A câmara chega a atingir temperaturas de mais de 6000ºF, cerca de 3300ºC.

O RS-25 nasceu de testes incessantes conduzidos numa era pré-computador. Para garantir a segurança numa situação de emergência, a NASA exigiu que os motores aguentassem pelo menos 65.000 segundos de chamas e fumo antes de levantar voo, apesar de o motor trabalhar durante apenas 510 segundos durante uma missão. Décadas mais tarde, este impulso extra tornou-se essencial na avaliação dos motores para o SLS.

O primeiro Space Shuttle foi lançado a 12 de Abril de 1981 e foi o pioneiro no mundo das naves espaciais tripuladas reutilizáveis, sendo também o RS-25 o primeiro motor reutilizável. Quando a missão aterrou, foram retirados os motores e inspeccionados antes de serem usados noutras missões.

NASA

Motores RS-25 do Space Shuttle Discovery

“Chamo-lhes meus filhos porque vivi com estes motores desde o dia em que nasceram, quando foram montados, quando foram testados, quando voaram. Tenho 16 filhos únicos. Amo-os todos, mas cada um tem as suas idiossincrasias“, conta Bill Muddle, Engenheiro da integração de campo da Aerojet que trabalhou no Space Shuttle na Florida desde 1989, à Popular Mechanics.

Os motores RS-25 alimentaram as missões do Programa Space Shuttle durante 30 anos, com uma taxa de segurança de 99,95%. Tudo apontava para que o fim do programa em 2011 significasse também a reforma destes motores, mas a NASA tinha outros planos.

O regresso em 2015

Quatro anos depois do anúncio do SLS em 2011, voltar a chamar ao trabalho um motor confiável, eficiente e com provas dadas pareceu uma escolha lógica para a tradicionalmente pouco arriscada NASA.

Em Novembro de 2015, a agência espacial norte-americana investiu 1.16 mil milhões de dólares, cerca de 980 milhões de euros, para a adaptação dos motores veteranos ao novo sistema e começar a produção para mais seis novos motores. “Ouvimos isso, celebramos durante 10 minutos e depois começamos a trabalhar”, confessa Bradley.

Em Maio deste ano, a NASA já reforçou a encomenda à Aerojet Rocketdyne, oferecendo mais 1.79 mil milhões de dólares, ou 1.5 mil milhões de euros, para produzir mais 18 motores para a missão.

O primeiro voo do SLS está planeado para Novembro deste ano, mas é provável que a viagem inaugural seja adiada para 2022, viagem essa que Bradley secretamente espera poder ver com os seus “próprios olhos”.

AP, ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Caro ZAP
    No antepenúltimo parágrafo: … 1.16 mil milhões de dólares (ou melhor: 1,16 mil milhões de dólares), são cerca de 0,980 mil milhões de euros (ou seja, 980 milhões de euros) e não “980 mil milhões de euros”…

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