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De “propaganda” a “manipulação populista”. Tweets polémicos do Ministério da Cultura causam alvoroço nas redes sociais

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Tiago Petinga / Lusa

A ministra da Cultura, Graça Fonseca.

A ministra da Cultura, Graça Fonseca.

O Ministério da Cultura, tutelado por Graça Fonseca, usou a conta oficial no Twitter para enaltecer os investimentos do Governo PS no setor, e foi mais longe, comparando-os aos do Governo PSD/CDS.

Na terça-feira, foram publicados dois tweets na conta oficial do Ministério da Cultura em que são feitas comparações sobre os investimentos no setor por este Governo e pelo Executivo PSD/CDS.

Os gráficos publicados mostram que o montante a aplicar na Cultura em 2022 é muito superior ao de 2015, o último ano do Governo PSD/CDS.

No programa Linhas Vermelhas, na SIC Notícias, o tema foi abordado por Miguel Morgado. Na noite de quarta-feira, o social-democrata considerou que aqueles textos e gráficos eram “uma perfeita aldrabice” e “um uso ilegítimo de meios do Governo para fazer propaganda política”.

Pedro Delgado Alves, deputado do PS, respondeu: “Este tweet é lamentável, condenável e não justificável em contexto algum. Não compete a uma conta oficial do Governo entrar num debate comparativo com um governo anterior.”

O antigo militante do Bloco e comentador político Daniel Oliveira também comentou o assunto na mesma rede social. “Os orçamentos para a Cultura têm sido vergonhosos. Mas isso nem é um debate quando um perfil de uma rede social do Estado é usado para propaganda descaradamente partidária, ainda mais no meio de uma negociação. A pressa para entrar na fase da campanha eleitoral parece ser grande”, escreveu.

O líder centrista Francisco Rodrigues dos Santos também não ficou calado e afirmou, em declarações ao jornal i, que a “publicação em causa revela uma enorme desonestidade intelectual e uma manipulação populista sem qualquer freio“.

“O que é ainda mais inacreditável é que se usem plataformas oficiais do Governo para fazer propaganda sectária e partidária. O descaramento desta governação começa mesmo a atingir níveis absurdos”, acrescentou.

Ricardo Baptista Leite, deputado do PSD, questionou, também no Twitter, se aquela seria “mesmo a conta oficial do Governo”.

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O Público tentou questionar a tutela, mas sem sucesso. Esta quinta-feira à noite, um assessor da ministra Graça Freitas entrou em contacto com o diário, garantindo não ter recebido qualquer e-mail por parte do jornal. O Público voltou a enviar as perguntas para o novo endereço eletrónico dado pelo colaborador e está a aguardar as respostas.

  ZAP //

6 Comments

  1. Concordo que é propaganda (embora aparentemente seja verdadeira) mas não concordo que o governo actual seja de “esquerda” – seja lá o que isso for – porque não acredito que o PSD faria algo muito diferente…
    Chamar “centristas” ao CDS também é para rir… quando muito, centristas são o PS e o PSD!!
    De resto, o pessoal da cultura tem que ter calma porque há prioridades e “nem só de cultura vive o homem” – até porque, o que é “cultura” é cada vez mais discutível!..

    • Consta que, durante a 2.ª Grande Guerra, o governo de Churchill, abrigado no bunker, destinou uma parcela significativa do orçamento ao ministério da Cultura, tendo este facto sido questionado por um dos ministros que fundamentou a sua opinião com a questão das prioridades conjunturais. Churchill terá respondido que “se não tivermos cultura, estamos aqui a defender o quê?”

      • Compreendo o teu ponto (e concordo) mas, na verdade, Churchill nunca disse tal coisa!
        “No, Winston Churchill didn’t say ‘what are we fighting for?’ about the arts”
        PolitiFact, April 2, 2019

        O problema é que agora a “cultura mainstream” é mais lixo americano (ou de influência a americana) do que propriamente cultura…
        Um DJ com uma pen USB (e com a mão no ar) – e que nem sabe sequer o que é um acorde – “vale muito mais” do que uma Orquestra Filarmónica de Viena…

        • Sim, já confirmei que é apenas uma entre a mil e uma frases atribuídas, muitas vezes falsamente, ao estadista. No entanto, afirmou algo que em Portugal não existe no seu ministério da Cultura. Este, várias vezes, foi reduzido a uma secretaria de Estado, mostrando-se, assim, o desprezo usual no nosso querido País pela Cultura. Muitas outras vezes, foi a Fundação Calouste Gulbenkian que substituiu o ministério. O que Churchill disse, de facto, foi “As artes são essenciais para qualquer vida nacional completa. O Estado deve a si mesmo sustentá-los e incentivá-los. O país possui na Real Academia uma instituição de riqueza e poder com o propósito de incentivar as artes da pintura e escultura…” (mesmo artigo no PolitiFact). Basta ver a imponência dos museus londrinos (Britânico e outros), ou do Louvre em Paris, para se perceber a importância que esses países dão, desde o século XIX, à Cultura como alicerce do Estado.
          Os créditos de atribuição da frase a Churchill pertencem à Village Voice, só depois foi difundida pelo Facebook. Em relação a este, mais os DJ com pendrives e quejandos, concordo completamente consigo, Eu!

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