Começou a guerra comercial entre os EUA e a China. E as bolsas tremem

Jonathan Ernst / Reuters

Donald Trump

O Presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou a aplicação de tarifas sobre as importações chinesas num valor anual até 60 mil milhões de dólares (48,7 mil milhões de euros). Esta quinta-feira, Wall Street registou a terceira maior queda diária em 2018.

Esta bateria de tarifas que visa as importações chinesas, que já tinha sido avançada algumas horas antes por altos funcionários da Casa Branca, pretende travar, segundo as palavras de Trump, a concorrência desleal por parte de Pequim e restringir o roubo de propriedade intelectual norte-americana.

Trump impôs taxas aduaneiras em mais de 1000 produtos importados da China e apontou ainda restrições ao investimento chinês em território norte-americano.

O presidente falou de taxas sobre “cerca de 60 mil milhões de dólares” de importações e disse que exigiu a Pequim medidas para reduzir “imediatamente” quase 1/3 do atual défice comercial dos EUA em relação à China.

Apesar destas medidas, Donald Trump insistiu, durante numa intervenção feita a partir da Casa Branca, que a China é um país “amigo” e que tem “imenso respeito pelo presidente Xi Jinping”. Também enfatizou a sua excelente relação pessoal com o seu homólogo chinês.

Em resposta, avança o Público, os chineses ameaçaram taxar produtos oriundos dos EUA como a carne de porco, alumínio, maçãs, vinho, etanol e tubos de aço.

O Ministério do Comércio chinês anunciou uma resposta em duas fases às medidas norte-americanas, que podem passar pela imposição de taxas alfandegárias entre 15% e 25% sobre um grupo de 128 produtos importados dos EUA, se as negociações com Washington não resultarem. Efeitos colaterais poderão prejudicar multinacionais norte-americanas com forte presença no mercado chinês, como a Apple, Intel, Ford e Boeing.

A possibilidade de uma guerra comercial entre duas das maiores potências mundiais provocou um terramoto em Wall Street, conta o Expresso, onde se registou a terceira maior queda diária de 2018 após o anúncio de Donald Trump.

Esta quinta-feira, Wall Street caiu 2,5% e o índice de pânico financeiro em Wall Street disparou 31%, a segunda maior subida do ano depois da escalada a 5 de fevereiro.

Mas nem só Wall Street tremeu, já que o clima de guerra comercial se apoderou esta sexta-feira das Bolsas da Ásia e as colocou perto da derrocada. O índice Nikkei 225, em Tóquio, a mais importante bolsa da região, perdeu 4,5%. Xangai, a segunda praça financeira asiática, viu o índice composto cair mais de 3%.

O conflito aberto pelo memorando assinado por Trump não tem, apenas, uma dimensão comercial. Implica, também, uma dimensão geopolítica, onde o risco de “acidentes” aumenta, frisa, esta sesta-feira, uma nota do Commerzbank para os seus clientes, citado pelo Expresso.

Temporariamente isentos

Robert Lighthizer, o responsável pelo Comércio Externo na Administração Trump, disse no Senado norte-americano que foram isentos temporariamente da aplicação dos direitos aduaneiros as importações daquele metais da Argentina, Austrália, Argentina, Brasil (quarto fornecedor de aço), Canadá (principal fornecedor de aço e de alumínio), Coreia do Sul (segundo fornecedor de aço), México (terceiro fornecedor de aço) e União Europeia.

Ficaram de fora da “pausa” na aplicação das taxas a China (segundo fornecedor de alumínio), Rússia (terceiro fornecedor de alumínio), Taiwan, Japão, Índia, Emirados Árabes Unidos e Turquia entre os fornecedores de aço e alumínio.

O Conselho Europeu decidiu adiar a discussão sobre a nova política comercial dos EUA e a resposta a dar pela União Europeia.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Em tempos americanos e europeus abriram as portas aos países asiáticos com a cantilena da globalização acabaram por arruinar milhares de postos de trabalho por cá e quem levou a maior parte do bolo foram os asiáticos, agora este talvez no que toca ao seu país consiga pôr alguma ordem na reciprocidade das trocas comerciais entre ambos.

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