Trump é “como uma criança de 12 anos numa torre de controlo de tráfego aéreo”

Jim Lo Scalzo / EPA

O autor anónimo de um livro sobre a Casa Branca de Donald Trump descreveu o Presidente dos Estados Unidos (EUA) “como uma criança de 12 anos numa torre de controlo de tráfego aéreo, a carregar nos botões do Governo indiscriminadamente, indiferente aos aviões que derrapam na pista e aos voos que se desviam freneticamente do aeroporto”.

Segundo publicou na quinta-feira o Washington Post, citado pelo Expresso, alguns excertos do livro A Warning (Um Aviso), escrito por alguém identificado apenas como “um alto funcionário da Administração Trump”.

O autor afirma que colegas seus consideraram renunciar em massa, de modo a fazer soar alarmes sobre a conduta do Presidente, mas acabaram por decidir não o fazer.

O anónimo contou igualmente como as tiradas impulsivas de Donald Trump no Twitter levam muitas vezes altos funcionários “a acordar de manhã em pânico total”. “É como apareceres na casa de repouso ao amanhecer e encontrares o teu tio idoso a correr sem calças pelo pátio e a gritar palavrões por causa da comida da cantina, enquanto assistentes preocupados tentam apanhá-lo”, escreveu, de acordo com o Washington Post.

“Ficas atordoado, divertido e envergonhado, tudo ao mesmo tempo. A diferença é que provavelmente o teu tio não faz isso todos os dias, as suas palavras não são difundidas para o público e ele não tem de liderar o Governo dos EUA depois de vestir as calças, acrescentou o autor.

O livro inclui passagens com Donald Trump a fazer comentários misóginos e racistas e a referir-se ao peso e ao aspeto das pessoas.

A páginas tantas, o Presidente tenta adotar um sotaque hispânico durante um encontro na Sala Oval para se queixar dos migrantes que atravessam a fronteira entre o México e os EUA.

“Vêm estas mulheres com sete filhos e dizem: ‘Oh, por favor ajudem! O meu marido deixou-me!’. São inúteis. Elas não fazem nada pelo nosso país. Ao menos se viessem com os maridos, podíamos pô-los a apanhar milho nos campos ou algo assim”, lê-se numa passagem citada pelo jornal norte-americano.

A porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, criticou o livro e o anonimato do autor. “O cobarde que escreveu este livro não pôs o seu nome nele porque isto não passa de mentiras”, disse, citada pelo Guardian, acrescentando que os jornalistas devem referir-se ao livro “como aquilo que ele é: uma obra de ficção”.

“Decidi publicar isto anonimamente porque este debate não é sobre mim. É sobre nós. É sobre como queremos que a presidência reflita o nosso país e é aí que a discussão deve centrar-se. Alguns chamarão a isto cobardice. Não fico magoado com a acusação. E estou preparado para juntar o meu nome às críticas ao Presidente Trump. Talvez o faça no tempo devido”, justificou-se o autor, citado pelo Washington Post.

Este é o mesmo autor anónimo que no ano passado escreveu um artigo de opinião para o jornal New York Times, intitulado I Am Part of the Resistance Inside the Trump Administration (Sou Parte da Resistência Dentro da Administração Trump). Na peça, o autor afirmava que alguns altos funcionários da Casa Branca colaboravam para proteger o país e o público de alguns dos impulsos mais perigosos e irresponsáveis de Trump.

ZAP //

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