Trump assegura não estar “à procura de guerra”. Mas impõe novas sanções ao Irão

Jim Lo Scalzo / EPA

O Presidente dos EUA, Donald Trump

O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, assegurou no domingo não estar “à procura de guerra” com o Irão. A garantia foi dada no programa “Meet the Press”, da NBC, depois de um comandante militar iraniano ter avisado que qualquer conflito na região do Golfo poderia espalhar-se descontroladamente e ameaçar as vidas das tropas americanas.

Segundo noticiou o Expresso nesta segunda-feira, Donald Trump reafirmou que irá impor novas sanções a Teerão, ao mesmo tempo que manifestava vontade de fazer um acordo para impulsionar a economia iraniana em declínio.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, reiterou que Washington estava preparada para negociar com Teerão sem condições prévias. “Eles sabem exatamente onde nos encontrar”, referiu o responsável, que está de visita à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos para garantir que os EUA estão “estrategicamente alinhados” com esses países, que são rivais regionais do Irão.

Na quinta-feira, Teerão abateu um drone dos EUA e as autoridades iranianas insistem que estava a sobrevoar o seu território, enquanto Washington sublinha que se encontrava em espaço aéreo internacional.

Mais tarde, Donald Trump afirmou ter cancelado um ataque aéreo militar de retaliação porque este teria matado 150 pessoas. E se, por um lado, disse que a ação militar está “sempre em cima da mesa”, por outro, mostrou-se disponível para chegar a um acordo com o Irão que, segundo ele, reforçaria a economia enfraquecida do país.

“Vamos chamar-lhe: ‘vamos tornar o Irão grande outra vez'”, conjeturou.

No sábado, o Presidente norte-americano escreveu no Twitter: “O Irão não pode ter armas nucleares! Sob o terrível acordo de Obama, estariam a caminho do nuclear num curto número de anos, e a verificação existente não é aceitável. Vamos impor sanções adicionais ao Irão na segunda-feira. Aguardo ansiosamente o dia em que as sanções são levantadas e o Irão se torna novamente uma nação produtiva e próspera – quanto mais cedo, melhor!”.

O porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Abbas Mousavi, disse também no sábado à agência de notícias Tasnim que, “independentemente de qualquer decisão que [os EUA] tomem, não permitiremos que nenhuma das fronteiras do Irão seja violada. O Irão enfrentará qualquer agressão ou ameaça da América”.

Para provar que o drone tinha sido abatido em território iraniano, o ministro das Relações Exteriores de Teerão, Javad Zarif, publicou um mapa no Twitter com coordenadas que alegadamente mostram o aparelho a sobrevoar águas territoriais iranianas.

Em resposta, Mike Pompeo reafirmou que os EUA mostraram “sem qualquer dúvida” que o drone estava em espaço aéreo internacional.

Europa insiste em resolução política da crise

Entretanto, o secretário de Estado britânico para o Médio Oriente, Andrew Murrison, anunciou no domingo ter mantido conversações “abertas, francas e construtivas” com representantes governamentais iranianos em Teerão.

“Reiterei a convicção do Reino Unido de que o Irão é quase de certeza responsável pelos ataques recentes contra petroleiros no Golfo de Omã e pedi para que essa atividade parasse”, acrescentou, citado pela Euronews.

Também a chanceler alemã, Angela Merkel, apelara na véspera a uma resolução política da crise, declarando: “É nisso que estamos a trabalhar”.

O Irão ameaçou violar o acordo internacional de 2015, que prevê o alívio das sanções económicas em troca da suspensão das atividades nucleares, se os signatários europeus não o protegessem, escudando Teerão das sanções americanas.

“Os europeus não terão mais tempo para lá de 08 de julho”, lembrou a diplomacia iraniana, referindo-se ao prazo de dois meses definido por Teerão em maio, no primeiro aniversário da retirada unilateral dos EUA do acordo.

TP, ZAP //

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