Trump anunciou acordo com Arábia Saudita que fez disparar petróleo. Mas Rússia desmente

Saudi Press Agency / EPA

Trump em Riade, na Arábia Saudita, na sua primeira visita oficial ao estrangeiro, após ter sido eleito presidente dos EUA.

O Kremlin desmentiu esta quinta-feira mensagens do Presidente norte-americano, Donald Trump, prometendo uma redução da produção saudita e russa de petróleo, que provocaram uma subida forte das cotações, o que compromete aquele crescimento.

Em Nova Iorque, o preço do barril do norte-americano WTI (West Texas Intermediate) para maio progrediu cerca de 25% (5,1 dólares), para 25,32 dólares.

Em Londres, a cotação do barril de Brent, do Mar do Norte, subiu 20% (4,96 dólares), para 29,78 dólares. Esta foi a subida percentual mais elevada que qualquer um destes barris conheceu em sessão até esta quinta-feira. O Brent chegou mesmo a chegar a ter um ganho de 50% em relação ao fecho de quarta-feira e o WTI 35%.

O inquilino da Casa Banca surpreendeu os investidores ao dizer, na Twitter, que “esperava” que a Arábia Saudita e a Federação Russa reduzissem a sua produção “em cerca de 10 milhões de barris, e talvez nitidamente mais”, antes de acrescentar quepoderia chegar aos 15 milhões de barris”, mas sem dar quaisquer detalhes em relação a estes números.

Um corte desta dimensão representaria uma descida colossal da produção do segundo e terceiros maior produtor mundial de petróleo, depois dos Estados Unidos. Com efeito, em fevereiro a produção russa foi de 10,7 milhões de barris diários e a saudita de 9,8 milhões.

Riade já divulgou a sua intenção de aumentar a produção para mais de 12 milhões de barris por dia em abril.

Por outro lado, Trump disse que o seu anúncio seguia-se a uma conversa com o “amigo MBS (iniciais do príncipe herdeiro saudita, Mohammad bin Salman) da Arábia Saudita, que falou com o Presidente Putin”, o que foi imediatamente desmentido pelo Kremlin.

“Não. Não houve essa conversa”, declarou à agência Interfax o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, acrescentando também que “não, por enquanto”, sobre a eventualidade de um contacto entre Putin e Bin Salman.

“O tweet de Donald Trump talvez tenha sido prematuro”, estimou Edward Moya, analista da Oanda, ao constatar uma diminuição súbita do ritmo de crescimento dos preços.

Antes, o ministro da Energia russo, Alexandre Novak, durante uma entrevista radiofónica, tinha dito apenas que “a Rússia não excluía (a possibilidade de) novas discussões com a Arábia Saudita“.

Entretanto, a Arábia Saudita apelou para uma reunião “urgente” da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e outros países, incluindo a Federação Russa, para se chegar a um “acordo equitativo que restabeleça o equilíbrio dos mercados financeiros”, anunciou a agência noticiosa oficial saudita, a SPA.

Durante a última reunião do cartel e dos seus aliados no início de março, em Viena, Riade tinha proposto a Moscovo o aumento dos cortes voluntários da produção existente para sustentar os preços.

Perante a recusa russa, os sauditas optaram pela estratégia inversa, prometendo aumentar a produção e provocando uma guerra de preços, e as primeiras vítimas foram os produtores dos Estados Unidos, cujos custos de produção são mais elevados.

Se os preços mais altos desta quinta-feira “são bem-vindos”, os seus níveis atuais “são insuficientes” para permitir aos produtores do petróleo de xisto nos EUA serem rentáveis, relativizou Andy Lipow, da Lipow Associates.

Mas este mercado continua sob pressão de uma procura débil, devido às restrições impostas aos transportes de pessoas e mercadorias para lutar contra a propagação do novo coronavírus.

“Sem acalmia na frente da pandemia, não vai haver recuperação da procura”, concluiu Lipow, e é pouca a esperança de um regresso dos preços aos níveis do início do ano, que eram mais do dobro dos atuais.

Lusa // Lusa

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