Tradição de comer carne de cão na China já não é o que era, mas a polémica continua

bildungsr0man / Flickr

Mascote ou jantar?

Mascote ou jantar?

Restaurantes de Yulin, sul da China, voltaram a servir carne de cão para celebrar o início do verão, ignorando os crescentes protestos de organizações amigas dos animais, mas a tradição parece estar a perder adeptos.

Como todos os anos, no solstício de verão, aquela povoação da província de Guangxi organizou no fim de semana um Festival de Carne de Cão, iguaria servida com líchias e regada com aguardente de cereais, que segundo crenças locais, “é muito fortificante”, melhora a circulação sanguínea e combate a impotência.

Também todos os anos, grupos de defesa dos direitos dos animais voltaram a pedir a proibição do festival, mas o governo local argumentou que se trata de uma tradição enraizada na população.

Trata-se igualmente de uma fonte de receita para os criadores de cães e os restaurantes que os compram para cozinhar neste dia.

Milhares de cães – as estimativas citadas na imprensa variam entre 2.000 e 10.000 – são cozinhados durante o festival.

No sábado passado, um quilo de cão chegou a atingir o preço recorde de 50 yuan (cerca de 6 euros), disse um jornal. (Um quilo de porco, uma das carnes mais consumidas na China, custa metade daquele preço).

Ativistas de outras regiões da China deslocaram-se a Yulin para protestar contra a realização do festival, tendo-se até registado confrontos físicos com proprietários dos restaurantes, referiu a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

Uma mulher de Tianjin, norte da China, disse ter comprado mais de 200 cães, por cerca de 450 yuan (50 euros) cada um, evitando assim que os animais acabassem no prato.

“Não podemos impedir a população de celebrar esta festa tão antiga, mas à nossa maneira podemos salvar muitos cães“, disse a mulher à Xinhua.

Um responsável dos serviços municipais de Saúde de Yulin citado pela Xinhua indicou que 17 restaurantes da povoação deixaram de servir carne de cão e quatro outros foram proibidos de o fazer.

48 restaurantes locais continuam, contudo, a confecionar aquele prato.

“Embora haja residentes que não desistem da tradição, as vendas durante o festival de carne de cão caíram“, afirmou o China Daily.

Num editorial dedicado ao assunto, aquele jornal defendeu que “as pessoas têm liberdade de comer o que quiserem desde que não seja proibido”, afirmando que “os amigos dos cães não podem considerar-se moralmente superiores aos outros”.

Em Pequim, Xangai e outras grandes cidades chinesas, milhões de famílias, sobretudo da nova classe média, têm cães em casa e tratam-nos com estimação, restaurando o que nas primeiras décadas de Governo comunista era considerado “um hábito burguês“.

Segundo uma revista chinesa da especialidade, em 2009 – catorze anos depois de o Governo ter autorizado cães de estimação dentro das zonas urbanas – havia 58 milhões em 20 cidades e o número aumentava 30% ao ano.

Em Pequim, a licença para ter cão (apenas um por cada casal) custa no primeiro ano mil yuan (120 euros), o que corresponde a mais de metade do salário mínimo mensal na cidade.

/Lusa

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