Estamos a trabalhar menos 652 milhões de horas

worldbank / Flickr

Os portugueses trabalharam um total de 9140 milhões de horas durante o ano terminado no terceiro trimestre de 2018, um valor que ainda não chega para voltar aos níveis anteriores à crise financeira internacional de 2008.

Sendo esta a medida mais apropriada para avaliar a utilização da mão de obra nas contas nacionais, os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que a economia portuguesa, apesar da retoma, está longe de trabalhar a todo o vapor.

De facto, escreve o Expresso, os portugueses já estão a trabalhar mais 11,1% de horas face ao mínimo registado no ano terminado no terceiro trimestre de 2013, mas ainda estão a trabalhar menos 6,7% de horas face ao máximo alcançado em 2002.

Só para retomar ao nível pré-crise e ao pico atingido no final do segundo trimestre de 2008 são necessárias mais 565 milhões de horas de trabalho por ano. E, para superar o tal histórico recorde anual alcançado no final do terceiro trimestre de 2002, os portugueses têm de trabalhar mais 652 milhões de horas no seu conjunto.

Este indicador de utilização da mão de obra na economia portuguesa representa o número total de horas de trabalho efetivamente cumpridas pelos trabalhadores por conta de outrem (horas remuneradas) e por conta própria, dependendo assim da evolução da carga horária e, sobretudo, do número de pessoas que está a trabalhar.

“Esta evolução resultou da combinação de dois efeitos: por um lado, a redução verificada na população empregada e, em menor grau, a redução na duração efetiva média semanal do trabalho refletindo a recomposição sectorial da economia”, explica o INE.

Apesar da acentuada descida da taxa de desemprego nos últimos anos, a verdade é que o emprego ainda está aquém dos níveis pré-crise. Pelas contas do INE, se hoje o país trabalha menos horas é porque tem menos 272 mil empregos face ao tal máximo histórico de 2002 e menos 195 mil indivíduos a trabalhar face ao pico de 2008.

Pouco mais de 4,9 milhões de pessoas exerceram uma atividade produtiva durante o terceiro trimestre de 2018, quando a economia portuguesa, até à recessão de 2009, operava habitualmente com mais de 5 milhões de trabalhadores. O recorde permanece desde o segundo trimestre de 2002 – perto de 5,2 milhões de empregos.

Isto acontece mesmo com o emprego e as horas trabalhadas remuneradas dos trabalhadores por conta de outrem já em máximos. Quem não recuperou da crise foi o trabalho por conta própria, que pesa cada vez menos no total do emprego do país. “Entre outros fenómenos, a diminuição do emprego na agricultura terá um contributo importante para esta situação”, segundo o INE.

Plena retoma do mercado de trabalho não é para já

Preocupado com o potencial de crescimento da economia portuguesa, o Banco de Portugal já avisou que a plena retoma do mercado de trabalho não é para já. Segundo o boletim económico de dezembro, o crescimento do emprego vai desacelerar nos próximos anos e chegar a 2021 “num nível próximo, mas ligeiramente inferior, ao observado no período imediatamente anterior à crise financeira internacional de 2008”.

Com o envelhecimento da população a limitar o contributo do fator trabalho para o crescimento económico, o banco central projeta que o regresso ao mercado de trabalho de indivíduos desencorajados, o gradual aumento da idade da reforma, a continuação do aumento da participação feminina e os fluxos migratórios possam contribuir para a subida do emprego.

O aumento da produtividade é crucial para colocar a economia portuguesa a crescer mais, mas as contas nacionais por sector institucional revelam o oposto. A produtividade tem vindo a cair sistematicamente desde o ano terminado no segundo trimestre de 2017, um facto que, aliado ao aumento continuado das remunerações, está a acelerar os custos do trabalho por unidade produzida. Só no ano terminado no terceiro trimestre de 2018 os CTUP subiram 2,2%.

Poupar para investir

Dada a desaceleração prevista, o aumento do emprego terá de vir do setor privado, que precisa de investir para ampliar as suas vendas e criar mais postos de trabalho. A taxa de investimento das empresas atingiu os 23,5% do valor acrescentado bruto (VAB) no ano terminado no terceiro trimestre de 2018, um valor ainda muito distante dos 30% superados em 2000/01 e 2008..

Quem não está a ajudar ao maior financiamento da economia portuguesa são as famílias portuguesas, que decidiram alocar 96% do seu rendimento disponível ao consumo.

Em 2010, a taxa de poupança das famílias voltou a superar os dois dígitos com a crise. Mas a retoma do consumo voltou a afundar a poupança para o mínimo de 4% no ano terminado no terceiro trimestre de 2018.

ZAP //

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