Presidente do Governo catalão insiste na realização de um referendo

Andreu Dalmau / EPA

Quim Torra, o Presidente do governo regional da Catalunha

O presidente do Governo catalão disse que vai continuar a insistir na realização de um referendo sobre a “autodeterminação” da Catalunha, apesar das propostas do PSOE sobre a proibição de consultas populares.

O presidente do governo autónomo da região espanhola da Catalunha, Quim Torra, usou o exemplo da “Grã-Bretanha e do Canadá” que, afirmou, conseguiram encontrar fórmulas políticas sobre os independentismos da Escócia e do Quebeque, respetivamente.

“Já agora, os independentismos perderam nos dois sítios. É o que nós dizemos a Espanha: a experiência histórica diz que os referendos para a independência perdem-se. Então, façamos um e vejamos que apoio tem“, defendeu.

Para o presidente da Generalitat, o “conflito” catalão não vai acabar até que os catalães decidam livremente o seu futuro e insistiu que “esse exercício de ‘autodeterminação'” tem de voltar a realizar-se.

“Se realizarmos um referendo e a maioria dos catalães quiser ficar em Espanha apresento a demissão nessa mesma noite“, referiu Torra, frisando que não receia defender a realização de uma consulta popular.

“Se o medo nos paralisasse e não nos deixasse seguir em frente, eu não teria aceitado o cargo de presidente da Generalitat” afirmou, acrescentando que aguarda com expectativa os resultados das eleições legislativas, que se realizam este domingo.

“Os resultados eleitorais vão dar-nos uma fotografia precisa de onde estamos na Catalunha, apesar de aqui se votar de forma muito diferente nas eleições locais ou para o parlamento autónomo. No domingo vamos ficar a conhecer uma tendência e isso vai ser muito interessante”, diz Joaquim Torra.

Sobre a campanha eleitoral que terminou na sexta-feira, Torra nota que foi “muito curta” e que ficou marcada na Catalunha pelas sentenças e pelo julgamento daqueles que organizaram o que chama “referendo” do dia 1 de outubro de 2017.

“A campanha esteve muito focada na Catalunha porque, infelizmente estar contra a Catalunha dá votos no resto de Espanha. Isso antes só víamos na direita, mas agora ficamos surpreendidos com a deriva do PSOE [socialistas] que acabou por manter as teses mais extremistas e de direita, talvez para ir buscar votos ao Ciudadanos”, considerou.

O presidente do Governo catalão defendeu ainda que Espanha tem de saber retirar a mentalidade franquista de vários setores do Estado e começar a encarar a região autónoma da Catalunha como um “sujeito político”.

“Infelizmente o Governo central não quis dialogar. Com presos políticos, exilados e a repressão, nós pedimos uma negociação séria em que o Governo [autónomo] da Catalunha possa apresentar a sua proposta e a Espanha também. Mas, para isso é preciso que Espanha reconheça a Catalunha como um ‘sujeito político'”, disse à Lusa Joaquim Torra, culpando os socialistas pela falta de contactos.

“O PSOE deixou para trás o socialismo integrador e plural da ‘nação das nações’. Na moção de censura a Mariano Rajoy [antigo presidente do Governo central, do Partido Popular] demos apoio aos socialistas. Votámos com Sánchez e abrimos uma via de diálogo“, frisou Torra, lamentando depois que os socialistas tenham preferido fechar “uma janela” de diálogo.

O presidente da Generalitat comentou que persistem “tiques franquistas” na sociedade espanhola, que, disse, não soube gerir as questões da ditadura.

Portugal é um exemplo porque rompeu com o passado fascista. Não foi uma transição, foi uma rutura, mas vemos que em Espanha a transição não foi completa para a democracia. Há restos franquistas no que se chama ‘Estado Profundo’, no poder judicial e na polícia. O mesmo rei não deixa de ser rei [Felipe VI] porque Franco quis que o seu pai [Juan Carlos] fosse rei e sobre isso não pudemos votar”, afirmou, salientou que é preciso romper com o passado.

“Não basta retirar Franco do Vale dos Caídos, é preciso retirar o franquismo das estruturas do Estado”, disse Torra.

ZAP // Lusa

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