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“The Blue Boy” volta a casa 100 anos depois (e há três curiosidades surpreendentes sobre a pintura do menino azul)

A pintura The Blue Boy será exibida, em janeiro, na National Gallery, em Londres. É o regresso da obra ao Reino Unido, 100 anos depois.

Há um século, The Blue Boy, de Thomas Gainsborough, tornou-se a pintura mais cara do mundo. Segundo o Artnet News, os colecionadores norte-americanos Henry e Arabella Huntington compraram a obra-prima pela soma até então inédita de 728 mil dólares, quase 645 mil euros.

O quadro atingiu o auge da sua popularidade devido à compra. Antes de partir para a sua nova casa, na Califórnia, a pintura que retratava um rapaz adolescente, vestido com um fato de cetim azul, foi exposta durante três semanas na National Gallery, numa espécie de despedida patriótica.

Em janeiro, e pela primeira vez desde que saiu do Reino Unido, The Blue Boy regressa à National Gallery, em Londres, para uma exposição. O portal revela três factos que tornam a obra-prima surpreendente e que estarão à vista dos mais curiosos, já no início do próximo ano.

Em primeiro lugar, foi o fato azul que tornou a pintura tão pouco convencional na sua época. Gainsborough estreou The Blue Boy na Academia Real em 1770, numa altura em que o seu fundador, Joshua Reynolds, estava a receber sugestões de grandes artistas romanos e florentinos adeptos dos tons quentes do vermelho.

Gainsborough decidiu fugir à regra e adotar uma abordagem bastante mais fria, enfatizando os tons azuis e verdes nos seus retratos.

Além disso, o fato não se adequa à moda dos anos 1770, fazendo lembrar os estilos dos anos 1640. É por causa da vestimenta que muitos pensam que o quadro é uma homenagem do artista a Anthony Van Dyck, o principal pintor da corte real de Carlos I da Inglaterra.

A influência de Van Dyck nesta pintura não se destaca apenas na postura do jovem, como também no traje: o menino surge como um aristocrata vestido de cavaleiro do século XVII, com meias brancas e um fato de cetim azuis, bordado a ouro.

Apesar de este conjunto ter ganhado um estatuto icónico nesta obra, Gainsborough pintou o mesmo traje noutros retratos.

Mas o mais surpreendente é mesmo o cão. Sim, o cão

(dr) The Huntington Library, Art Collections, and Botanical Gardens.

The Blue Boy (O Rapaz de Azul), de Thomas Gainsborough

Cerca de 250 anos após a sua criação, a obra-prima precisou de ser restaurada. Nesse processo, as radiografias mostraram que Gainsborough tinha incluído um cão branco à pintura, mais precisamente à esquerda do rapaz. Mais tarde, o artista decidiu esconder o animal, substituindo-o por um aglomerado de pedras.

Não há certezas sobre o motivo que levou o artista a esconder o melhor amigo do homem da pintura, mas há quem sugira que Gainsborough pode ter tido dúvidas sobre as contribuições estéticas do cão para o retrato.

  ZAP //

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