“Terça-feira negra”. França em greve contra Macron

Stephane Mahe / EPA

O presidente francês, Emmanuel Macron

Ferroviários, lixeiros, funcionários dos setores da eletricidade e do gás e trabalhadores da Air France lançaram uma série de greves que fez França acordar numa verdadeira “terça-feira negra”.

A imprensa já lhe chama “terça-feira negra”. Hoje, 3 de abril, França acordou com uma série de greves para fazer frente às propostas do Governo de Emmanuel Macron. Segundo o Diário de Notícias, os protestos vão desde os caminhos de ferro aos pilotos da Air France, passando pelos lixeiros e pelos funcionários do setor energético.

O protesto “mais sonante” pertence aos ferroviários da Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro (SNCF), cuja paralisação de 48 horas se irá prolongar, todas as semanas, até ao final de junho para contestar a reforma do sistema ferroviário imposta por decreto, ou seja,  sem uma votação no Parlamento.

Entre outras medidas, a reforma põe fim ao “estatuto laboral privilegiado dos trabalhadores da SNCF”, o que vai permitir alargar as ligações ferroviárias a companhias privadas, sobretudo nas ligações de alta velocidade.

Durante o dia, apenas um em cada oito comboios de alta velocidade (TGV) realizaram ligações, sendo que foram previstas as mesmas proporções nas paralisações dos comboios com viagens de longo curso. Estava ainda previsto que 25% das ligações internacionais fossem canceladas, destacando-se as viagens para Espanha – todas canceladas.

De acordo com o DN, o Governo defende que a reestruturação é a única solução viável para a SNCF, pois a dívida de 46,6 mil milhões de euros da empresa não é gerível sob as atuais circunstâncias e que os benefícios dos trabalhadores só aumentam este valor.

Além dos ferroviários, as federações da CGT dos transportes e dos serviços públicos lançaram um apelo à greve dos lixeiros – que reclamam a criação de um serviço público nacional de dejetos e de um estatuto comum – e dos setores da eletricidade e do gás, que reivindicam um relatório sobre a desregulamentação do setor energético. Nos dois casos, escreve o diário, estas greves também poderão prolongar-se por três meses.

Além destes setores, mas não estando diretamente ligada às reformas do Presidente francês, os funcionários da Air France também se juntaram à onda de protestos para reivindicar por aumentos salariais.

A transportadora aérea espera conseguir levar a cabo 75% dos voos marcados e considera que a greve terá uma adesão de 32,8% dos pilotos, de 20,5% do pessoal de cabine e de 14,5% do pessoal de terra. Em Portugal, até ao momento, foram cancelados dois voos.

Esta greve sucede a paralisações que tiveram lugar nos dias 22 de fevereiro, 23 e 30 de março, estando previstas outras para os dias 7, 10 e 11 de abril.

Segundo o DN, no passado dia 22, dezenas de milhares de enfermeiros, professores e outros funcionários públicos já tinham juntado forças para lutar contra as reformas de Macron, tendo havido confrontos com a polícia em algumas cidades. O Ministério falou em 323 mil trabalhadores em greve, enquanto que os sindicatos apontaram para 500 mil.

ZAP // Lusa

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