Teoria dos dentes do “quebra-nozes” de Paranthropus desmentida

Ryan Somma / Flickr

Paranthropus boisei

Um novo estudo vem deitar por terra a teoria do “homem quebra-nozes”, que sugeria que o Paranthropus tinha enormes dentes posteriores para mastigar sementes e nozes.

O Paranthropus (“Paralelo ao Homem”) é um género extinto de hominídeo que viveu entre 2,6 milhões e 600 mil anos atrás. Intimamente relacionado ao Homo sapiens, serve como um fóssil próximo de longa data em relação à nossa espécie.

Um novo estudo levado a cabo por investigadores da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, estudou os hábitos alimentares e os dentes do Paranthropus, desvendando alguns segredos da evolução dos humanos pré-históricos.

Durante seis décadas, os investigadores acreditaram que o Paranthropus era um consumidor de alimentos duros, pelo que desenvolveu gigantescos dentes posteriores para ajudar a mastigar sementes e nozes.

Com um esmalte extremamente espesso, um dos espécimes de Paranthropuss foi apelidado de “O Homem Quebra-Nozes”.

No entanto, este último estudo mostra taxas mínimas de lascamento do esmalte ou fraturas de dente, em comparação com outros primatas como gorilas e chimpanzés, o que prova que a hipótese do quebra-nozes está errada, conta o Ancient-Origins.

“Ao estudar cada dente individualmente e registar a posição e o tamanho de qualquer fratura dentária, mostramos que o lascamento do dente não apoia a ingestão regular de alimentos duros no Paranthropus robustus, potencialmente encerrando o argumento de que este grupo era comedor de alimentos duros”, começou por dizer Ian Towle, antropólogo da Universidade de Otago.

“Os resultados são surpreendentes, com fósseis humanos até agora estudados — aqueles no nosso próprio género Homo — a mostrarem taxas extremamente altas de fraturas dentais, […] mas Paranthropus mostra níveis extremamente baixos de fraturas”, acrescentou.

As descobertas deste estudo foram baseadas na análise de dentes de Paranthropus e dentes de primatas em institutos e museus na África do Sul, Japão e Reino Unido. No total, os autores examinaram mais de 20.000 dentes de primatas vivos e fossilizados.

O estudo sugere que o Paranthropus raramente comia alimentos duros. Provavelmente, os seus enormes dentes posteriores evoluíram para outros propósitos, como para mastigar grandes quantidades de folhas muito duras.

O estudo foi recentemente publicado na revista científica Journal of Human Evolution.

Daniel Costa, ZAP //

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