Teoria da Relatividade não rendeu um Nobel a Einstein. Para o comité sueco, “não era Física”

(dr)

Albert Einstein, Prémio Nobel da Física em 1921

A Teoria da Relatividade Geral (1905), um dos principais avanços científicos do século XX, não rendeu um prémio Nobel ao físico Albert Einstein, tendo o comité sueco argumentado que o trabalho não era sobre Física.

A Teoria da Relatividade transformou a compreensão científica sobre o Universo, mostrando-se válida em inúmeros procedimentos científicos recentemente publicados que envolvem medições do espetro solar ou até buracos negros.

Robert Mark Friedman, professor de História da ciência da Universidade de Oslo, na Noruega, vasculhou os arquivos do prémio sueco, tentando perceber por que motivo o trabalho mais célebre de Einstein não foi o suficiente para valer um Nobel.

Em declarações à emissora britânica BBC, o especialista recorda que Einstein foi indicado ao prémio por vários físicos internacionais por este mesmo trabalho, apontando alguma discriminação para justificar a não atribuição do prémio ao físico alemão.

“Houve, sem dúvida, algum preconceito contra Einstein e a sua teoria (…) Einstein era judeu, socialista, internacionalista e pacifista“, começou por dizer.

“[Os físicos internacionais] reiteram que o trabalho de Einstein era o mais importante no campo da Física desde Isaac Newton, compararam Einstein a Copérnico, insistiram que foi sem dúvida o trabalho mais significativo na Física durante anos e, portanto, [Einstein] deveria ser considerado para o prémio”.

Mas os argumentos dos especialistas internacionais não foram suficientes para o comité do Nobel, que tinha uma posição bastante firme. “As avaliações sobre a relatividade são escritas a partir da perspetiva de que Einstein estava errado”, continuou Friedman.

“O que [o comité] disse publicamente foi quea relatividade não era Física. Tratava-se de tempo e espaço e, portanto, era metafísica. E metafísica é filosofia e filosofia não é Física. Então, como é que lhe poderiam atribuir o prémio da Física?”.

Albert Einstein acabaria por receber o Prémio Nobel da Física anos mais tarde, em 1921, não pelo seu maior trabalho, mas por um efeito fotoelétrico menos conhecido.

O Prémio Nobel

O Prémio Nobel foi instituído no início do século XX a partir dos planos de Alfred Nobel, um industrial sueco que inventou a dinamite, tal como escreve a emissora britânica.

Inicialmente o prémio agraciava aqueles que trabalhavam no campo da Física, Química, Medicina, Literatura e Paz, sendo em 1968 acrescentado o Nobel da Economia.

Tal como explica a historiadora de Ciência Ruth Lewin Sime, este prémio da academia sueca é extremamente conceituado, sendo considerado o maior de todos os prémios.

“Um cientista será lembrado para sempre se estiver nesta lista de vencedores do Nobe (…) Uma das coisas que o Nobel faz é atribuir uma espécie de imortalidade. Esta é a natureza, a aura que envolve o Prémio Nobel”, explica.

Contudo, do outro lado da moeda, podem ser ofuscados cientistas e personalidades importantes que nunca o chegam a receber.  “À medida que a história avança, desaparecem gradualmente se estão nas sombras, tornando-se invisíveis”.

ZAP //

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