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Ministra da Saúde abre a porta à presença de público na Supertaça

António Cotrim / Lusa

A ministra da Saúde, Marta Temido

A Supertaça, entre Sporting e Sporting de Braga e agendada para sábado, pode vir a ter adeptos nas bancadas, admitiu a ministra da Saúde, esta terça-feira, descrevendo o jogo como um possível “evento-teste”.

“Em relação ao público nos eventos organizados em ambiente aberto, aquilo que ficou hoje referido pelos peritos foi que há, face a esta situação de aumento da vacinação, possibilidade de fazer essa abertura“, adiantou Marta Temido, contrapondo uma “maior restrição” para eventos que decorram em espaços fechados e citando a recomendação dos especialistas para um maior arejamento desses recintos.

Em declarações aos jornalistas depois da reunião no Infarmed, que voltou a juntar dois meses depois peritos, membros do Governo, Presidente da Assembleia da República e Presidente da República para a análise da situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, a governante avançou também com a possibilidade de a decisão da Supertaça ser viabilizada “como um evento-teste”.

“É uma hipótese que está em cima da mesa. Ficámos mais confiantes e mais certos daquilo que eram as nossas perspetivas pelo que ouvimos nesta sessão. É possível isso, é até desejável isso, desde que as regras sejam cumpridas”, observou a ministra, lembrando a importância do uso de máscara, distanciamento físico e a possível utilização de testes ou de certificados para viabilização de entrada dos adeptos.

Embora tenha aberto a porta ao regresso dos adeptos, Temido evitou comprometer-se de forma definitiva sobre essa matéria e remeteu uma decisão para quinta-feira, quando se realiza o próximo Conselho de Ministros.

“Não sei exatamente o calendário desportivo, mas foi essa a recomendação que saiu hoje: eventos em espaço aberto, onde as pessoas se sentam e se organizam de uma forma coordenada e com respeito pelas regras, são possíveis”, finalizou.

A Supertaça Cândido de Oliveira, que vai ser decidida entre o campeão nacional Sporting e o vencedor da Taça de Portugal Sporting de Braga, está marcada para este sábado, às 20h45, no Estádio Municipal de Aveiro.

Relativamente ao tema da vacinação dos jovens abaixo dos 18 anos, a ministra disse que está clarificado e que será também abordado no Conselho de Ministros, apesar de ainda não ser conhecida a posição final da Direção-Geral da Saúde.

“No tema da vacinação na idade pediátrica está já clarificada a decisão de vacinação 18 aos 16 anos, e está já clarificada também a vacinação dos 12 aos 15 em casos de comorbilidades, que nos vão agora ser listadas pela Direção-Geral da Saúde”, disse Temido, sem deixar de salientar que o Governo se vai reunir para “apreciar as atuais medidas” e também “para refletir sobre as recomendações hoje deixadas pelos peritos” no encontro de quinta-feira.

Segundo a governante, os técnicos da comissão técnica de vacinação contra a covid-19 ainda estão a analisar “a relação de risco-benefício relativamente à vacinação nestas idades” mais jovens, mas enfatizou que há uma decisão política.

“Todos queremos ter essa informação o quanto antes e estamos preparados para vacinar estas faixas etárias em termos logísticos, dependemos agora desta avaliação técnica e há também uma decisão que pode ser tomada para além dessa decisão técnica”, referiu.

Marta Temido rebateu ainda a tese de uma maior resistência à vacinação contra a covid-19 entre os mais jovens, ao citar o estudo apresentado pela diretora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Universidade Nova de Lisboa, Carla Nunes.

“Por vezes temos a ideia de que são os mais jovens que mais reativos são à vacinação e o que hoje foi referido é que a hesitação vacinal está concentrada num grupo etário mais avançado, entre os 45 aos 60 anos“, indicou.

A ministra enfatizou ainda a “capacidade que a vacinação tem em reduzir em três vezes o risco de internamento e de óbito”, reforçando a efetividade vacinal como um aspeto “determinante para continuar a caminhar e a lutar contra a infeção”.

Questionada sobre a abordagem que o Conselho de Ministros deverá ter para o futuro próximo, face à atual situação epidemiológica, Temido antecipou uma “uniformidade” de medidas, perante a prevalência da variante Delta “em mais de 95% do território nacional” e um “número muito significativo de concelhos em que a incidência é superior a 120 casos por 100 mil habitantes” a 14 dias.

“Tem sido fundamental conseguir mais vacinas, para prepararmos agora este próximo Conselho de Ministros com uma situação de alguma esperança relativamente a uma situação que ainda vivemos de pandemia, mas na qual podemos perspetivar a forma como o regresso às nossas vidas se torna cada vez mais próximo”, sentenciou.

  ZAP // Lusa

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