Taxa de natalidade desce quase um terço em cidade chinesa

As autoridades chinesas reconheceram oficialmente que a taxa de nascimentos em Xinjiang, cidade situada no noroeste da China, desceu quase um terço em 2018, comparada com o ano anterior.

De acordo com a CNN, o governo chinês desmentiu os relatos de que as autoridades da região oeste do país estariam a forçar a esterilização e o genocídio.

O governo enviou à CNN um fax de seis páginas como resposta a um artigo publicado pela estação americana. Esse artigo falava de uma campanha de abuso e controlo que tinha como alvo mulheres uigur, um grupo étnico muçulmano que soma mais de 10 milhões de pessoas.

As autoridades chinesas são acusadas de atentar aos direitos humanos, com mais de dois milhões de uigures e outras minorias muçulmanas a ser colocadas em centros de detenção naquela região, onde serão alegadamente sujeitas a abuso.

Pequim contrapõe que estes são centros voluntários e fornecem formação vocacional como parte de um programa de desradicalização em Xinjiang, cidade que passou por uma onda de ataques violentos nos últimos anos.

A reportagem da CNN descobriu que algumas mulheres uigur seriam forçadas a usar métodos de controlo de natalidade e a ser esterilizadas, como uma tentativa de reduzir a taxa de natalidade.

O artigo baseava-se num relatório de Adrian Zenz, membro da Fundação Memorial das Vítimas de Comunismo, que citou documentos oficiais chineses nos quais se via um aumento no número de esterilizações realizadas na região – menos de 50 por cem mil pessoas em 2016 para quase 250 por cem mil em 2018.

stats.gov.cn

Health and Hygiene Statistical Yearbooks, table 8-8-2.

Zenz afirmou que estas ações se encaixam na definição das Nações Unidas para “genocídio”, nomeadamente “impor medidas que visam evitar nascimentos num determinado grupo.”

O governo de Xinjiang negou veementemente as acusações de genocídio, argumentando que a população uigur tem crescido continuamente durante a última década e que o relatório de Zenz não estaria de acordo com “a real situação” de Xinjiang.

De acordo com o governo, a população desta cidade aumentou em mais de três milhões de pessoas, quase 14%, entre 2010 e 2018, com a população uigur a crescer mais rápido do que a média da região.

“Os direitos e interesses dos uigur e de outras minorias étnicas estão completamente protegidos. O suposto genocídio é um puro absurdo“, podia ler-se na resposta enviada pelo governo chinês à CNN.

 

Esterelizações caiem no país, mas sobem em Xinjiang

Aquilo que o governo não fez, foi contestar o aumento nas esterilizações ou o número de novos dispositivos intrauterinos (DIU) em Xinjiang, relativamente ao resto do país.

Enquanto que a utilização de DIUs caiu para 21 por cem mil na China em 2018, este número aumentou naquela cidade do noroeste. De acordo com estatísticas do governo local, havia quase mil novos DIUs implantados por cada cem mil pessoas em Xinjiang, correspondente a 80% do total do país, no mesmo ano.

O fax enviado à estação americana dizia que a queda na taxa de natalidade daquela região se devia à implementação da política de planeamento familiar.

Até 2015, o governo chinês tinha imposto uma política de planeamento familiar, em que cada casal apenas poderia ter um filho. Para as minorias étnicas, como o povo uigur, era permitido ter até três, mas Zenz alega que estas famílias costumavam ter mais.

Quando a China passou para a política dos “dois filhos”, em 2016, os cidadãos uigur passaram a ter o mesmo limite. O governo de Xinjiang atribuiu a súbita descida na população ao facto de a política de planeamento familiar ter sido bem implementada, a partir de 2017.

“Em 2018, o número de recém-nascidos diminuiu aproximadamente 120 mil em comparação com o ano anterior”, dizia, na resposta à CNN, o governo que insistia que quem cumpre as políticas de planeamento familiar o faz voluntariamente.

ZAP //

 

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