Tabaco mata 30 por dia, Governo quer rever lei e aumentar preços

O Governo quer rever a lei do tabaco, reduzir em 2% os fumadores até 2016, aumentar o número de consultas de apoio intensivo para deixar de fumar e promover o aumento anual do preço do tabaco. 

Estas são algumas das recomendações constantes do relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS) “Portugal – Prevenção e Controlo do Tabagismo em Números 2014” , que é apresentado esta terça-feira em Lisboa.

O relatório mostra que o tabaco mata por ano cerca de 11 mil pessoas (mais de 10% do total de mortes) em Portugal e que 845 óbitos se deveram à exposição ao fumo passivo, 96% dos quais devido a doenças cardiovasculares, segundo dados referentes a 2010.

Apesar desta realidade, o estudo revela que a maioria dos fumadores não está motivada para deixar de fumar e as consultas de cessação tabágica têm vindo a diminuir.

Citando os resultados do III Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População, o relatório indica que cerca de 19% dos inquiridos fumadores responderam não ter interesse em parar de fumar, cerca de 65% responderam ter um interesse ligeiro ou moderado e 17% um forte interesse em parar de fumar.

Apenas 2,5% dos inquiridos fumadores responderam que, com toda a certeza, iriam tentar parar de fumar nas próximas duas semanas, mais de metade respondeu negativamente a esta questão e cerca de 43% revelaram-se hesitantes.

O teste de Richmond, que avalia a motivação para a cessação tabágica, também citado pelo relatório, revela por sua vez uma realidade ainda mais negativa: a grande maioria dos consumidores (85,5%) tem uma motivação baixa, 12,6% uma motivação moderada e apenas 1,8% uma motivação elevada para deixar de fumar.

A perceção dos riscos do fumo também parece não ser clara para os inquiridos no inquérito, já que “apenas 66% da população dos 15 aos 64 anos considerou que fumar um ou mais maços de tabaco por dia tinha um elevado risco para a saúde, cerca de 4% considerou que tinha pouco ou nenhum risco”.

Para tratar a dependência tabágica, alguns hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e centros de saúde oferecem consultas para ajudar a deixar de fumar.

No entanto, em 2014, apenas cerca de 70% dos Agrupamentos de Centros de Saúde ofereciam este tipo de consultas e o número de equipas para a realização destas consultas tem diminuído nos últimos anos, embora sem uma redução significativa do número anual de consultas efetuadas.

O relatório destaca a “inexistência de um sistema de informação adequado a esta área de intervenção”, o que “limita a possibilidade de dispor de dados nacionais sobre o trabalho realizado nestas consultas, em particular, no que se refere às intervenções breves”.

Nos últimos quatro anos (entre 2009 e 2013), em Portugal continental, o número total de consultas de cessação tabágica diminuiu de 25.765 para 21.577, o número de utentes atendidos nas consultas de apoio intensivo à cessação tabágicas baixou de 7.748 para 5.377, enquanto o número de locais de consultas para esse fim caíram de 223 para 116.

O relatório aponta ainda dados do Inquérito Nacional sobre Asma, que indicam que a exposição ao fumo ambiental do tabaco em casa foi reportada por 26,6% dos inquiridos, 39% dos quais eram crianças e jovens com menos de 25 anos.

É preciso rever lei do tabaco

Uma das recomendações é no sentido de promover a revisão da lei do tabaco, transpondo uma diretiva europeia aprovada em abril, com o objetivo de controlar o tabaco, garantindo a proteção da saúde e promovendo uma redução sustentada do consumo, em particular nos jovens.

Neste contexto, haverá alterações de rotulagem, de ingredientes e de comercialização dos produtos do tabaco e serão adotadas medidas restritivas de proibição de fumar em locais de trabalho e outros locais fechados.

Alguns dos principais objetivos do Governo são reduzir a prevalência do consumo de tabaco (diário ou ocasional) na população com 15 ou mais anos em pelo menos 2%, até 2016, e eliminar a exposição ao fumo ambiental do tabaco.

A DGS recomenda também que seja definida uma rede de referenciação de apoio intensivo à cessação tabágica, que garanta uma resposta equitativa e ajustada às necessidades de saúde da população a nível de todos os agrupamentos de centros de saúde (ACES).

A medida visa criar “pelo menos uma consulta de apoio intensivo em todos os ACES que ainda não atingiram esse objetivo”.

Além disso, o Governo considera necessário melhorar a formação pré e pós graduada dos profissionais de saúde na realização de intervenções breves e reduzir os custos das terapêuticas de cessação tabágica, para aumentar o incentivo dos fumadores para deixar de fumar.

Promover o aumento anual dos preços dos produtos do tabaco é outra das medidas em vista, dado tratar-se de uma medida de “reconhecida efetividade na redução do consumo, em particular nos jovens e nos grupos populacionais com menores recursos económicos”, bem como “adotar medidas fiscais que possam ser consignadas ao combate ao tabagismo e ao tratamento das suas consequências”.

A DGS recomenda ainda que se melhore a monitorização do consumo de tabaco, que se desenvolva um sistema de informação para melhorar o conhecimento sobre o consumo e a exposição ao fumo ambiental e que se crie um módulo clínico para registo das intervenções breves e das atividades realizadas nas consultas de apoio intensivo à cessação tabágica.

/Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Mas que tamanha hipocrisia
    Ora pensem lá nos milhões que gera de impostos mais os milhões de reformas não pagas por morte antecipada, se isto pode ser verdade e como as maleitas só aparecem quando se está a chegar ao fim da carreira contributiva, vejam se o tabaco não é uma mina de ouro para o governo.
    E depois no hospital está sujeito a politica economica ” protese ou amputação” lembram-se? em que o médico tem que atuar não no interesse do doente, mas sim da administração

  2. solução radicalmente diferente de outros governos 😉 e se de vez em quando sair da caixa e deixarem o ovelhismo politico ,e obrigar a industria a comercializar tabaco menos nocivo ! já foi provado cientificamente ser possível,fica mais caro e para continuar a vender a preços acessíveis ,a industria ia ganhar menos,assim como os governos,isto nao tem haver com saúde ,mas sim com muito dinheiro

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